Entrevista

06/06/2018


Nosso curso está cheio de empreendedores! Nessa entrevista, Rodrigo conta um pouco mais sobre sua trajetória na faculdade e sobre os desafios do empreendedorismo. Conheça mais sobre sua trajetória agora mesmo!

  • Por que escolheu automação?

    Eu escolhi primeiro o curso que me interessava. Automação sempre me passou a ideia de que eu pudesse criar coisas novas, fazer ideias saírem do papel. Depois disso, vi que a UFSC se destacava como a melhor opção de graduação, pela infraestrutura e até por ter sido onde o curso nasceu no país. Florianópolis também se destacou pela qualidade de vida ser muito boa. Então, somaram-se várias coisas importantes e acabou que no fim eu não queria ir para outro lugar. Falando um pouco da minha trajetória, morei em diversos lugares pelo Brasil ainda antes do curso: Minas Gerais, Bahia, Goiás.. Me ajudou bastante na parte de formação pessoal, entender culturas e me adaptar a lugares diferentes.No início da faculdade, cheguei a pensar algumas vezes se estava no curso certo. Uma coisa que me segurou muito foi a qualidade das pessoas que estudavam comigo, via muitos colegas bons e isso me inspirava. A forma como o pessoal era unido, por mais que tivesse uma prova difícil pra se fazer, a gente realmente se ajudava, sem haver um sentimento de competição, era algo muito motivador.

  • Como era seu dia a dia no curso? Saía muito? Estudava muito?

    Durante a graduação me envolvi com muitas coisas diferentes. Desde a primeira fase participei da empresa junior, sempre com bastante interesse nessa parte de empreendedorismo e vejo que foi o primeiro passo para mim. Trabalhava na área de marketing lá. Depois disso eu tive dificuldade durante a graduação na parte de desenvolvimento de software, era algo novo para mim e eu sabia que estaria presente durante todo o curso. Por isso, assim que saí da Autojun, decidi que teria que aprender isso. Busquei um estágio nessa área e fui trabalhar na fundação CERTI, o que foi muito legal para mim. Fiquei nisso por volta de um ano. Eu sempre fiz parte da turma que gostava de festas, saía bastante, mas que sempre se preparava para as provas. Algo presente durante toda a graduação foi a participação na organização do Linguição. Desde o primeiro semestre a participação na organização do Linguição me proporcionou o contato com o pessoal de várias outras turmas, principalmente com que já estava se formando. Isso me ajudou bastante, mais para frente no curso, quando eu estava buscando oportunidades no mercado de trabalho.

  • Você fez parte de alguma atividade extra-acadêmica, como CA, DCE, EJ, PET, NEO...? Em que função e o que te ajudou no mercado?

    Sim, participei da empresa júnior, fiz estágio na CERTI e trabalhei com bolsa de pesquisa no DAS, junto com o prof. Julio, na área de petróleo. Foi minha única experiência na área de iniciação científica. Trabalhar em empresa júnior é muito parecido a trabalhar em uma startup no início dela. Nenhuma das duas tem dinheiro, quem está no grupo não é movido a remuneração, assim se trabalha junto e em prol de um objetivo comum, um propósito maior. Então já ter feito isso na universidade me ajudou muito na criação da minha própria empresa. Uma coisa que eu gostei muito da UFSC e não vi parecido em outras universidades é a possibilidade de conciliar bem as atividades extracurriculares com o curso. São vários centros de pesquisa, empresas ao redor do campus, a própria fundação CERTI, que te permitem estagiar e conciliar isso com a grade curricular de um curso de engenharia com período integral. Eu fazia sanduíche total com os meus horários. Ia para o estágio, saía para uma aula, voltava para o estágio… Tudo no mesmo dia. Talvez essa não fosse uma prática muito produtiva, mas foi o jeito que encontrei de fazer mais coisas ao mesmo tempo. Gostei bastante. Uma dica para o pessoal do curso é "não seja uma pessoa que só fez a graduação”(risos). Hoje uma das coisas que o mercado procura são pessoas acima da média. Você tem que mostrar o que fez, mostrar que tem iniciativa, que sabe o que quer e que não é uma pessoa que só espera as coisas acontecerem. Esperar que as oportunidades caiam do céu não é uma boa estratégia.

  • O que te guiava no curso? Surgiram boas oportunidades?

    Entre empresa júnior e estágios, tomei a primeira decisão importante na graduação: escolhi que queria trabalhar na área de petróleo. Já tinham algumas boas referências de colegas e, quando eu menos esperava, duas oportunidades vieram ao mesmo tempo. Eu tinha sido aprovado para uma bolsa de estudos nos EUA na área de microeletrônico, muito próximo do que eu estava fazendo na CERTI, e ao mesmo tempo fui aprovado em um estágio do DAS na área de petróleo, que era inclusive financiado pela Petrobrás. Fiquei bem sem saber o que escolher. Resolvi ir para esse estágio, pois já tinha certeza que queria trabalhar com isso. Comecei com a área de pesquisa, e ao mesmo tempo comecei a me envolver com várias outras coisas tipo organização do linguição, que todos os semestres eu participava, e eu e meus amigos (3 da automação e um da produção) também criamos uma startup durante esse período, chamado To Na Tela.

  • Conte mais sobre o To Na Tela! Como foi essa primeira experiência de empreendedor?

    A gente ia para as festas, instalava projetores, e telões e oferecia um serviço como se fosse um Twitter para festas e eventos! Naquela época ninguém tinha smartfones nem nada, então funcionava da seguinte forma: tínhamos um número de telefone que aparecia no telão, todo mundo podia mandar um SMS para o nosso número e a gente projetaria a mensagem para a festa inteira. Era uma loucura o negócio, bombou demais, fomos para muitas festas de graça. Foi muito divertido, chegamos até em festas no Paraná para implementar o negócio. O profissionalismo era zero, tínhamos até um sócio que volta e meia saía carregado das festas. Começamos até a ganhar uma grana com isso. Nós íamos até os comércios locais em torno da UFSC e vendíamos espaço para anúncios nos eventos da universidade que o Tô na Tela estava presente. Fazíamos muita promoção de açaí, sorteio de brindes, era divertido. Usamos o Tô na Tela até para uma palestra de recrutamento da Schlumberger na UFSC. Durante a palestra as pessoas podiam mandar perguntas anônimas para o recrutador e, no final da palestra, ele responderia todas elas. Foi o primeiro passo para o meu PFC.

  • Quais matérias achou mais complicado na faculdade? Possui alguma história engraçado com algum professor?

    Teve sim. Tem uma matéria que até hoje tenho vontade de matar meu amigo (risos). Foi em Cálculo C, que esse amigo já tinha feito e me deu a recomendação de um professor que seria muito bom. Me deparei com a pior letra que eu já tinha visto, não conseguia ler o quadro e ainda falava super baixo, além de provas super difíceis. As primeiras provas foram um sufoco, estudei muito e consegui salvar no final. Foi um semestre terrível por conta desse professor, mas prefiro nem falar nomes. Teve uma vez que saímos de Floripa para uma festa aqui em Minas, juntando com o pessoal de direito, em um microônibus que era open bar e sem banheiro. Era meia hora andando e quinze minutos parado. Fomos para lá, aproveitando todas, e no dia seguinte tinha prova de robótica. Eu sei que chegamos de viagem, fomos direto pro laboratório virar a noite estudando, fizemos a prova e o resultado foi que se somasse nota de todos que foram na viagem não dava 7, desastre total (risos).

  • Como foi a escolha do PFC?

    Consegui um estágio de PFC na Schlumberger, que desde o meio do curso já era a empresa que eu queria trabalhar. Me mudei para Macaé, fiz o projeto de fim de curso lá e depois fui contratado. Fiquei entre 2 e 3 anos nessa empresa, trabalhando embarcado na área de perfuração e perfilagem offshore. Eu me formei seguindo uma linha bem técnica ligada a essa área de petróleo, o que me ajudou a conseguir o estágio. Ao mesmo tempo, sempre procurei me envolver com outras coisas relacionadas ao empreendedorismo, criação de negócios.. Enquanto na área de petróleo eu trazia muito do que a gente estuda no curso, na outra área era muito bom para desenvolver a parte de soft skills, algo extremamente útil para qualquer tipo de carreira.

  • A pergunta que todos fazem, IAA importa?

    A pergunta que todos fazem, IAA importa? Pra ser bem sincero, no ambiente que estou hoje e na posição de estar contratando o pessoal, a gente nem pede histórico escolar. Nem sei quanto tempo de graduação a pessoa levou para concluir o curso. A gente mede as habilidades técnicas para vaga que temos aberta, criando um desafio. A habilidade de resolução de problemas técnicas é muito mais importante que um histórico escolar. Além das habilidades técnicas, nos preocupamos muito em identificar se a pessoa tem a cultura que queremos manter na nossa empresa. Nessa área de startup muitas vezes vemos gente trabalhando em uma área completamente diferente da sua formação. E isso é muito bom, pois mostra que o bom trabalho vem muito mais da aptidão da pessoa do que da nota em alguma disciplina que foi obrigado a fazer. Vejo que em um ambiente mais tradicional, já se avalia um pouco mais questão de currículo, mas quando você explica os motivos e atividades que realizou, mostra talvez que naquele momento a prioridade era outra, mas que fez muito sentido na formação profissional. Não tive reprovações e mantive notas razoavelmente boas. No caso do recrutamento da Schlumberger, eles já sabem que estão escolhendo gente que vai trabalhar em petróleo, sem nem saber muito sobre o tema. São poucas universidades que te preparam para isso, e mesmo assim não é suficiente, por isso eles já estão conscientes que terão que te preparar lá dentro. Eles não esperam contratar um recém formado expert no assunto, mas sim alguém que pode se tornar um. Então eles vão avaliar se você é estudioso, vai dar conta e ter o comprometimento para tudo que vão te passar.

  • Você chegou a participar da organização do Linguição da Automação? Como foi essa experiência pra você?

    No meu linguição fiquei na organização geral. Foi bem tenso, porque fizemos lá onde acontece o carnaval de Floripa, na passarela Nego Quirido. Aí chegou meia hora antes da festa, e o corpo de bombeiros chegou lá dizendo que não autorizava a realização do evento e que estávamos sem alvará. Naquela hora tivemos que tomar a decisão de cancelar tudo ou seguir a festa e arcar com as consequências depois. A gente já havia seguido todos os procedimentos legais, nosso advogado acompanhou todo o processo e nos garantiu que estava tudo ok. Eu e mais dois que estávamos à frente da festa decidimos que ia acontecer o linguição. Nosso advogado envolveu um monte de gente da prefeitura, polícia, bombeiros e no final, a festa foi liberada! No fim, foi questão de influência para acontecer. Tínhamos feito tudo certinho, foi arriscado mas deu certo. Quando entrei no curso, o linguição era um churrasco, e quando saí já era no mesmo lugar do carnaval de Florianópolis. Acompanhei uma trajetória muito legal.

  • Como foi a passagem de contratado em empresa petroleira para empresário em startup?

    Logo depois de formado, comecei a minha carreira na Schlumberger e depois de um certo tempo eu já não estava tão satisfeito com a minha projeção de carreira na empresa. Naquela época eu tinha uma ideia de empreendimento e acabei escrevendo um projeto para o concurso do Sinapse da Inovação, da fundação CERTI. Essa aplicação foi feita bem despretensiosamente, não acreditava muito que o projeto poderia sair do papel. Tive a ideia, fui cadastrando nas etapas, fui passando e no final das contas a ideia foi aprovada. Recebi um capital do programa para investir na ideia e percebi que se eu queria mesmo empreender a hora era aquela. Foi uma decisão muito difícil, porque abri mão de uma empresa que me dava estabilidade, e uma boa tranquilidade financeira, para poder entrar em um negócio que eu não fazia ideia do que acontecer, além de não ter experiência empresarial na prática. Tive apoio, comecei em Floripa desenvolvendo esse negócio, que é a Lett hoje, entramos para incubadora do Celta e começamos a desenvolver. Sempre fui o único da automação que começou o negócio. Da UFSC tem mais uma pessoa, formado em engenharia de produção, e os outros dois são formados também em engenharia, mas aqui em BH.

  • Qual é o principal impacto da Lett no mercado de trabalho hoje?

    O que fazemos hoje é o conhecido como Trade marketing digital. Estamos atuando muito nos seguimentos de alimentos, bebidas, higiene e beleza e eletroeletrônicos. Por exemplo, quando a LG produz um celular, ela vende esse celular para uma rede de varejo (americanas, angeloni), e são essas lojas as responsáveis por apresentar o produto ao consumidor. O Trade marketing é a função dessas marcas, como a LG, de ir nessas lojas e garantir que seu produto esteja sendo bem apresentado nas vitrines. Que o produto esteja sendo anunciado com preço adequado, que ele esteja disponível em estoque, entre outros que influenciam a decisão de compra dentro da loja. Essas indústrias já fazem isso há um bom tempo, só que agora o nosso hábito de consumo está mudando, e usamos o e-commerce para nossas compras. Por isso, essas empresas estão precisando reinventar a forma como elas executam o Trade marketing em canais online. É esse gap que a Lett está suprindo no mercado. Trazemos tecnologia e inteligência de dados para clientes como Nestlé, LG e Ambev. Desenvolvemos uma tecnologia que visita milhões de páginas de produtos no e-commerce e, automaticamente, identifica problemas que podem afetar as vendas de nossos clientes. É um mercado que está dando seus primeiros passos, mas vem crescendo bastante.

  • Quais são suas responsabilidades na Lett hoje?

    Estou começando a área de marketing da empresa, que até agora não foi muito desenvolvida. Também estou envolvido na área de produto.

  • O projeto atual da Lett segue o mesmo de quando a ideia surgiu?

    Na verdade não. O projeto inicial era fazer uma plataforma para compras de supermercado na internet, onde se poderia criar as listas de compras , descobrir em qual supermercado a compra sairia mais barata, e por fim realizar a compra online e receber os produtos em casa. Chegamos a desenvolver esse produto por um ano. A gente costuma explicar que era o Buscapé das compras de supermercado. Nosso objetivo era capturar informações de hábitos de consumo das pessoas que usariam a nossa plataforma e vender essas informações para os fabricantes dos produtos. Uma espécie de Nielsen do ecommerce. O produto ficou do jeito que a gente queria, e no final das contas não conseguimos vender para ninguém. Então o primeiro aprendendizado como empreendedor foi que a gente precisa, antes de sair desenvolvendo produto, validar a ideia e saber que o trabalho que estamos fazendo tem tração no mercado. No final do primeiro ano já tínhamos gastado todo o dinheiro do programa com um produto que naquele momento não gerava valor. Apenas depois que tudo já estava pronto, fomos conversar com fabricantes de produtos, indústrias tipo Nestlé e mais algumas, e o que eles nos falaram é que os dados que queríamos vender para eles eram interessantes, mas no momento eles estavam mais interessados em outro tipo de informações, coisas mais básicas, e assim eles foram nos orientando sobre o que eles precisavam. Naquele momento tomamos a decisão de mudar o negócio baseado no que a Nestlé nos falou que precisava. Assim nasceu o negócio atual.

  • De onde partiu a empresa que vemos hoje? Como foi a trajetória para chegar até aqui?

    Começamos tentando resolver um problema que nós, como consumidores, tínhamos. A partir daí fomos descobrindo novas oportunidades e mudamos a empresa para resolver problemas que outras empresas tinham e que poderíamos ajudar. Vender para outras empresas é bem mais fácil e barato do que vender para a grande massa. Foi a partir do segundo ano de negócio que realmente conseguimos desenvolver e vender, evoluindo cada vez mais e ano passado foi nosso melhor ano, alavancando as vendas e alcançando mercados fora do Brasil também. Grande parte das habilidades necessárias para empreender nós adquirimos na prática e em programas de aceleração de startups. Esse tipo de conhecimento dificilmente é possível encontrar na na faculdade de engenharia, nem mesmo na de administração.

  • Por qual motivo a empresa decidiu mudar de Floripa para BH?

    Foram questões pessoais e mais a vocação de BH na área de TI, também contou muito. Junto com a nossa decisão de mudar a sede para BH, nós também fomos selecionados pelo programa SEED-MG, um programa de aceleração de startups em BH que também oferece um investimento a fundo perdido para o desenvolvimento do projeto. Isso é muito interessante, porque eu acho que o que impede muitas pessoas de empreender hoje é a falta de um capital inicial para tocar no negócio. Já se corre um risco em investir seu tempo em algo que não sabe se vai dar certo, e ao mesmo se você estiver investindo todas suas economias, se torna um pouco desconfortável. Então esses programas que te dão uma grana a fundo perdido para fomentar a inovação, são realmente um grande incentivo. Foi muito importante pra gente ir atrás disso e aproveitar de forma inteligente tudo que tinham para nos oferecer.

  • O que te motiva no empreendedorismo?

    Eu gosto de inovar, então quando não estou fazendo isso sinto que não estou trabalhando 100%. Acabei me sentindo incomodado com isso no ambiente de empresas tradicionais, enquanto em projetos novos e empreendedorismo não existe muito limite. Esse tipo de desafio é o que me faz acordar de manhã e chegar no escritório animado. E além disso o sentimento de ver que os resultados vão vir de acordo com o seu trabalho. Algo muito bom também é a parte de construir uma equipe, com um ambiente de trabalho característico seu, é muito gratificante.

  • Como está a situação do mercado de trabalho para quem está se formando hoje?

    Eu acredito que ainda estamos passando por uma baixa econômica no Brasil, fazendo muitas empresas segurarem os custos e investimentos, mas acredito também que essa situação já está começando a mudar e que bons profissionais sempre encontrarão seu lugar. Uma alternativa são oportunidades de emprego no exterior, que hoje já é muito mais acessível e que, inclusive, o curso abre muitas portas. Outra alternativa é o mercado de startups. Vejo muita gente contratando e muitas oportunidades. Acaba que essas empresas são as que mais crescem hoje e consequentemente são as que mais contratam.

  • E para as startups em Floripa, como está o mercado?

    Acho que Florianópolis está entre as cidades que tem o melhor ecossistema para empreender hoje. Tem muita startup boa, com muita troca entre essas empresas, que é um fator bem importante. Existem muitas vagas na área de desenvolvimento de software nessas startups. Muitas, inclusive, estão trazendo profissionais de outros estados para ocupar suas vagas.

  • Como você se vê daqui à alguns anos? Pretende continuar nesta área? Fazer o que da vida?

    Eu não me prendo muito a área aqui dentro. A gente observa os gaps que aparecem na empresa, e vamos tratando deles e assim mudando, por isso em termos de cargos não sou muito apegado. Em termos de futuro, estou trabalhando bastante para que a Lett se torne uma empresa bem globalizada. Queremos estar em vários outros países nos próximos dois anos, é muito chão para percorrer e muitas coisas para aprender pelo caminho.

  • Teria alguma dica (pulo do gato) para alguém recém formado que queira seguir na mesma área que você, se dar bem?

    Minha dica para quem quer empreender é tenha bons sócios! A maior razão das empresas darem certo é ter a equipe de fundadores boa e complementar e a maior razão para elas darem errado também é essa. É preciso ter pelo menos uma pessoa que responda pela parte de tecnologia, sem ter que terceirizar isso, e ter uma pessoa que saiba vender, e essa habilidade pode vir de qualquer área de formação. Se você tiver essa equipe disposta a correr risco, valide se o seu negócio realmente resolve um problema de mercado mais rápido possível, isso vai te fazer poupar muito tempo Aproveite que você é novo para arriscar enquanto ainda há tempo pra começar de novo.

  • Você viu apoio do DAS (professores) aos alunos ao longo do curso nos momentos de buscar bolsas, estágios, informações sobre o mercado?

    Via sim, eu gostava muito do comprometimento dos professores. Professor Julio é espetacular, talvez o melhor que já tive, com uma orientação sempre espetacular. Professor Augustinho também, que vinha da Schlumberger e fazia a ponte com a empresa. No meu processo de seleção, eu já havia passado pelas entrevistas na UFSC e faltava uma etapa que eu tinha que ir para Macaé concluir. Demorou muito para me chamarem para essa etapa, conversei com o professor Agustinho e alguns dias depois a empresa já me deu um retorno marcando a minha viagem. Os professores, no geral, ajudavam bastante a graduação.

  • Muitos alunos dizem que o curso dá uma visão ampla, mas superficial de muitas áreas do conhecimento. Você concorda com isso? Acha isso positivo ou negativo?

    Eu concordo com a parte da visão ampla. Não posso dizer muito sobre a realidade na parte industrial, mas acredito que em geral as empresas hoje, ao buscar um funcionário, não estão esperando alguém que já saia da universidade sabendo fazer tudo, mas sim alguém que tenha recursos para aprender a resolver os problemas que aparecerem. Na automação a gente aprende isso e tem uma visão muito boa de várias áreas. Então quando se está em um ambiente desconhecido com um problema pra resolver, o profissional de automação já tem uma ideia por onde começar. Talvez ele ache alguém que possa implementar, mas vai saber por onde seguir. Eu gosto dessa visão mais ampla, te dá um leque maior. Se você descobre que gosta de algo específico logo no início, siga nisso. Assim, lá no fim, vai ter uma formação mais ampla do curso e conhecimento específico também.

  • Existe algo que se arrependa na época de graduando? Há algo que você mais se orgulha?

    Acho que não é bem um arrependimento, até porque trabalhar em uma empresa grande também me trouxe muita bagagem, mas quando eu estava em Florianópolis, muitas startups estavam nascendo e hoje são um grande sucesso. Se eu tivesse trabalhado lá de alguma forma, acho que teria uma bagagem muito legal para o que eu faço hoje. Naquela época não pude saber que mudaria de petroleiro para empresário, então faz parte da trajetória e autoconhecimento ao longo do caminho. O que deixei de legado foi muito o que fiz no linguição.. Chegamos a criar na época um comitê de festas universitárias, que provavelmente nem existe mais, mas na época ajudou muita gente. A ideia era reunir várias festas universitárias para ganhar poder de negociação com os fornecedores, como por exemplo, negociar com a Ambev a compra de cerveja. Com isso, quando íamos para uma reunião, não representávamos mais apenas uma festa, mas pelo menos umas 10 ao mesmo tempo, então ganhávamos em escala e economizamos muito. Eram reuniões periódicas, havia troca de ingressos e bastante interação.

  • Que recado/recomendações você passaria para um calouro que está entrando na universidade agora?

    Acho que a dica que eu dou é não perder essa cultura do curso, de se ajudar, de colaborativismo. Vai ter gente lá que vai saber bem uma parte de cálculo, outro de física, elétrica, e se eles conseguirem se manter juntos conseguem se ajudar e a turma como um todo vai ter muito sucesso, não só no curso, mas depois também.

Mensagem Final aos estudantes

Descubra o mais rápido possível o que você gosta e o que quer, e corra atrás disso já durante a faculdade, não desista! Se você tem um objetivo claro tudo fica mais fácil, até na hora de escolher as matérias, estágios, estudos extras, as escolhas se tornam mais naturais. Trace um objetivo desde o começo, mais claro e palpável, que isso vai te orientar durante todo o curso. O quanto antes você conseguir tomar essa decisão, mas perto de chegar no resultado você vai estar!