Entrevista

27/03/19


Nosso mais novo entrevistado é Procópio Silveira Stein, formado em 2007. Procópio tem um vasto conhecimento na área de robótica, trabalhando nela desde a graduação até se tornar Navigation Leader na PAL Robotics. Confira a trajetória e as escolhas que levaram nosso entrevistato a chegar onde está hoje!

  • Como era seu dia a dia no curso? Saía muito? Estudava muito?

    Eu saia muito, fazia muita festa com meus colegas e amigos que moravam comigo e também estuda bastante para as provas das matérias mais difíceis, uma vez até perdi a matrícula pois estava viajando fazendo festa, aí tive que fazer algumas matérias separadas da minha turma pois não haviam mais vagas nas turmas que eles pegaram.

  • Você fez parte de alguma atividade extra-acadêmica, como CA, DCE, EJ, PET, NEO...?

    Eu participei do CA, Autojun e cheguei a participar também do Robota - que é um grupo de robótica - nele entrei eu e mais dois colegas meus. A primeira competição que a UFSC participou no ramo de robótica, fomos nós que a representamos e ganhamos em uma edição realizada na PUC de Porto Alegre, mas a gente que correu atrás para ir até lá, fizemos a inscrição e pedimos patrocínio da UFSC para a viagem, depois o Robota foi para competições maiores, chegaram a ganhar uma competição no México uma vez.

  • Você vê o fato de o curso te dar conhecimentos superficiais sobre várias áreas como um ponto positivo ou negativo?

    Eu acho isso um ponto positivo, pois permite muitas saídas diferentes e depois a empresa se encarrega de te formar na área.

  • Existe algo que se arrependa na época de graduando? Há algo que você mais se orgulha?

    Tenho orgulho da relação que tinha com os professores e colegas. Outra coisa que tenho certo orgulho é nunca ter reprovado, mas não sei se isso é uma coisa boa ou ruim, às vezes eu acabava dando mais valor para as notas do que realmente aprender, um arrependimento meu posso dizer que seja esse, de querer somente passar e acabar não aprendendo muito.

  • Como foi seu mestrado e doutorado?

    Eu não queria muito fazer mestrado, mas como tinha uma namorada (hoje minha esposa) que era de Portugal, queria ir para lá, então, para não chegar lá de “mãos vazias” acabei indo fazer o mestrado lá. O meu mestrado era em Automação Industrial, mas era mais voltado para a área de robótica, eu não precisei fazer aulas para concluí-lo, pois lá (Portugal) você já sai da faculdade com título de mestre, é como se os três primeiros anos fossem a graduação e os dois últimos fossem mestrados, então, como eu já tinha me formado aqui, precisei fazer apenas o projeto final. Quando cheguei para fazer o meu mestrado eu já pedi para entrar em laboratórios, e quando o concluí havia recebido uma proposta de bolsa para o doutorado e, como, precisava me manter lá acabei fazendo doutorado também. Meu doutorado também foi na área de robótica, comecei em Portugal e no meio acabei fazendo um intercâmbio para a França, então tive um orientador em cada país.

  • O que realmente faz em seu trabalho? Quais suas responsabilidades?

    Sou encarregado de todas as decisões em relação à navegação dos robôs. Minha responsabilidade é fazer com que os robôs naveguem bem, fazer com que não choquem. O meu dia a dia é acompanhar os robôs remotamente para ver se estão funcionando bem, resolver bugs, para isso eu programo e posteriormente testamos o código nos robôs. Se tudo ocorrer corretamente, passamos o código para produção, também faço reuniões para dividir as tarefas/metas de cada um da minha equipe...

  • Quando foi que você decidiu que área seguir depois de formado? E por que escolheu a mesma?

    Eu acho que todos que entram na automação gostam de robôs, e de uma maneira ou de outra pelas decisões que eu fui tomando eu fui entrando nessa área da robótica.

  • Como você se vê daqui a alguns anos? Pretende continuar nesta área?

    A não ser que aconteça algo muito grande, a minha ideia é continuar na robótica, pois já tenho muito estudo nessa área e porque pra mim, esse é o trabalho dos sonhos: eu acordo na segunda-feira e estou feliz com o trabalho.

  • Teria alguma dica (pulo do gato) para alguém recém-formado que queira seguir na mesma área que você e se dar bem?

    A parte da programação é uma parte muito importante para quem quiser trabalhar com robótica, embora hajam muitas partes para criação de um robô, a maioria é software. Tente fazer estágios e intercâmbios com algo relacionado a robótica, tudo que tem a ver com sistemas de visão também é muito importante, como estudar processamento de imagens, por exemplo. Mas a principal dica para quem quiser entrar na robótica é aprender ROS (Robot Operating System), é o que se usa hoje nas principais empresas de robótica do mundo, e tem muitos sistemas em onde você pode simular robôs e praticar o ROS, o ROS foi uma revolução na indústria robótica, foi uma maneira de padronizar os programas em robôs, então, nas entrevistas em empresas de robótica muito provavelmente irão lhe perguntar se você tem experiência com ROS.

  • Você sentiu que faltou alguma coisa no curso de Engenharia de Controle e Automação?

    O que eu mais senti falta durante o curso, e é uma deficiência que eu tenho, é a área de programação: todo semestre tem alguma matéria no curso, mas é algo bem genérico, então, às vezes, você acabava passando sem estudar muito e isso fez falta em meu mestrado, me faltou um pouco de prática. Eu tinha ideias boas só que demorava para transformar isso em código.

  • Quais matérias achou mais complicado na faculdade?

    Acho que algumas da cadeira de controle, é ali que realmente começa a pegar a matemática, alguns problemas mais práticos. Outra que achei difícil também foi mecânica geral, nela tínhamos que resolver problemas como a velocidade de um foguete que perdia massa durante o percurso...

  • Você viu apoio do DAS (professores) aos alunos ao longo do curso nos momentos de buscar bolsas, estágios, informações sobre o mercado?

    Eu tinha uma relação muito forte com minha turma, e nós tínhamos uma relação muito forte com os nossos veteranos mais antigos, de uns dois anos na nossa frente, isso era muito bom, pois eles já davam uma outra visão do curso e foram essas pessoas que me ajudaram nas questões de bolsas. Sobre o DAS posso dizer que nunca pedi muita ajuda, somente no final do curso, quando estava querendo vir para Portugal, eu fui atrás deles, e obtive essa ajuda. O professor Jean Marie me disse para falar com o professor Rabelo que me deu um contato em Portugal da universidade onde acabei fazendo meu mestrado.

  • Onde fez seus estágios?

    Eu fiz um estágio no Labmetro, depois disso, meu estágio obrigatório eu fiz no Canadá, lá eu trabalhava com navegação por satélite e esse contato para ir até lá eu consegui através de um veterano que era meu amigo, ele estava fazendo PFC lá e falei com ele sobre o estágio. Quando voltei para o Brasil trabalhei de estagiário na Arvus que era uma empresa fundada por alunos da automação (atual Hexagon), eu trabalhei lá bem no começo quando só havia os três fundadores e eu de estagiário.

Que recado/recomendações você passaria para um calouro que está entrando na universidade agora?

Faça amizade com seus veteranos, os veteranos que digo não são os de dois semestres antes, mas sim alguém que esteja uns dois anos a sua frente, pois são pessoas que podem lhe ajudar muito, também tentem fazer o máximo de estágios, não só pelo dinheiro mas pela experiência que você adquire, você faz aplicações bem mais reais do que as que fez no curso.