Entrevista

14/06/2017


Fala pessoal! Na entrevista dessa semana, trazemos o Renan “Apse” Capaverde e ele conta um pouco da sua experiência na universidade, suas experiências fora do Brasil e em ambientes de startup, onde trabalha desde se formou. Sua impressão sobre Nubank e ambientes de startup, além de dar dicas para quem quer seguir na carreira de software. Confira!

  • Por que escolheu automação?

    Eu fiz o terceirão no energia e durante uma semana vocacional que o colégio organiza, o Augusto Bruciapaglia fez uma ótima palestra sobre o curso. Eu acabei indo visitar a UFSC e até conheci outros cursos. Eu já gostava de exatas, mas o grande diferencial para escolher automação foi que era a engenharia mais difícil da época. Claro que não é o melhor motivo para entrar, e teve outros fatores, como a palestra do Augusto focando bastante no sucesso dos egressos, com PFCs fora do país e bom posicionamento no mercado após a graduação. O Linguição eu nem conhecia.

  • O que é automação para você?

    É mais do que um curso, é uma família. Fiz grandes amigos entre a minha e outras turmas. Tudo que a gente fazia era com muita união, diversão e garra.

  • Gosta ou gostava de estudar? Qual disciplina você mais gostava?

    Quando entrei na faculdade passei pelo que o Eric Raymond define como “the curse of the gifted”. Assim como a maioria dos alunos da automação, eu sempre fui muito bem no colégio sem estudar. Eu não sabia estudar e não tinha disciplina nenhuma, no ensino médio as matérias eram mais simples e repetiam muito. Logo na primeira fase, tive que aprender a estudar na marra, passei na recuperação de Cálculo A por pouco. Então vieram matérias cada vez mais complicadas onde fui tendo que estudar mais por necessidade de passar do que por gostar de estudar.

    Eu não uso a maior parte das coisas que aprendi na automação no dia-a-dia do meu trabalho, mas esse processo de aprendizagem, ficando concentrado por várias horas e com muita interação com os colegas na BU, tirando dúvidas, ensinando os outros e aprendendo junto, considero com muito mais valor do que os conteúdos em si.

  • Como era seu dia a dia no curso? Saía muito? Estudava muito?

    Eu tentava dar meu jeito para passar nas matérias e não ligava muito pra IAA. Acho que presença em sala de aula não significa necessariamente conhecimento. O conhecimento pode ser adquirido por outras formas. Na faculdade, os incentivos fazem com que seu objetivo seja ter conhecimento suficiente para realizar provas e passar nas matérias. Pra resumir, eu não gostava muito de estudar, estudava para passar nas provas e tentava fazer festa o resto do tempo.

  • Quais foram suas experiências extra-acadêmicas?

    Eu participei da primeira revolta do RU, acabei até saindo no jornal da UFSC, foi um rolo. Fiz parte da Autojun, do CAECA e junto com o Ricardo Hoffmann fiz o primeiro Linguição na Europa. Na Autojun entrei um pouco tarde, na 3ª fase, mas me ajudou muito a entender como funciona uma empresa no nível mais estratégico. Foram experiências muito importantes que dificilmente eu teria tão novo na faculdade.

  • Você acha que a galera da engenharia é menos politizada?

    Acredito que isso vem mudando, mas não sei se vem mudando pelos motivos certos. As pessoas estão se politizando com o viés do fanatismo, de ser contra alguma coisa e propagar isso sem refletir sobre o assunto. Acho que as pessoas deveriam ter menos ídolos. Discutir mais ideias e menos pessoas.

  • O clima de uma Empresa Júnior se assemelha a uma empresa ou startup?

    Mais ou menos, na Autojun você acaba sendo escravo dos processos como forma de aprendizado. Já na startup, bem no começo ou no meio periodo da vida dela, você não fica tão preocupado com os processos, eles tem que ser flexíveis para ajudar a empresa no seu objetivo maior, a motivação é a empresa dar certo, ter lucro, conquistar o mundo, etc. Na Autojun, a motivação é bem diferente do que em uma startup, as pessoas sabem que estão lá apenas como parte de um ciclo e a única parte duradoura é o aprendizado. E esse é o ponto forte das empresas juniores, formar e capacitar alunos com o aprendizado de processos e ferramentas táticas e estratégias. Nisso, ela vai muito bem.

  • “Quem quer ser engenheiro de controle e automação precisa gostar muito de física, matemática e programação”. O que você pensa sobre isso? Na sua opinião é verdade?

    Acho que sim, se você não gostar vai ficar um pouco (mais) triste na graduação (risos). Brincadeiras a parte, acredito que é natural a pessoa gostar da parte de exatas quando está fazendo engenharia. Se a pessoa está fazendo engenharia por outro motivo e está vendo exatas como o caminho, dificilmente ela vai ter sucesso, mas claro, sempre existem exceções.

  • Quais matérias achou mais complicado na faculdade? Possui alguma história engraçada com algum professor?

    Na época da oitava fase, fundamos a República da Nuvem (Apse, Fred, Cabeça e Lucas Caveira), faltei as 3 primeiras semanas de todas as aulas, mas estava sempre no container (risos). Na segunda aula que fui de Não Lineares, o mestrando que dava a aula nem chamou meu nome. Depois fiquei sabendo pelo Pagano que meu nome havia sido riscado pois já havia repetido por falta. Acabei desistindo da matéria, mesmo tendo faltado menos do que o necessário para reprovar de fato (25% de faltas equivalem a 4 semanas de falta).

    Realimentados foi a matéria mais complicada, eu reprovei uma vez e na segunda recuperação mandei muito bem, acho que tirei 9. Encontrei o Professor Júlio no estacionamento e ele disse: "Finalmente fizesse uma prova decente!".

  • Você viu apoio do DAS (professores) aos alunos ao longo do curso nos momentos de buscar bolsas, estágios, informações sobre o mercado?

    Acredito que em geral, todos os professores apoiam, mas alguns apoiam de forma mais reativa e você tem que ir buscar o apoio deles.

    Lembro que os que apoiavam mais ativamente eram o Bruciapaglia, Jean Marie, Rabelo, Stemmer, Júlio... espero não ter sido injusto e esquecido de alguém. Eles apoiaram bastante fazendo a ponte entre bolsas e empresas com os alunos. Na questão pedagógica, o Júlio era fantástico, te ensinava até coisas que você nem sabia que não sabia, sempre com muita dedicação e conhecimento.

  • Você chegou a participar da organização do Linguição da Automação? Como foi essa experiência pra você?

    Quando voltei da Alemanha eu tinha que fazer nove matérias para me formar. Acabei optando por fazê-las no mesmo semestre e não organizei o Linguição ativamente. Eu sempre ajudei no Linguição trabalhando, vendendo ingresso e indo nos linguicinhas desde a primeira fase, mas acabei não organizando em Floripa. Acabei organizando completamente apenas o Primeiro Linguição na Zoropa!

  • Qual foi a motivação de organizar o Linguição na Europa?

    Foi a vontade de ir no Linguição, não podia ficar um semestre sem ir. Resolvemos fazer a festa lá em Aachen. Foi sinistro, deu umas 100 pessoas, veio gente de vários lugares, Budapeste, Inglaterra, França, Croácia, os alemães ficaram malucos. Fomos proibidos de alugar o local de novo, sem palavras.

  • Muitos alunos dizem que o curso dá uma visão ampla, mas superficial de muitas áreas do conhecimento. Você concorda com isso? Acha isso positivo ou negativo?

    Acho que o curso aprofunda conteúdos em várias áreas, mas são conteúdos que nem sempre usamos depois de formados. O curso realmente dá uma visão ampla de vários assuntos como mecânica, informática, manufatura, administração, integração de sistemas, robótica. Tentar se aprofundar em todas estas áreas é complicado, nem os professores do curso são especialistas em todas as matérias, o objetivo não é esse. A grande vantagem é que a forma de estudar, a forma de pensar e raciocinar permanece, isso é o maior resultado que a automação proporciona.

  • Existe algo que se arrependa na época de graduando? Há algo que você mais se orgulha?

    Não me arrependo muito não, uma coisa que eu queria ter feito era um estágio na área de controle, com o Julio ou com o Pagano, para ver se eu queria mesmo seguir na informática ou na parte de controle. Como não fiz, acabei seguindo na parte da computação. Me orgulho muito do meu TCC, aprendi muito fazendo ele. Foi super específico, basicamente remontar a topografia de uma esfera de medição de uma máquina de medição de coordenadas para diminuir a diferença entre o erro do raio nominal e do raio real da esfera. Super específico, porém muito bacana.

  • Como é trabalhar em uma startup?

    Trabalhar no Nubank é muito bom, melhor do que eu imaginava. A empresa sabe o que está fazendo. O que eu mais gosto é a autonomia para trabalhar e de tentarmos sempre fazer as coisas certas para resolver os problemas de forma definitiva. As lideranças aqui inspiram muito as pessoas e são ótimos role models.

  • Por que você escolheu trabalhar nela ao invés de uma empresa tradicional?

    Sempre gostei muito de trabalhar nesse clima de startup, como na Chaordic, só que eu estava buscando algo fora de Florianópolis, então quando vi a vaga do Nubank, pensei: "essa vaga é para mim, tem bastante a ver com o que eu sei fazer e com o que eu quero".

    Eu havia me identificado muito com a proposta da empresa, isso na época em que o Nubank estava longe de ser quase um “unicórnio”, era um negócio bem menor. Quando entrei havia uns 25-30 engenheiros, uma escala bem menor do que é hoje.

    O que eu vim buscar no Nubank é a oportunidade de ter um grande impacto na empresa. Ou seja, poder tomar decisões e influenciar diretamente em seu futuro. Queria ajudar a construir uma empresa na qual eu acredito muito no potencial de crescimento.

  • Mesa de bilhar no escritório aumenta a produtividade?

    Aqui tem quadra de futebol, quadra de basquete, espaço com redes, tem mesa de sinuca, tênis de mesa, videogames... tem muitas coisas que ajudam a aliviar a tensão, para fazer aquele “break” no meio da tarde. Ajuda sim, no momento em que se está com a cabeça cansada é ótimo ter uma distração, uma pausa, um lugar para conversar, sem ter aquela fixação de trabalho intenso, basicamente queremos evitar o burnout. Estamos tentando ser produtivos em todo o tempo que estamos trabalhando, então estas pausas ajudam a manter a concentração enquanto estamos focados, pois sabemos que temos momentos para relaxar.

    O clima de startup para mim está muito mais relacionado à autonomia, ao crescimento da empresa, ao ambiente informal (sem ter que ir trabalhar de terno, por exemplo), do que com esses perks adicionais. Gosto mais da cultura e das pessoas do que da mesa de sinuca. Esses são os grandes diferenciais para mim.

  • Uma das escolhas de trabalhar numa startup é acelerar o crescimento de carreira?

    Eu acho que sim, o fato de estar trabalhando numa startup que não tenho hora para entrar nem para sair, tenho autonomia para definir o que farei praticamente todos os dias, toda semana, pensando como irei fazer para atingir os objetivos... tudo isso de fato me ajudou a decidir a me mudar para SP. Responsabilidade e impacto estão muito relacionados. Em geral, empresas mais novas têm maiores chances de crescimento e também de darem errado.

    Teve um momento em que pensei: "estou recém formado, meu objetivo é de crescimento na carreira, eu quero trabalhar, crescer e aprender muito, me relacionar com pessoas boas, encontrar problemas bons de resolver". Isso encontrei no Nubank, mas cheguei aqui graças ao que aprendi na automação e na Chaordic, seja na forma de trabalhar, nas tecnologias modernas ou na experiência com ambiente de startup. Estamos sempre trilhando caminhos, é preciso do meio para chegar ao fim.

  • Você acha que se deve ficar 10-15 anos numa empresa ou rotacionar mais, sempre buscando crescer?

    Depende do que você procura, se você deseja estar sempre num ritmo frenético de startup, vai ter que trocar, pois é difícil uma empresa manter este estilo/nível de crescimento por muito tempo.

    No fim, depende muito de cada um, se a pessoa quer se preocupar mais com qualidade de vida ou outra coisa. É díficil dizer o que é bom pros outros ou para mim no futuro.

  • O que você acha do mercado hoje em dia?

    O mercado hoje pode ser visto sob duas perspectivas: 1) o mercado está ruim para o recém formado que muitas vezes não encontra uma oportunidade que o agrade; 2) pra quem está contratando, o mercado está ruim porque não tem candidatos bons o suficiente.

    É uma questão de alinhamento de expectativas com o que se tem disponível. Pensando pelo ponto de vista de quem está se formando, eu não posso esperar que a empresa que pode me escolher, pegue meu currículo e diga: "Engenharia de Controle e Automação, UFSC, nossa, esse cara é o melhor...". A empresa não tem como saber isso, a não ser que o recrutador já conheça a referência da faculdade, mas o cara não pode se valer só do nome da faculdade que ele cursou.

    Por isso, o recém formado tem que saber escrever uma cover letter, saber destacar as coisas que ele fez na faculdade, fazer coisas além da graduação. Se eu for contratar um de vocês, eu não tenho o menor interesse em saber se você fez controle com o Júlio ou não. O que me importa é saber o que você sabe sobre programação, o que você conhece de tecnologia, quais suas experiências nesta área.

    No Nubank, primeiro analisamos o currículo e depois fazemos uma prova técnica (que é pra provar mesmo teus conhecimentos). Então você tem que saber montar bem seu currículo e se vender bem. Nenhum recrutador tem como saber aqueles cursos extras que você fez ou qualquer coisa que remeta que você tenha aquele conhecimento ou habilidade se você não escrever isso.

  • Em algum momento o piso salarial influenciou em suas escolhas?

    Eu acho que um engenheiro de software está bem valorizado no mercado, mas a questão do salário começa a ficar importante quando você acaba pensando em querer construir uma família, guardar para a aposentadoria... mas existem momentos para se pensar nisso.

    Não necessariamente você deve sair da faculdade e pensar em entrar numa empresa por causa do salário oferecido ou do plano de carreira dentro da empresa, pense na sua carreira e nas perspectivas de crescimento a partir de cada escolha. Hoje, tudo é muito dinâmico, pode ser que o salário e o plano mudem logo após você entrar. As chances de você conseguir algo com um ótimo salário, duradouro e estável em um mercado instável agravado pela crise apenas com o conhecimento de recém formado é bastante pequena. Foque no seu crescimento profissional e nas suas perspectivas de crescimento no mercado, não na empresa.

  • Por isso você acha que o curso deveria abordar mais os temas como Economia, Administração e Empreendedorismo?
    Eu acho que existem maneiras de aprendermos fora do curso, quem está interessado pode ir atrás facilmente. O curso acaba abordando parte destes temas nas fases finais, mas penso que assuntos como unit economics e business development poderiam ser tratados em todos os cursos de engenharia. Esse é um dos motivos pelos quais muita gente acaba fazendo MBA. Podem existir momentos na carreira em que será necessário ter um MBA ou algo do gênero para subir de cargo ou avançar profissionalmente, mas existem momentos para aprender isso, não precisamos colocar tudo o que queremos aprender na vida dentro das ementas da graduação.
  • Como você se vê daqui à alguns anos? Pretende continuar nesta área? Fazer o que da vida?

    Não sei, ainda está em aberto. Num futuro a curto/médio prazo eu pretendo continuar como engenheiro de software, não acho que minha pegada seja subir para um cargo totalmente gerencial, eu gosto do que estou fazendo aqui como Líder Técnico (tenho algumas responsabilidades gerenciais, ajudando a tomar decisões de projeto, guiando discussões, estruturando feedbacks, mas ainda tenho que programar, tenho contato com a parte técnica).

    Porém, num futuro mais longínquo, ainda é muito incerto, não sei o que farei.

  • O que um recém formado que quer seguir na mesma área que você precisa saber? É melhor ser especialista em uma linguagem ou entender o geral de programação e poder transitar nas diferentes linguagens?

    Depende. Em empresas mais tradicionais a linguagem é bem importante. Se você quer aplicar para uma empresa que tem a sua stack toda em Java e você não sabe Java, você já está atrás de zilhões de pessoas que já programam em Java. Agora, se você está querendo aplicar para uma empresa como o Nubank, cuja stack é quase toda em clojure, que é um lisp funcional que roda na JVM, a gente espera que você saiba lógica de programação, testes unitários e programação funcional. Se souber isso, você já está com 70% do caminho completo. Clojure a gente ensina aqui :)

  • Você notou alguma lacuna muito grande na formação do ECA? Qual a melhor maneira de completar essa falha?

    Uma lacuna muito grande não, acho que mudaria parte do conteúdo das matérias de informática. Computação é abordada em praticamente todas as fases, mas acredito que ela pode ser melhor estruturada, dando uma visão mais moderna de onde se deseja chegar com esse conhecimento.

    Por outro lado, hoje em dia tem gente que sofre para passar nessas matérias, fica traumatizado e que não quer programar nunca mais. É complicado mudar essa relação, sendo que nem todo mundo quer seguir este caminho. Uma coisa bem legal que o curso de Computação da POLI aqui de São Paulo faz é um programa bem voltado ao estágio, onde se tem 4 meses de aula e 4 meses de estágio. Algo deste tipo poderia ser muito interessante para o curso de Engenharia de Controle e Automação para incentivar ainda mais os estágios, pois muita gente acaba aprendendo bastante neles.

  • O que você complementaria no currículo do curso para seguir a área mais de software?

    Pra seguir uma área mais ligada ao software eu colocaria algo sobre programação funcional, cloud, frameworks de big data, data pipeline, testes unitários, testes de integração e menos UML por exemplo. As coisas estão mudando muito rápido, então esse modo de desenvolver mais ágil também é interessante, alguma coisa de SCRUM ou Kanban voltados para software, CI/CD, etc.

  • Com a recente reforma curricular, muitas disciplinas das últimas fases se tornaram optativas. O que acha dessa mudança?

    Eu acho uma ideia muito boa o aluno se especializar na área que ele possui mais vontade de trabalhar. É fato que quando o pessoal da automação se forma, vamos trabalhar em diversas áreas diferentes. Essa mudança pode ser muito boa pra facilitar que os alunos consigam tomar a decisão e escolher uma carreira durante o curso. Mas depende de como isso vai ser implementado.

  • Você acha que a prática de hackathons podem auxiliar o pessoal mais ligado a software se motivar?

    Aqui dentro da Nubank nós já fizemos 2 hackathons em que paramos quase todo o pessoal para juntar ideias novas, ou achar um problema interno que ninguém nunca teve tempo para resolver. Fizemos isso com o intuito de não ficar postergando cada vez mais a resolução de problemas comuns que nunca eram priorizados e para inovarmos em features também.

    Também fizemos um hackathon na USP que incentivou bastante as pessoas a conhecerem o Nubank. Muita gente aplicou, acho até que um pessoal acabou entrando no Nubank a partir do hackathon. Para o curso acho muito legal fazer hackathons, seria muito bom incentivar as pessoas a buscar um pouco mais sobre programação e entender o que está acontecendo no mercado. Nós temos o objetivo de melhorar a formação de novos programadores no Brasil, visto que temos uma pipeline de contratação que muitas vezes parece meio "seca", sendo realmente difícil de encontrar bons candidatos, pelo nível de exigência que pedimos.

  • Dos conhecimentos que você usa hoje, qual é a porcentagem do que vem da faculdade, do mercado e da dedicação pessoal?

    Onde atuo hoje, conhecimento técnico deve vir 10% da faculdade. Mas de mindset para resolução de problemas, verificar como as coisas se relacionam e pensamento sistêmico, é quase que 100% vindo da automação. É algo super difícil de aprender e é super valorizado. Automação ensina muita coisa que é difícil aprender de outras formas. Conhecimento técnico você pode aprender no trabalho, ler livros, etc. Mas esse modo de pensar que a automação ensina é muito difícil de aprender em outros lugares ou de outras formas.

  • Que recado/recomendações você passaria para aqueles alunos que estão se aproximando da formatura?

    Cara, se você não tem motivo pra se preocupar com grana agora, não se preocupe com grana agora. Se preocupe com o lugar que você está e tente aprender o máximo do que puder nesse lugar. Tem oportunidades de ouro em Floripa! Tem muita empresa boa trabalhando com tecnologias muito legais, principalmente na área de software. Depois que você tem contato com essas tecnologias você começa a ser um profissional muito mais valorizado do que só um recém formado. Vá atrás de conhecimento. Na automação, você não aprendeu quase nada técnico do que as empresas de software estão procurando. Tenham um primeiro emprego num lugar onde te deem autonomia e oportunidade para aprender bastante e se cerquem de pessoas boas.

Mensagem Final aos estudantes

Não sei o tipo de perfil de alunos que estão entrando no curso agora, mas se for o mesmo da minha época, são pessoas inteligentes, que por serem muito jovens não sabem o que querem da vida ainda, vão aprender um monte de coisa no curso, vão ter vários momentos alegres, vários momentos difíceis e vão ter que estudar bastante. Aproveitem o momento da faculdade para se conhecer melhor, tentar ter as experiências mais diversas. O curso é muito bom, as matérias são muito boas, mas elas por si só não são suficientes, você tem que aplicar em um estágio.

Eu acredito que estar no mercado é a melhor maneira de você saber o que é valorizado, o que que tu precisas aprender, como se trabalha. A vida real é diferente da vida da faculdade. Tente ter os mais variados tipos de experiência: Autojun, CAECA, organizar festas, conhecer pessoas de outros cursos, estagiar. Hoje em dia, tem muitas empresas legais em Floripa. Tentem ter uma experiência internacional, outras culturas.

Corram atrás. Não esperem o mundo pegar você na mão e dizer: "Nossa, que legal, você é um calouro da automação, você é recém formado na automação, deixa eu te dar aqui muito dinheiro pra você aprender a fazer alguma coisa". Não é assim. Você tem que correr atrás, mostrar seu valor. Tem um livro bem curtinho que eu acho que vale muito a pena todo mundo da automação ler: The unwritten laws of engineering". É genial. Um bom atalho para quem está saindo da faculdade e tentando entender um pouco da vida real em uma empresa de engenharia.