Entrevista

28/06/2017


Fala pessoal! Já se perguntaram qual é o trabalho de um consultor? Como está a resposta das empresas a retração do mercado? O entrevistado de hoje é João Paulo Milanezi, do The Boston Consulting Group. Nessa conversa, Mila compartilha um pouco de sua trajetória na UFSC, as vantagens de sua carreira e dicas essenciais pra quem busca seguir o mesmo caminho. Confira!

  • O que um consultor faz?

    O consultor basicamente resolve problemas dos clientes. Explicando de maneira bem simplista, seria isso. Trabalhamos com base em projetos, com um escopo definido e com tempo definido para resolver aquele problema. O meu último projeto foi redesenhar o planejamento estratégico de médio e longo prazo de um grande banco brasileiro.

    O que precisamos fazer é entender o contexto da empresa, então tipicamente no início de um projeto fazemos várias de entrevistas e analisamos alguns dados de alto nível para entender o que está indo bem e o que está indo mal. Depois, montamos uma árvore de hipóteses de por quê o problema está acontecendo e de possíveis soluções. O meu trabalho ao longo dos meses é testar, entender o é verdade ou não é, eu refinar as premissas. No final, precisamos chegar com uma resposta bastante assertiva, “estão aqui os problemas, estão aqui as grandes oportunidades que vocês vão ter no futuro, para endereçar estão aqui essas grandes iniciativas”. Trabalho muito próximo da equipe do cliente, em reuniões de trabalho, na busca por informações, refinamento de análises, então é um trabalho bem vivo, bem multidisciplinar. O consultor tem o privilégio de navegar todo o mundo corporativo, isso te dá uma riqueza muito grande de entendimento. E é bem dinâmico, você está sempre aprendendo uma coisa nova, uma indústria diferente, um tema novo. Ao mesmo tempo que te traz mais pressão, também te proporciona uma curva de aprendizado e um dinamismo que poucas carreiras te dão.

  • Quando e porquê escolheu automação?

    Eu sempre gostei de brinquedos e jogos que tinham raciocínio lógico. Engenharia é um negócio de família, meu pai é Engenheiro Mecânico formado na UFSC, trabalha como projetista, então é engenheiro daqueles “raiz” mesmo. Mesmo assim, como todo jovem, eu tinha as minhas dúvidas. Pensei em fazer educação física porque eu gostava de esporte, fisioterapia, jornalismo... Mas quando eu cheguei no segundo ano do ensino médio, conversei com muita gente e vi que engenharia tinha mais a ver comigo e era uma carreira mais flexível a longo prazo.

    Primeiramente, pensei em fazer mecânica, meu pai já era engenheiro mecânico então fazia sentido, Mas ele me desafiou a pesquisar outros cursos. Foi quando eu conheci o curso de Controle e Automação e gostei bastante da proposta. O que me atraiu foi a amplitude que o curso oferecia, combinando mecânica, elétrica, computação.... Acabei decidindo por Controle e Automação umas três semanas antes da inscrição pro vestibular. Eu não tinha muita certeza do que era aquilo, mas acreditei que estava tendo o feeling correto. No fim deu certo, e ainda me permitiu morar em Floripa, que era um desejo que eu sempre tive.

  • Como era o trote da automação na UFSC, na sua época?

    Durante os primeiros dias, os veteranos botavam aquele terror de que ia ter trote, depois deixavam esfriar um pouco. Quando os calouros achavam que não ia ter mais trote, os caras chegavam um dia de surpresa, buscavam a turma inteira na sala e acabava indo todo mundo. A minha sala foi todo mundo mesmo. Meu trote não fugiu muito do padrão, foi no PIDA, com direito a água de peixe, pó de café, leite azedo… Mas era um negócio tranquilo, não tinha ninguém se machucando ou com maldade. Tivemos o azar de os malucos de SP começarem a passar do ponto, jogar gente bêbada na piscina, dar choque, jogar ácido nas pessoas. No final das contas, todo mundo pagou o pato, o trote começou a ter um viés negativo, principalmente para quem não conhecia. Eu não lembro de ter dado problema em nenhum no nosso trote. Se alguém pensava em fazer alguma coisa um pouco mais pesada, o restante do pessoal tinha consciência e já parava a brincadeira logo alí.

    O trote era uma maneira muito boa para integrar todo o curto. Somos, na maioria dos casos, pessoas que vieram de fora de Santa Catarina, então o trote é bom pra criar um certo senso de família e de companheirismo desde a primeira semana. Nesses momentos cria-se laços que duram 5, 10, 20 anos. O nosso curso é muito mais unido do que a média dos outros cursos, e precisamos cultivar essa união. Tenho amigos na elétrica que têm contato zero com a turma dele hoje em dia. Você já viu isso acontecer na automação?

  • Como era seu dia a dia no curso? Saía muito? Estudava muito?

    O pessoal da automação tem uma capacidade ímpar de conseguir equilibrar vários pratos ao mesmo tempo. Falando especificamente da minha turma, quase todo mundo fazia algum estágio ou tinha bolsa, e mesmo assim o pessoal saia bastante e conseguia aproveitar bastante.

    No trabalhei desde a primeira fase, então sempre tive que lidar com um certo paralelismo de responsabilidades ao longo do dia. A noite, quando não era período de provas, sempre nos reuníamos na casa de alguém, fazíamos vários churrascos.

  • Vocês estudavam muito juntos, explica pra a gente o que era o Mila Resolve.

    Essa história foi aconteceu um tanto sem querer. A primeira matéria realmente difícil foi Sinais I, com o Bira. Todo mundo estudava na BU por um mês para essa prova, virava noite. E estudávamos todos juntos na BU. Um resolve uma prova antiga, o colega do lado resolve outra, e assim as dúvidas surgiam e o conhecimento era gerado. Não existia uma gestão de conhecimento ideal, então acabávamos tirando cópias das provas que alguém resolveu e passávamos para os outros para que ajudasse. Como geralmente eu começava a estudar um pouco antes que a galera e tinha uma letra um pouco menos zoneada do que a média, acabaram elegendo meu caderno pra tirar cópia e servir como uma “apostila” com a resolução das provas. Começaram a chamar a apostila de Mila Resolve, e isso pegou ao longo do curso. Mas foi algo que surgiu da nossa cultura de estudar sempre junto. Não são todos os cursos em que a galera se ajuda, compartilha conhecimento, provas antigas... Isso não se pode perder. Ter a comunidade automação ajuda bastante, especialmente em momentos mais difíceis do curso.

  • Você só se inscreveu pra UFSC. Hoje trabalhando em SP e tendo uma visão diferente. Teria feito universidade no eixo Rio-São Paulo?

    Eu fiz a melhor decisão que eu tinha naquele momento, com as informações que eu tinha. O aluno não conhece nada do mundo quando entra na faculdade, essa é a verdade.

    Olhando para trás, vejo que universidades do eixo RJ/SP te proporcionam mais oportunidades extracurriculares, maior exposição a empresas maiores, e até um maior reconhecimento, já que as grandes empresas estão lá e conhecem mais as universidades que estão lá perto. Por exemplo, um cara do Itaú já trabalhou com 200 ex-alunos da POLI e 100 da Unicamp, mas somente com 1 ou 2 ex-alunos da UFSC. É claro que é possível ter outras experiências: Empresa Júnior, laboratórios, Fundação CERTI, ou uma das várias startups que existem.

    Por outro lado, se você quer engenharia, talvez não exista lugar melhor para se estar. Quando o tópico é ensino e pesquisa, a UFSC está em linha ou acima de todas as outras.

    Respondendo à sua pergunta, eu faria UFSC de novo se tivesse que tomar a decisão hoje. Como tudo na vida, tem aspectos bons e outros não tão bons assim. A cidade é espetacular, a comunidade é muito mais unida, os professores são espetaculares. Tem muita oportunidade boa aqui se o aluno souber ir atrás. Pensando no equilíbrio entre de vida pessoal, profissional e ensino, a UFSC oferece um pacote bastante competitivo.

  • O que você fez de atividade extra-acadêmica?

    Desde o início da faculdade eu queria um perfil mais generalista, não queria ser só engenheiro, queria saber das opções. No primeiro semestre participei da Autojun porque vi que era um ambiente que podia correr riscos controlados, não teria muita pressão e podia fazer várias coisas legais. Dentro da Autojun eu comecei na área de recursos humanos depois fui para planejamento estratégico.

    Cheguei em um ponto em que minha curva de aprendizado se estabilizou e eu quis testar a parte técnica, mas sem deixar de lado a parte gerencial. Acabei fazendo parte de um programa de estágio da Fundação CERTI chamado ToP (hoje não existe mais).

    Depois disso fui fazer intercâmbio por um ano na República Tcheca, através do programa Erasmus Mundus. Lá eu fiz robótica (foi a única matéria que eu consegui validar), gostei pensei em trabalhar um pouco com isso quando voltasse para o Brasil. Na época, o Henrique Simas (professor da matéria de Robótica) me falou: "Tem um robô no LASHIP que ninguém mexe há uns 2 anos, topa fazer funcionar?" Topei e fiquei 5 meses mexendo no robô, programando o funcionamento, mexendo na interface gráfica.

    Após esse período, chegou a vez de organizar o linguição. Fiquei 6 meses só fazendo isso.É engraçado, porque organizar o Linguição foi uma das experiências que eu mais explorei nas entrevistas de consultoria e do MBA. Então, se você empacotar ela direito e conseguir contá-la sob uma perspectiva interessante, ela tem muito poder.

    Por fim eu fui fazer meu PFC. Na época, o petróleo estava em alta, tinha muita gente da Automação na Schlumberger e na Halliburton. Fiquei 6 meses na Schlumberger, aprendi bastante, mas vi que não era o driver que estava buscando para minha vida. O trabalho era super técnico, com tecnologia de ponta de verdade, super desafiador, mas é um ambiente de muita pressão, jornadas de trabalho meio malucas e muito especialista, ou seja, eram coisas que eu não queria.

    Durante a graduação, tive muitas idas e vindas. Digo que a frase principal pra resumir meu período na UFSC foi: "Experimentar e conhecer o máximo possível". Tão importante quanto conhecer o que existia disponível, foi o processo de autoconhecimento e o entendimento do que eu queria e do que eu não queria na minha vida profissional.

  • Você prestou processo seletivo para outro tipo de empresa ou só para consultoria?

    Eu prestei só para consultoria. Em se tratando de caminhos não usuais para engenheiros (bancos, consultorias, etc) o processo seletivo como um todo é bastante específico e demanda muita preparação, então é bastante difícil levar processos seletivos de consultoria e trainee em paralelo.

    Claro que é possível fazer, mas é difícil ser o mestre na entrevista de case e ser o mestre em entrevista para banco ao mesmo tempo. O que me ajudou muito foi descobrir o que eu queria (na base de muita tentativa e erro ao longo da graduação) e direcionar minhas decisões, tendo mais assertividade do que eu queria fazer como profissional.

  • A pergunta que todos fazem, IAA importa?

    IAA é importante em algumas situações específicas, dependendo da carreira que escolher. Por exemplo, para um acadêmico, com certeza IAA importa, já que é um critério relevante para as seleções de mestrado, doutorado.

    Em consultoria, o IAA importa bem menos. Durante o processo seletivo, o histórico escolar é analisado, mas desde que o aluno não tenha muitas reprovações ou muitas notas ruins, o histórico não faz lá muita diferença. Um IAA 8 não destoa muito de um IAA 7,5. Claro que a coisa complica se chega um histórico com IAA 6,5.

    Independentemente das notas, o mais importante é que o graduando tente equilibrar notas e experiências. O avaliador do currículo vai tentar entender qual é a história por trás do currículo e do histórico escolar. Ele vai estar interessado no que o aluno tem de legal para contar, no que ele tentou de diferente. É importante se mostrar proativo e mostrar que se preparou da melhor maneira possível, seja na graduação ou seja em estágios e laboratórios.

  • Como está o mercado no futuro, para quem tá saindo da faculdade agora.

    Não é segredo pra ninguém, o Brasil está em um momento bastante complicado, e esse período difícil ainda deve durar algum tempo. Naturalmente, o ritmo de contratações vai ser bem menor do que na época que eu me formei. Com isso, nas indústrias tradicionais, o salário médio pode diminuir (mais engenheiros sendo contratados como analistas), e a competição pelas boas vagas restantes deve se intensificar. Quem vai conseguir se colocar nas melhores vagas são os engenheiros mais preparados, com mais experiências durante a graduação, com histórias mais relevantes sob a ótica dos recrutadores. Os profissionais mais capacitados tendem a sofrer menos, e acho que os engenheiros formados na UFSC têm tudo para estar nesse grupo, desde que tenham aproveitado a graduação.

    Além das indústrias tradicionais, vejo cada vez mais engenheiros migrando para bancos, empresas de consultorias, empresas de private equity. Esses mercados alternativos tendem a ser um tanto mais resilientes à crise, e mantém um ritmo mais estável de contratação. Os alunos devem olhar com carinho para esses caminhos alternativos, entender bem o que são e se é interessante.

  • Como foi sua saída da faculdade na questão salarial? Correspondeu suas expectativas?

    Eu fui direto para consultoria, que possui uma proposta de valor bastante agressiva em termos salariais e em evolução de carreira. Hoje posso dizer que estou satisfeito, principalmente pensando que tenho apenas 4 anos de empresa.

  • Você foi responsável pelo recrutamento do BCG na UFSC por uns 3 anos. E aí, o nível da galera está bom? O que teria que ser melhorado?

    O nível do pessoal, principalmente das engenharias, é muito bom. Não é a toa que temos atualmente muita gente da Automação em consultoria. Mas mesmo apesar de termos muita gente boa, em geral os alunos da UFSC vão muito mal preparados para o processo seletivo, especialmente na prova que marca a etapa inicial.

    Seja por desconhecimento ou por qualquer outro motivo, isso acaba acontecendo, então é algo que precisa mudar. Com o fortalecimento do Clube de Consultoria, isso tende a mudar gradualmente. E não tem jeito, é preciso preparação e estudo, o processo de consultoria não tem muitos atalhos.

  • Após muitos anos na empresa, você vai fazer um MBA. O que te levou a isso?

    Quando eu comecei a trabalhar no BCG, eu já tinha vontade de fazer um MBA. Eu queria entender mais a teoria e a prática de administração de empresas, e era algo que não estava amplamente disponível no currículo do curso. Naturalmente, trabalhando em consultoria, o interesse e a necessidade de ter uma base de conhecimento mais sólida nesse sentido se intensificou.

    E mesmo dentro do BCG, ao fazer projetos de diversos temas e sobre vários tipos de negócios, eu me interessei bastante por instituições financeiras (bancos, seguradoras, etc). Esse interesse me deu mais certeza de que eu precisava de um MBA para me preparar para o futuro e também me ajudou a direcionar a escola que combina melhor com meus interesses. No final, acabei optando por fazer o MBA em Chicago, que é uma escola com vários professores referência na área de Finanças e Economia.

  • Teria alguma dica para alguém recém formado que queira seguir na mesma área que você, se dar bem?

    A primeira dica é conhecer consultoria e entender se é uma carreira que combina com seu ideal de carreira. Esse conhecimento pode vir através de conversas com as pessoas (tem muita gente da Automação em consultoria, então acionem essa pessoa), presença em palestras, visitas às empresas, enfim, o importante é entender o que a carreira pode proporcionar. Se possível, tentem experimentar através de algum estágio mais direcionado. O BCG, por exemplo, tem estágio de verão que os alunos podem fazer nas férias.

    A segunda dica é se preparar bastante para os processos seletivos, que são bastante específicos. É preciso treinar e estudar de verdade, especialmente para as provas e para as entrevistas de case. Busquem recursos, corram atrás do pessoal e do clube de consultoria, não fiquem parados.

  • Que recado/recomendações você passaria para um calouro que está entrando na universidade agora?

    Tentem descobrir e experimentar as coisas durante o caminho. A experimentação vai ajudar a entender o que está disponível e vai ajudar a ter autoconhecimento. A maior dica que eu posso dar é a de não sair da universidade sem ter descoberto o que você gosta e do que você não gosta. Se você sair sem saber, vai ficar um tempo no mercado patinando, pulando de galho em galho.

    Hoje está na moda pular de galho em galho, de empresa em empresa, mas nem sempre as pessoas fazem pelos motivos certos. É claro que existe o cara que quer ter sempre desafios diferentes, quer aprender coisas novas, mas também existe o cara que não faz a menor ideia do que ele quer da vida, então fica mudando até se encontrar. Acho que tentar passar por esse processo de autoconhecimento durante o curto é muito menos indolor e definitivamente muito menos arriscado.

  • Quais matérias achou mais complicado na faculdade?

    As matérias de Controle foram, sem dúvida, as mais complicadas: Sinais I e II, Sistemas Realimentados, etc. Eram mais difíceis porque não são conceitos que o aluno consegue visualizar ou mesmo imaginar facilmente. Não é possível enxergar o domínio da frequência. Então, naturalmente, todo mundo tem uma dificuldade maior para entender a teoria e transformar isso em resolução de problema.

    Por outro lado, essas matérias ajudam o aluno a construir o caráter, se esforçar, ter um desafio pela frente e conseguir vencê-lo.

  • Você viu apoio do DAS (professores) aos alunos ao longo do curso nos momentos de buscar bolsas, estágios, informações sobre o mercado?

    Sem dúvida, nossos professores são bastante solícitos para ajudar os alunos. Claro que o aluno precisa procurar, pesquisar, ir atrás da oportunidade. Nenhum professor vai chegar, te puxar pelo braço e te perguntar: “Você quer uma bolsa para estudar na Alemanha ganhando 800 euros por mês?” O trabalho do aluno é prospectar o que há disponível e ser proativo para conseguir essa oportunidade. Os professores sempre me ajudaram bastante, mas a procura sempre partiu de mim.

    Na minha experiência pessoal, posso destacar o Augusto Bruciapaglia, que chegou até a escrever carta de recomendação para mim, o Agustinho Plucênio e o Rabelo. Esses três foram fundamentais para minha jornada como aluno.

  • Você chegou a participar da organização do Linguição da Automação? Como foi essa experiência pra você?

    Foi umas das melhores experiências que eu tive na minha vida. Em termos de aprendizado, foi diferente de tudo o que eu tinha experimentado, e até certo ponto foi bastante complementar. A nossa vida profissional é muito baseada em resolver problemas de última hora, em liderar e motivar pessoas. A organização do Linguição te proporciona momentos de colocar isso a prova, como por exemplo convencer um grupo de 90 pessoas que é melhor colocar Brahma e não colocar Budweiser na festa. Esse tipo de aprendizado e de exposição é difícil de encontrar ao longo da vida de estudante. Pra mim, foi um momento de desenvolver coisas em que eu não era bom.

    Nosso Linguição foi o 19o, conseguimos equilibrar bem a parte financeira e a qualidade da festa. Tivemos a sorte de surfar a onda de crescimento da festa, tava ganhando muito mais corpo na faculdade e atraindo bastante atenção. Isso claramente nos ajudou na divulgação, nos patrocínios e nas negociações com fornecedores.

    Tem uma história boa do nosso Linguição. O Dj Dedé era um cara um tanto folclórico que nós contratávamos todo semestre para tocar no Linguição. Ele era muito sangue bom, mas era meio maluco. Na hora do funk no palco principal, 6 horas da tarde, horário de pico da festa, ele simplesmente sumiu. Ninguém achava o Dedé, e o palco estava lá vazio. Depois de procurar uns 15 minutos, achamos o cara na fila do pão com linguiça, brigando com todo mundo, dizendo que estava com fome e que só iria tocar se dessem comida pra ele. Tem coisa que é preciso resolver no Linguição que ninguém está preparado.(risos)

  • Muitos alunos dizem que o curso dá uma visão ampla, mas superficial de muitas áreas do conhecimento. Você concorda com isso? Acha isso positivo ou negativo?

    Eu concordo parcialmente. Acho que sim, a visão é ampla e um tanto superficial, mas acho que é virtualmente impossível combinar a amplitude e profundidade em um curto com tantas áreas de conhecimento como a Automação. Como tem um pouco de tudo, é difícil entrar no detalhe.

    O papel do curso me parece ser o de dar uma visão abrangente e aprofundada o suficiente para te preparar para a entrada no mercado de trabalho. Uma vez contratado, o engenheiro de Controle e Automação da UFSC está preparado para aprofundar seu conhecimento em qualquer área que seja necessária. Nesse sentido, acredito que o curso faz um bom trabalho, e forma pessoas capacitadas. A grande maioria dos meus colegas está muito bem colocada no mercado, isso diz muito sobre a qualidade e sobre o sucesso do curso.

  • O que você mudaria no curso hoje?

    Eu sempre acreditei que o curso precisava de uma mudança estrutural para proporcionar mais flexibilidade aos alunos, principalmente nos semestres finais. Caminhar na direção de ter um currículo obrigatório mais enxuto, tirar algumas matérias que fazem menos sentido, e possibilitar que os semestres finais sirvam para que o aluno se especialize no que ele quiser.

    Por mais que, muitas vezes, os graduandos ainda não tenham certeza do que fazer no futuro, é importante colocar nas mãos do estudante as decisões sobre seu futuro. Dar mais poder de escolha e mais responsabilidade ao aluno é fundamental, isso deveria estimulá-lo a levar mais a sério o curso como um todo e acostumá-lo a tomar decisões importantes.

    Conversando com os alunos atuais, descobri que houve uma mudança nesse sentido, mas que a execução ainda não é a ideal. Talvez esse seja o principal desafio para o DAS, fazer esse sistema funcionar em harmonia com o que há disponível nos demais departamentos.

  • Existe algo que se arrependa na época de graduando? Há algo que você mais se orgulha?

    Eu fico feliz de ter me conhecido melhor durante a época de faculdade, e talvez meu único arrependimento seja não ter tentado mais coisas diferentes ao longo da graduação. Eu tentei sair da zona de conforto várias vezes, experimentar situações extracurriculares diferentes. Aprendi tanto nas experiências que não gostei quanto nas que gostei. É difícil de dizer o que eu me arrependo, porque tomei as melhores decisões com as informações que eu tinha daquele momento. Talvez eu faria mais matérias optativas na área de administração, por mais que a nossa grade curricular fosse bastante amarrada e puxada. Tentaria aprender mais sobre contabilidade, finanças, gestão de pessoas, elementos que teriam me ajudado bastante na entrada do mercado de trabalho.

  • Existe alguma coisa que acredita que esquecemos de perguntar e que seria interessante compartilhar com os alunos de engenharia de controle e automação?

    Acho que os alunos poderiam usar melhor as optativas. É algo que eu usei mal e me fez falta. Eu poderia ter feito duas ou três, mas acabei não fazendo.

Mensagem Final aos estudantes

Não tenham medo de arriscar, de errar, de fazer o estágio errado, de fazer uma matéria que você não tem certeza que vai gostar. Faça! Tão importante quanto descobrir as suas paixões é descobrir o que você odeia na vida. Isso tem um valor tremendo, então busquem outras oportunidades, fujam do lugar comum, sejam proativos e não esperem as coisas caírem no colo. O profissional de sucesso é aquele foi atrás e arriscou.

Aproveitem a faculdade. Parece nostalgia, até porque na época que eu estava na UFSC eu reclamava bastante, mas é uma época bastante diferente de pós-formado. Durante a faculdade, eu tinha tempo sobrando, tinha meus amigos do lado, não precisava ir na casa de alguém pra encontrar a turma toda, tinha toda a liberdade do mundo pra fazer o que eu queria. Você não vai fazer essas molecagens tão frequentemente quanto na universidade, então aproveite pra fazer agora. É o tempo de ser moleque também.