Entrevista

07/06/2017


O terceiro entrevistado do Alumni é o Rafael, CTO e fundador da GreyLogix, uma empresa com foco em automação industrial. Rafael fala em sua entrevista como foi sua formação durante a graduação para que o lado técnico e gerencial fosse melhorado todo momento. Oferecendo dicas para quem quer trabalhar e empreender nessa área.

  • Você é um dos fundadores da GreyLogix Brasil, como começou essa história?

    A GreyLogix começou de uma viagem inusitada do meu sócio e ex-aluno da automação, o Renato. Uma empresa da Alemanha, chamada de GreyLogix, que na época possuía uns 60 colaboradores, estava abrindo vagas e ele se interessou pela empresa e se inscreveu. Foi para lá, trabalhou um semestre, se interessou pelo modelo não muito hierárquico da empresa e começou algumas conversas com os diretores e engenheiros para copiar o modelo de gestão e trabalho deles no Brasil.

    Logo depois o Renato montou um plano de negócios, apresentou para a GreyLogix Alemanha e pediu apenas um suporte de conhecimento, ou seja, ele queria colocar um time em treinamento na empresa da Alemanha, para que no futuro, essa equipe treinada lá, fosse a equipe dele no Brasil. Eu fui um dos felizardos a participar da primeira leva da equipe que ia para Alemanha treinar e consequentemente fui o primeiro sócio. Eu fui para lá com o objetivo exclusivo de aprender e ter conhecimentos técnicos e gerenciais na área de atuação da GreyLogix, sendo o Renato o administrador e comercial da nossa futura empresa.

    Assim, nós quebramos a doutrina que existia de se ter um bom emprego, abraçamos a causa de ser um empresário e tivemos que aprender a gerenciar pessoas, além de ter apenas o conhecimento técnico.

    De lá pra cá, a empresa conseguiu vários grandes projetos, e 3 anos depois já éramos uma referência no Sul do país para um sistema específico de automação da Siemens, a qual a GreyLogix na Alemanha era a pioneira no mundo. Com isso, conseguimos muitos projetos e entramos fortes no mercado, nos aproximando com uma outra empresa. Houve uma fusão com ela e de lá pra cá, mantivemos um crescimento de 15% ao ano.

    Hoje, possuímos 7 escritórios, 1 área de montagem de painéis elétricos e 1 agência de viagem.

  • Quando surgiu a vontade de fazer Automação?

    Eu sempre adorei matemática, física e essas coisas, participava de olimpíadas na escola, eu via diversão em resolver problemas de matemática. Nunca fui o estilo 100% nerd, tenho uma veia de exatas, mas nunca fui nerd.

    As minhas referências mais próximas eram de exatas, e dentro delas, a maioria tinha feito escola técnica. Então fui para o CEFET (eletrotécnica) e ali eu já sabia o que eu queria. Tive o primeiro contato com eletricidade, CLP e programação (delphi). A automação na época tinha o desafio de ser o curso mais concorrido, disputando com Medicina, e isso instigava quem gostava de desafios. Mas não foi isso o principal que me motivou. Eu sempre tive um sonho de automatizar casas, estilo família Jacksons, óbvio que eu descobri que na faculdade a gente tem um choque de realidade, que não é bem isso. Mas, eu já tinha tido o contato com essa vida e já havia gostado, então pra mim não foi uma descoberta, foi uma consolidação daquilo que eu sabia o que queria. A escolha pela UFSC foi pela praticidade, pois minha família é toda daqui mesmo.

  • Com o perfil mais generalista do curso, você procurou se especializar?

    Fiz MBA em gestão de projetos na FGV (Fundação Getúlio Vargas) com uma necessidade de amplificar e consolidar os conhecimentos empíricos que a gente absorve durante o tempo de empresa. Meu foco nunca foi a gestão da empresa ou o financeiro por exemplo, isso os meus sócios cuidam disso. O meu é o técnico e gestão do projeto.

    Eu demorei um pouco pra entender que independente da área que você trabalhe, a gestão que importa realmente é de pessoas. Relacionamento é o que move qualquer empresa ou negócio, você precisa ter pessoas junto com você, nunca vai ser uma ilha e fazer as coisas sozinho. Tem que saber o equilíbrio para manter as pessoas mais próximas de você, conseguindo extrair os melhores resultados. O time é sempre maior que a soma das partes.

  • Como era a dinâmica de estudos naquela época? Você gostava? Costumava estudar em grupos?

    Cara, sempre gostei e lembro que fiz o último semestre da escola técnica junto com o primeiro semestre da faculdade, que era integral. Mas isso nunca foi uma carga pra mim. Sempre tive uma válvula de escape que eram viagens, sair com os amigos, jogar rugby e praticar esportes.

    Pra estudar junto com o pessoal eu dependia muito de ônibus e caronas. Eu morava no Campeche, mais longe do que o habitual para um aluno da UFSC. Então, eu só estudava em grupo quando necessário, como nas matérias de Circuitos, Sinais, Realimentados, Não-Lineares. Nunca fui aquele aluno que virava noite estudando para fazer prova no outro dia. Sempre ia até as 23h, meia noite, dormia e ia descansado para a prova. Apenas uma vez eu fui “virado” para uma prova, mas não fui muito bem, o cansaço foi mais forte e acabou atrapalhando.

  • Que experiências te marcaram além da graduação?

    Nunca participei de atividades extra acadêmicas, apenas fiz bolsa (3 semestres com um professor da mecânica, que me lecionou Mecânica dos Fluidos). Este professor tinha interesse por uma área que eu já gostava e já tinha estudado, que era Biogás, e que por sinal, foi o assunto do meu PFC na Alemanha.

  • Participar de um projeto de Iniciação Científica ajudou a se posicionar no mercado posteriormente?

    No mercado específico, não, pois a bolsa era muito focada no ambiente acadêmico, no estudo que o professor conduzia. Como responsabilidade, como tratativa com diversas pessoas, como forma de comportamento, 100%.

    Eu só saí dessa bolsa por que eu fui trabalhar como estagiário na Eletrosul, no departamento de operações. Eu trabalhava com o time que fazia a manutenção de todo sistema supervisório do setor elétrico e de transmissão da Eletrosul, ali eu já sabia onde é que eu ia seguir.

  • Ter as melhores notas da turma é importante?

    Você vai pro meio acadêmico ou profissional? Se for pro meio acadêmico, importa muito. Se você quiser ser professor, pegar mestrado ou doutorado, isso vai importar muito. Depende do que você quer fazer, essa é a pergunta que você tem que se auto analisar antes.

    Se você for pro mercado, o IAA não importa absolutamente nada, vai dizer se você é bom para estudar, alcançar objetivos, mas efetivamente, importa mais o seu relacionamento e a sua capacidade de resolver problemas em meio a adversidades. E, ser uma boa pessoa. Uma frase que é dita várias vezes: Você contratar o melhor técnico pode não ser a melhor contratação. Você tem que tentar contratar, filtrar, as melhores pessoas, com filosofias que casem com a sua empresa, por que o melhor técnico vai te dar o resultado imediato, mas ele pode não ser o melhor resultado de maneira permanente. Pode não conseguir crescer, dar aquele resultado sempre.

    O cara que tem bom relacionamento, que é aquele aluno mediano, não é o IAA 9,5 10, nem o 5,5 - 6. Eu sempre fui o mediano com bom relacionamento. Negócio, crescimento profissional, eu vejo que se tem muito mais a ver com relacionamento do que com conhecimento técnico. Conhecimento técnico a empresa pode te ensinar, relacionamento não.

  • Você teve muita dificuldade com as cadeiras de programação, Inteligência Artificial, Sistemas Distribuidos, por exemplo?

    Eu sempre fui um cara muito prático, e com programação você leva, às vezes, meses pra chegar em um resultado, e a última meia hora do programador equivale a uma semana. Não sou um programador nato, mas as coisas que passei a ver valor foi entender a programação, independente de linguagem. Uma coisa que me passou a me atrair muito na vida profissional, que pra mim foi muito mal explorado na faculdade, foi a área de Banco de Dados. Hoje, é o que o mercado mais está pedindo, data mining, big data. O mercado hoje está focado em dados. Programação é importante, mas não define.

    Dentro da automação eu vejo 2 grandes áreas. Automação é programação. Controle é matemática. Eu trabalho no meio do caminho, não sou de programação pura (desenvolver sistemas) e nem da matemática. Eu aplico os conhecimentos de um lado e de outro no que a gente trabalha, que é uma verticalização da automação baseada em PLC, que é o que a indústria utiliza. Grafcet, Ladder, estruturas e arquiteturas de CLP são importantes. Tudo isso está embarcado dentro, você não vai modelar o sistema, vai ter algoritmos empíricos para achar o melhor ajuste de um PID ou de um sistema multivariável. Em alguns setores da indústria o que importa é a automação e não o controle.

  • Como eram as oportunidades de estudar/trabalhar fora, naquela época? Havia um incentivo da academia?

    Na minha época, quem quisesse fazer estágio ou TCC fora do país tinha as portas abertas, era fácil falar com o professor Stemmer, Jean Marie. Sempre tinha algum professor que tinha contatos e conseguia mandar os alunos. O que também não é nenhum absurdo, tínhamos 10, 15 professores e 20 alunos. Se cada um deles conseguisse uma vaga por semestre, já resolvia o problema.

    Particularmente, meu caminho foi paralelo, acabei consegui por outros meios, mas esse tipo de apoio eu acho fantástico. Eu sinto que há uma distância do meio acadêmico com o meio profissional. Existem os contatos, mas a academia olha muito para si mesma, para o conhecimento por conhecimento, sem objetivar resultados aplicáveis fora dela.

  • Na sua percepção, qual é o foco do curso de Automação na UFSC?

    O curso em si tenta preparar o aluno, baseado na ementa, para o mercado. Porém, o que a gente vê dentro do curso, na minha época pelo menos, era muito assunto teórico, uma base para você saber o que e onde pesquisar, onde se aprofundar. Por exemplo, eu tive meio semestre de aula abordando PLC, meio semestre de Redes Industriais, um semestre de Banco de Dados, sendo que hoje eu vejo que pro meu setor de negócio, estes conhecimentos são tudo. Pra quem trabalha em outra área, já seriam outros assuntos abordados, mas a gente vê. Saímos com uma base ampla e forte, porém não creio que o recém formado está pronto para o mercado, isso na minha área.

    Concordo que a visão ampla é muito boa, mas acho que deveria ter um programa que aproxime ou facilite que a grade curricular permita a realização de estágios, permita a conexão entre graduação e mercado de trabalho. Por exemplo, quem está cursando Sistemas Realimentados, quem está vendo Sistemas Operacionais, Fenômenos de Transporte, que consigam também pegar uma empresa na região e estagiar, absorva experiências práticas a todo momento. Isto traz vivência daquilo que é teoria.

    Nunca vou esquecer, me arrependi de não ter me dedicado mais a Cálculo C, pois quando estava na 5a ou 6a fase eu fui ver Robótica e ficava perdido. Esta desconexão, o por quê eu estou vendo Cálculo Vetorial se eu não sei nem onde vou aplicar, e se vou aplicar alguma vez na vida. Não entendia a conexão até que eu precisasse. Porém, enquanto você estagia, você acaba conversando com pessoas que vão te falar, ensinar, o porque que você precisa deste assunto na prática, na vida real, mostrando os caso práticos.

  • No começo da carreira você deve ter implementado vários projetos, mas hoje em dia você fica mais no gerencial, ainda continua com a mão na massa? Os primeiros projetos dão um frio na barriga?

    No primeiro projeto grande que pegamos, eu fiquei durante dois meses sozinho para gerenciá-lo, era uma fábrica inteira de esmagamento de soja. Imagine sendo um moleque de 24 anos e de repente cai uma fábrica no colo para você se virar. "Tem que fazer tudo que está aqui funcionar, e do jeito que eu quero", eram as palavras do cliente.

    Com certeza, eu não senti um frio na barriga, senti um iceberg. Mas depois do primeiro e segundo projeto, você acaba pensando como um alpinista, sempre quer ir mais alto. Nós começamos e achamos que aquele projeto era enorme, hoje o consideramos médio/pequeno. Obviamente vejo de outro modo, pois não estou mais sozinho, tenho uma equipe de 60-65 pessoas junto comigo.

    Sempre trabalho com a filosofia que somos um time. Independente da minha posição, a gente trabalha em conjunto, tenho o ônus e o bônus da decisão, e o ônus e o bônus de participar de um time. Agora eu preciso quebrar as barreiras para que todos possam trabalhar com tranquilidade, mas da mesma forma como eu no início, todos que vem trabalhar conosco sentem esse frio na barriga, porque o desafio do desconhecido traz essa sensação. As vezes eu ainda sinto, quando vamos pegar um projeto de alguma área ou de um setor de negócio que é totalmente diferente do que já fizemos, eu ainda sinto esse frio da barriga pela incerteza de não ter trabalhado com isto antes.

  • Teve algum momento em que você acordou e disse 'Agora sou profissional'?

    Profissional é um estado de espírito, é você saber ou pensar antes de agir. Profissional não é técnico, é o cara que tenta fazer o melhor pela empresa, pelo seu emprego, para ter a resposta mais adequada para aquele problema. Hoje sou um profissional de gestão de projetos, absorvi esse conhecimento, se eu não aplicar, eu não sou profissional de nada. Eu posso saber fazer um bom cronograma, sequenciar as atividades, mas se no dia a dia eu não executar, serei um bom profissional? Não necessariamente. O lado profissional é mais uma aplicação correta daquilo que você acredita mediante a seu estado de espírito.

  • Como você encarou esse começo da carreira? Acha que o piso salarial da engenharia faz sentido?

    Eu saí da faculdade como um sócio da empresa. Não tinha perspectiva salarial, eu tinha a perspectiva de investimento.

    Se eu enxergo que hoje o piso salarial ele é válido? Com toda a certeza não. Você sai cru da faculdade, superficial. Não sai pronto para o mercado. Você receber um piso que é muito acima do que, efetivamente, o mercado paga por aquilo que você vai fazer. É simples de você fazer a conta, você multiplica por 1,7-1,8 (isso é o custo da empresa). De 8 mil reais isso chega perto de 15 mil reais. Para você receber 15 mil reais de algum cliente. Você precisa vender por pelo menos 100 reais a hora.

    Você acha que alguém vai pagar 100 reais para alguém que saiu da academia agora e não consegue entregar? Não consegue. Se eu pegar hoje qualquer um que está se formando, trouxer pra cá e dar um problema do que eu faço hoje, que qualquer um dos colegas fazem, a pessoa não vai sair do lugar. Por isso eu digo que sai cru.

    Esse valor de piso de engenheiro não é para quem está entrando no mercado é para quem já está estabelecido no mercado. O problema é que não existe essa diferenciação. O que acontece no mercado é o engenheiro ser contratado como técnico, programador. Não recebe o piso e fica frustrado, infelizmente.

  • Quando e porquê você decidiu que área seguir depois de formado?

    Eu já sabia o que gostava, já tinha tido contato com isso. Eu fiz estágios no curso técnico onde fazia manutenção de transformadores de média tensão e instalação elétrica de casas e prédios. Quando fui para a faculdade, peguei bolsa e fui trabalhar na Eletrosul também nessa área. Gostava dessa área e, claro, quando eu abracei a causa da empresa, a minha profissão/área de atuação foi pautada por aquilo que a empresa definiu como caminho.

  • A realidade de trabalhar com projetos e entregas constantes te inspira ou é apenas uma decorrência do seu trabalho?

    Eu nunca me adaptei a rotina. Não faz parte da minha personalidade. Gosto do fato de trabalhar com projetos e de frequentemente eu pegar uma indústria diferente, um processo diferente, uma tecnologia diferente. Surgem muitas tecnologias diferentes que você, realmente, precisa começar do zero. Você conhece a filosofia, mas tem que aprender aquela ferramenta. Isso sempre me atraiu.

    E eu só trabalho sobre pressão. Se eu tenho tempo, isso é fato, pode contar que eu não vou fazer. O nível de pressão adequado é um dos melhores motivadores que você tem, o café é outro (risos) e, obviamente a sua necessidade.

    Uma coisa que a gente não aprende é sobre gestão de tempo. A gestão de tempo é um mal recorrente a todos os profissionais. É coisa demais, eu recebo cerca de 50-100 e-mails por dia, se eu não gerenciar isso da maneira certa, eu simplesmente não faço mais nada a não ser ler e responder, de maneira curta, não objetiva, os e-mails. Está voltando uma "vibe" do "mono thread" de você ser mais produtivo fazendo uma coisa por vez, ao invés de você querer abraçar o mundo e não ser produtivo em nada.

  • Quando você está no mercado, essa segmentação, especialização em nichos menores, ter uma equipe mais específica é melhor do que ter um cara que saiba e faça tudo de todas as áreas?

    Lidamos com papel, alimentícia, metal mecânica, química, tratamento de água e efluentes, celulose… o mercado exige a especialização pelo desempenho. Se tenho uma empresa focada numa área, por exemplo, estação de tratamento de água, tenho um nicho de mercado específico, onde um engenheiro que sai com essa informação e tem um conhecimento específico é mais rapidamente treinado. Se você quer atacar multimercado, quanto mais generalista, melhor. A gente procura ter dentro da GreyLogix uma especialidade por pessoa, mas ele tem que ser o mais generalista possível. É difícil se convencer um cliente mandando 3 engenheiros, sendo que o concorrente manda 1. O generalismo é bem visto quando seu mercado pede isso.

    Engenharia elétrica, mecânica, civil, automação, são genéricas, que abrem um leque muito amplo de possibilidades, assim como direito. São profissões que naturalmente são mais genéricas, e você pode se especializar, para isso temos MBA, mestrado, doutorado, ou sua própria linha de estudos, que vai te levar para um caminho específico, ou seja, você define seu caminho. Se você está num curso muito direcionado, é o curso que define seu caminho, e no caso eu prefiro ser generalista, com uma gama de caminhos para escolher.

  • Como você se vê daqui à alguns anos? Pretende continuar nesta área? Fazer o que da vida?

    Aposentado né cara (risos). Meu objetivo é me aposentar aos 40. Sempre falo isso e tento sempre a explicar. Aposentadoria de acordar tarde e ficar de pijama e pantufa o dia inteiro nunca foi um objetivo. A aposentadoria para mim, como vejo que meu pai almejou e alcançou hoje, é fazer aquilo que ele quer, quando ele quer, não dependendo do que ele faz/trabalha para poder sobreviver.

    Vou deixar de trabalhar? Eu acho que vou morrer trabalhando. Quero me aposentar aos 40, ter independência financeira, de fazer aquilo que eu escolher fazer, no momento que eu quiser e trabalhar em cima daquilo que gostaria de ter hoje como Hobbies. Isso para mim é aposentadoria.

    Me enxergo sim dentro da Greylogix ainda por mais alguns anos. Se me perguntassem se eu venderia, eu venderia. Não tenho o apego como um filho, é uma empresa, uma boa empresa. Se eu vender a Greylogix, eu ainda peço emprego aqui, mas para fazer aquilo que tenho prazer de fazer.

  • Teria alguma dica para alguém recém formado que queira seguir na mesma área que você, se dar bem?
    Façam estágio. Peguem e se desafiem. Que seja 6 meses, um ano em processos dos mais diversos. Estagiem, testem, se testem. “Ahhh o estudar é difícil…”. Cara, não é difícil. Principalmente se você consegue colocar um lado prático para aquela teoria que não faz sentido para você. Cálculo vetorial, para mim, nunca fez sentido, até o momento que precisei usar ele, ai aquela setinha, ou eixos, passaram a fazer sentido.
  • Das matérias do curso, tem alguma que considera irrelevante para o mercado de trabalho?

    Durante a minha faculdade, eu achava que Banco de Dados eu não iria usar e hoje eu uso muito. Eu não tenho como dizer que alguma matéria seja irrelevante, porque eu aplico uma fração do que eu aprendi. Eu aprendi o todo. Se eu tiver que mudar de área, aquilo que para mim é irrelevante pode ser a matéria mais relevante lá na frente.

  • O que você sentiu falta de matéria no currículo? Em que área?

    Algumas matérias que sinto falta em ter em um curso: Filosofia, sociologia e cidadania. Pode ser apenas uma matéria, mas que mostre o pensamento crítico de algumas coisas.

    Redação. Eu senti falta e sinto até hoje. Como eu gosto muito de exatas, eu nunca fui muito focado em letras. A gente pega relatórios e documentos, os mais absurdos, escritos por bons engenheiros, mas com uma escrita pobre.

    Empreendedorismo. A gente é muito focado a buscar bons empregos em concursos, ou na vida privada, mas como funcionário. Apesar de muitos empreenderem, falta uma orientação. Uma crítica que eu faria ao curso é a questão de não conseguir focar as aulas em períodos específicos para liberar um pouco mais para a vida profissional, ou seja, o estágio. O mercado evolui muito rápido

  • Existe espaço para outras empresas de automação?

    Tem, tem. O Brasil é muito pouco industrializado. A oferta e a livre concorrência de empresas de automação pode ajudar. Não vai ser fácil, mas pode ajudar.

  • Que recado/recomendações você passaria para um calouro que está entrando na universidade agora?

    O curso tem muitos altos e baixos, todo aspecto da vida tem altos e baixos. Não conheço ninguém que não tenha pensado em desistir no meio do curso. Por "n" dificuldades, por não gostar daquilo que estava fazendo, mas depois descobria que era apenas uma matéria, uma dificuldade ou uma desilusão amorosa, que não tinha nada a ver com a faculdade.

    O curso é bom. Você não sai pronto, mas sai com uma bagagem muito interessante para entrar no mercado de trabalho.

    Como um fator de motivação: tentem entrar no mercado o mais cedo possível. Façam estágios. Peguem empresas que tenham uma "vibe" legal de trabalho. Tentem trazer para a vida prática aquilo que vocês estão aprendendo. Isso vai facilitar demais o entendimento teórico do que vocês estão vendo na academia e vai facilitar demais uma tomada de decisão pautada naquilo que vocês, efetivamente, gostam ou não gostam, e não naquilo que acham que gostam ou não gostam.

    Vocês vão conseguir chegar no final com uma bagagem, com um nível de relacionamento e "networking" que quem não fez, obviamente não tem. Vocês vão entrar no mercado de trabalho com um diferencial. Isso é uma das formas de vocês galgarem algo maior e mais rápido assim que vocês se formarem.

    Se você tem a "vibe" de empreender, a visão de empreender, entrem em uma Startup. Acreditem. Tentem. Coloquem em prática. Se coloquem numa zona de desconforto, que é ali que você, efetivamente, vai aprender.

  • Qual é a sua visão para a Automação daqui pra frente?

    O que eu enxergo para o futuro é uma mescla muito forte do TI (Tecnologia da Informação) com a TA (Tecnologia da Automação). É a automação não ser somente industrial. É a automação e a TI invadirem o residencial e o comercial, porque o produtos estão se mesclando muito.

    A automação, propriamente dita, baseada em CLP, que é aquilo que eu faço, está virando "commodity", porque os sistemas dos fabricantes de automação estão simplificando muito a forma que você programa coisas que antes eram absurdas. No futuro você vai precisar enxergar as dores do cliente e vender a solução e não mais a automação.

Mensagem Final aos estudantes

Acreditem no curso. Seja na primeira fase ou no PFC. Acreditem no curso. É um curso muito bom. Ele vai trazer uma bagagem muito grande para vocês. Vocês tem, de verdade, o respeito do mercado.

Fatores de desmotivação são muito fortes, mas acreditem: concluam os estudos e o mercado vai retribuir isso para vocês. Eu não conheço praticamente ninguém que se formou e merecendo, trabalhando sério, não esteja bem.