Entrevista

16/08/2017


O semestre está correndo, mas é sempre bom dar uma pausa, mais ainda se for para conhecer um entrevistado da Alumni! Essa semana, conheça o Fernando Pereira, Project Service Manager da Glencore - África.

  • O que você faz?

    Eu sou o gerente do departamento que cuida da área de suporte aos projetos da empresa (Glencore), então tudo que a gente for construir, ou poços a ser perfurados é meu departamento que faz o planejamento. Elaboramos um cronograma e fazemos o controle de custo do projeto. Começamos desde as fases antes da execução (todos os processos de aprovações da empresa, stage gates, etc) e depois fazemos o planejamento detalhado da execução. Enfim Fazemos todo o planejamento e o controle de custo dos projetos.

  • Quando e porquê escolheu automação?

    Primeiramente para sair de casa (risos). Não havia automação em MT na época, só tinha aqui, UNICAMP e USP. Só que quando eu cheguei em Floripa eu fiquei de cara né, acabei escolhendo ficar aqui e minha primeira opção no vestibular era automação e depois mecânica (automação era muito mais concorrido do que qualquer outra engenharia). Automação para mim na época era algo ligado a robôs e tal, encanta né, você é muleque (17 anos) e eu era bom de matemática, por isso eu escolhi automação. Só que eu não passei na automação, passei na mecânica, fui o último da lista pra ser chamado pro segundo semestre da automação em 2005. Na última semana antes das aulas, quando já estava vindo pra floripa pra fazer mecânica, eu recebi um telegrama que eu tinha passado, fiquei bem feliz.

  • Como era seu dia a dia no curso? Saía muito? Estudava muito?

    Eu tentei o equilíbrio... Não fui um aluno ruim, mas longe ser exemplar, passei em tudo, tive só uma recuperação em circuitos. Na época Tinha PIDA, festas universitárias muito boas, a UFSC ainda permitia festas dentro do campus, então a gente fazia muita festa... Não perdia uma basicamente... Então tinha que ser estudo e festa. Foi bem aproveitado minha faculdade, consegui formar sem nenhum atraso e curtir bastante.

  • Você entrou de chinelo na colação de grau?

    Entrei na faculdade de chinelo e saí de chinelo (risos). Teve até um dia que eu fui fazer uma apresentação pros professores, era uma algo mais sério, daí eu coloquei um tênis. A gente apresentou e veio o Augusto (Bruciapaglia): "Parabéns, eu vi que isso foi muito importante para você. Até colocou um tênis...". Outra coisa que eu usei pra pegar o diploma foi a camiseta dos putões, embaixo da beca, quando eu subi, abri a beca e tava com a camiseta por baixo em homenagem.

  • Você fez parte de alguma atividade extra-acadêmica, como CA, DCE, EJ, PET, NEO...? Em que função e o que te ajudou no mercado?

    Eu entrei na autojun no segundo semestre, depois trabalhei com a ANPET com o professor Werner, na parte de controle de tráfego, mas eu trabalhava com o Sistema web deles. Depois eu fiz o GEDIG, um grupo do Camponogara na época, era na área do petróleo. Consistia em um poço virtual no matlab que era possível testar métodos de controle. O GEDIG foi onde fiquei mais tempo na faculdade, mas durante todos os 5 anos da faculdade sempre tive algo em paralelo.

  • A pergunta que todos fazem, IAA importa?

    Minha opinião é que não importa. Importa muito mais sua habilidade social hoje em dia do que IAA, tanto que em entrevistas até hoje nunca me perguntaram sobre meu IAA. O que importa é a maneira que você se porta, saber conversar com as pessoas, ter uma rede de contatos e claro ser competente no que faz... Acho que isso conta muito mais do que IAA. Por isso que eu acho que ter uma vida social na faculdade importa bastante, além das notas. Óbvio que não precisa avacalhar né, reprovar em tudo não vai ajudar. Um IAA 9 ou um IAA 7,5 pouco importa. A não ser que você queira vida acadêmica, talvez então seja importante mas não saberia opinar.

  • “Quem quer ser engenheiro de controle e automação precisa gostar muito de física, matemática e programação”. O que você pensa sobre isso? Na sua opinião é verdade?

    Eu era zero de programação. Não sabia nem usar o computador. Mas acho que é verdade, ainda mais matemática que tem muito cálculo. Se você não gostar de nada disso vai ser difícil conseguir se formar. Acho que tem que gostar de algumas dessas áreas pelo menos. Eu não era um grande sucesso em programação, nem física, mas consegui me formar. Se a pessoa não gostar de nada disso, não tem nem porque ela estar numa engenharia. O nosso curso tem muita programação, eu não imaginava isso e por incrível que pareça eu uso muito hoje em dia.

  • Quais matérias achou mais complicado na faculdade? Possui alguma história engraçado com algum professor?

    Circuitos com o Kassick, realimentados, sinais... Eu acho que o que define a dificuldade da matéria é o professor que ministra ela. Então circuitos com o Kassick era muito f**. Circuitos e Sinais eram no mesmo semestre, de um lado o Kassick no outro o Bira. Era complicado. Eu foquei no Bira pra não reprovar, passei direto, mas daí no Kassick eu peguei rec e passei. Realimentados eu passei direto, na primeira prova fui muito mal, tinha que ir muito bem na segunda, estudei, fui lá e tirei a nota e passei sem rec.

  • Você viu apoio do DAS (professores) aos alunos ao longo do curso nos momentos de buscar bolsas, estágios, informações sobre o mercado?

    Meu estágio foi na Alemanha, na Opel, inclusive eu que abri o bonde da Opel, mas eu consegui por fora da UFSC. Quando eu estava procurando, o Augusto ajudou bastante, ele tinha uma lista com todos os alunos e onde eles fizeram estágio que ele me passou. Eu comecei a mandar email pra todas essas empresas e mais as que eu pesquisei no google, eram mais de 250 no total. Teve algumas que responderam e acabei indo para Opel. Acabou sendo umas das pesquisas do google que deu certo, havia mandado um email para universidade de Darmstadt e foi um professor de lá que me respondeu dizendo que tinha gostado da minha iniciativa e que havia uma oportunidade de estágio na Opel.

  • Como foi o estágio na Opel?

    Foi um estágio sensacional, tive o prazer de dirigir um protótipo, carro ‘inteligente’, saia pra testar os carros, dirigir numa pista de corrida…. Meu projeto era o farol inteligente, mais especificamente um projeto de controle que ele identificava uma curva e ele tinha que focar o farol no foco da curva para melhor iluminação. Esse farol tinha várias partes, por exemplo, se chegava num cruzamento a luz se expandia, em uma reta o feixe de luz focava mais longe... A minha parte era só relacionado ao foco da curva mesmo. Nas horas vagas ajudava os outros engenheiros em testes, na época estava sendo desenvolvido um sistema anti colisão, e eu saia para testar. Eu ia dirigindo atrás de outro carro com uma balão de ar e tentava colidir na bolão, para ver se o sistema estava respondendo corretamente. Então eu trabalhei com algumas coisas sensacionais, em termos de trabalho eu acho que foi o mais empolgante que eu tive até hoje.

  • Qual foi sua trajetória após sair da faculdade?

    No PFC eu queria algo ligado ao petróleo. Eu tinha até passado no Erasmus pra Hungria, mas daí eu desisti porque consegui entrar na Schlumberger. Na minha época o petróleo estava em alta, eram os cargos mais cobiçados e que melhor pagavam. Eu comecei então o PFC na Schlumberger, mas as coisas não foram como planejadas e acabei saindo no meio e indo para a Arvus, terminei meu PFC lá e me formei. Quando me formei, mudei de estratégia e decidi que não queria sair correndo atrás de emprego, e então comecei um mestrado, e nesse meio período fui procurando emprego e passei num processo seletivo da BG (British Gas), na área de petróleo, no Rio de Janeiro. Fui para o Rio, onde meus chefes e todos que trabalhavam comigo eram de outras nacionalidades, o que fez que eu aprendesse muito. Fiquei 9 meses no RJ, depois fui para Trinidade e Tobago, no Caribe pela mesma empresa, onde fiquei mais 9 meses. Após esse período, o meu antigo chefe que foi trabalhar na África em uma empresa menor, a Caracal, me convidou para ir trabalhar com ele. Seria no esquema de rotação de 28 dias trabalhando e 28 dias de folga, sendo que poderia ficar no Brasil na folga. Eu tinha a oportunidade de ir para Austrália também, mas seria de emprego fixo. Financeiramente, ir para África era muito melhor, devido às condições de trabalho serem bem piores. Juntando isso a possibilidade de 6 meses de férias no ano eu escolhi a África. Então fui para África e estou trabalhando lá a quase 5 anos já. Foi engraçado na minha entrevista de emprego para ir trabalhar lá, onde basicamente eles me perguntaram "Você está ciente que na África tem malária, cólera, guerras? Você quer vir trabalhar aqui?". Concordei e fui contratado na hora (risos). O bom de trabalhar em uma empresa pequena é que você cresce muito rápido. Muitas oportunidades aparecem se você trabalhar e dedicar, consegui subir na carreira muito rapidamente. Em uma empresa de maior porte, a progressão de carreira é muito mais engessada. Há 2 anos atrás a empresa foi comprada por uma multinacional, e então hoje trabalho para Glencore.

  • Como está o mercado no futuro, para quem tá saindo da faculdade agora?

    Posso falar sobre a área em que eu trabalho. O petróleo é um trabalho muito interessante, em termos financeiros e experiências de vida. Com certeza há vagas para engenheiros, mesmo com o mercado de petróleo em baixa atualmente.E tenho visto que aos poucos ele está se reerguendo e logo retornará ao que era antes ou pelo menos próximo. Este ramo possui dois segmentos, o das empresas que são as produtoras, donas dos campos de petróleo, e o segmento das empresas prestadoras de serviços. São estilos de vida bem diferentes. A que eu trabalho se enquadra no primeiro estilo, então eu consigo ter uma escala de trabalho bem correta, 28 dias de trabalho, 28 dias de férias, onde ninguém me incomoda nas férias. Geralmente o salário inicial é mais baixo em relação às prestadoras de serviço, mas evolui rapidamente durante a carreira. Também há de se levar em conta que o stress é muito menor do que nas prestadoras. Nas prestadoras o salário inicial geralmente é bem acima do mercado, mas a quantidade de trabalho é absurda e esqueça fins de semana. Tenho amigos que trabalharam um ano inteiro, embarcados, sem tirar uma folga, ou seja, é muito puxado. Portanto, se quer seguir nesse ramo, depende do seu estilo de vida. Existem aqueles que são workaholics, que gostam disso, portanto podem se enquadrar no perfil de empresas prestadoras de serviços, onde irão ganhar muito bem de início. Já nas produtoras, a gente dá a oportunidade de fazer uma carreira, onde não há tanto stress quanto o outro segmento e com a progressão na carreira também consegue atingir um ótimo salário.

  • Como foi sua saída da faculdade na questão salarial? Correspondeu suas expectativas?

    Saí ganhando o piso, então correspondeu às expectativas, e hoje em dia estou muito bem, não dá pra reclamar.

  • Você acha que o engenheiro de controle e automação saído da UFSC está pronto para enfrentar o mercado de trabalho? Acredita que há que complementar o conhecimento em alguma área diferente?

    Acho que não está pronto, mas algo que o engenheiro de automação faz muito bem é se adaptar e aprender muito rápido. Se colocar um engenheiro de automação em qualquer área que for, ele pode sofrer no início, mas ele irá aprender e se virar, e vai funcionar. Tenho amigos em diferentes setores, e todos muito bem sucedidos. Tem gente em consultoria, petróleo em prestadoras de serviço, bancos, e em vários outros. Então, preparado de início não está, mas em pouco tempo nos adaptamos. Nós que somos engenheiros, temos a capacidade e a facilidade de resolver problemas que mais ninguém tem e por isso somos cobiçados pelas empresas e esse é o maior aprendizado que tiramos do curso.

  • Quando e porquê você decidiu que área seguir depois de formado?

    Durante a da faculdade o petróleo era a área mais cobiçada e mais difícil de entrar. Foi o desejo de sempre buscar o melhor, e claro financeiramente era a melhor opção que existia na minha época. Eu já tinha essa ideia antes do fim da faculdade, então comecei a focar minhas atividades nessa direção, entrei para o GEDIG, que era uma atividade extra curricular nesta área, me esforcei para conseguir estágio fora do país, pela experiência e para melhorar o inglês, tentei o PFC na área (não deu muito certo)… e no final tudo conspirou ao meu favor e consegui entrar para o setor.

  • Como é a vida lá na África? Muito animal selvagem?

    Eu posso falar pela cidade e país que eu moro, N’djamena no Chade. Tem sim, mas eu só vi hipopótamo lá. Nesses termos não é a África que todo mundo imagina, mas na questão da pobreza e miséria, é como se vê na TV. É uma realidade bem diferente do Brasil, algumas situações que eu vivo no dia a dia sao chocantes, acaba sendo uma experiência de vida bem intensa trabalhar no Chade. O clima da região também é um tanto extremo, a cidade onde trabalho fica bem próxima do fim do deserto do Sahara, a temperatura é muito alta, pode chegar a 50 graus. Tem uma temporada de tempestade de areia e uma temporada de tempestades pesadas também. Lá ainda tem ocorrências de cólera, a malária é outra doença recorrente, a falta de higiene dos locais torna bem difícil frequentar restaurantes, as chances de sair com algum problema estomacal sao bem grandes. Já presenciei pessoas defecando na calçada como algo super normal e por aí vai… No começo sempre passava mal, mas hoje já estou adaptado eu acho. Sempre levo comida do Brasil e evito os restaurantes, cozinhando em casa todos os dias. Em caso de problemas médicos mais graves, não existe uma estrutura hospitalar muito boa aqui, e aí é necessário evacuar por avião para Paris, já ocorreu algumas vezes na empresa mas felizmente não comigo. A capital é onde tem o escritório, fico ali principalmente. O campo de operações é no sul do país. E aí a gente tem que ir de avião. Leva mais ou menos uma hora de voo. Só que é um avião velho, que às vezes dá problema. No geral e meio que uma Aventura e definitivamente uma experiência de vida e tanto.

  • E a questão de conflitos, como é lá?

    Já passei no meio de um conflito de tribos. É algo que nunca imaginei que iria ver. Mas, basicamente, a gente entrou com o ônibus no meio da galera e eles começaram a vir pra cima da gente. Pessoal armado com machete, lança e arco e flecha. Quando demos a volta o exército chegou e começou uma briga. O resultado disso morreram 5 pessoas e 1 soldado. Isso ocorreu porque o gado de uma tribo de nômades destruiu a plantação de um fazendeiro. Mas, o Chade é um país pacífico hoje em dia. Ele estava em guerra em 2008/2009, quando tentaram derrubar o ditador do poder. E há 2 anos, houve ataques terrorista do Boko Haram e isso era um problema quando eu estava aqui, mas agora já reprimiram a atividade deles na região. Eles atuavam na divisa do Chade com a Nigéria e Camarões e explodiram algumas das meninas sequestradas (Que foi notícia internacional na época), em um Mercado e um posto policial na capital onde eu trabalho. Praticamente todos os países que o Chade faz fronteira estão com algum tipo de conflito em andamento. Líbia ao Norte, que tem a atuação do ISIS. República Centro-Africana, ao sul há tribos em Guerra pelo domínio da região, muitos refugiados cruzam a fronteira com o Chade procurando abrigo. Nigéria e Camarões, ao oeste estao estaveis, mas é area de atuacao do Boko Haram e na Nigéria é um país que há muitos ataques voltado a indústria do petróleo. Niger ao Leste, também conflito de tribos em busca do poder da região. Mas o mais importante é que o Chade está pacífico no momento

  • Como você se vê daqui à alguns anos? Pretende continuar nesta área? Fazer o que da vida?

    Se tudo der certo em dez anos estou aposentado (risos). Quero morar em Floripa, fazer coisas mais tranquilas, tocar algum negócio, e por isso estou trabalhando na África hoje. Essa é a vantagem do meu emprego, ele pode me possibilitar isso daqui alguns anos.

  • Você chegou a participar da organização do Linguição da Automação? Como foi essa experiência pra você?

    Eu fui um dos cabeças do meu. Eu vou retificar minha resposta da matéria mais difícil do curso, com certeza, foi o Linguição, disparado. Foi o que mais me estressou, perdi uns 5 quilos, porque é muito fod*. Na época as baladas estavam embargadas, a Life estava embargada e todo mundo fazia na Life. A gente não tinha opção e acabamos fazendo no estacionamento do clube 12 na frente do P12. Tivemos que montar a estrutura do zero, deu trabalho pra caramba, mas a festa foi sensacional. E foi o primeiro jump de pessoas porque antes as festas eram 2 mil, 2500, o nosso foi pra 3500. Foi em 2010.1 eu acho meu linguição. O linguição é um projeto que você cria do zero e você tem que lidar com pessoas, fornecedor, um grupo de pessoas para coordenar e que muitas vezes se desentendem, toda hora dá um problema e você tem que resolver na hora, isso é a vida, é o que vai acontecer no dia a dia no teu trabalho. Quando você tem uma prova a faculdade por exemplo, você tem a opção de se preparar semanas antes, estudar, no linguição não. De repente acontece uma briga, e aí? É na hora, você tem que resolver porque a festa não pode parar. É uma boa experiência, recomendo a todos participar ativamente da organização e além do meu, sempre ajudei nos outros anteriores. O linguição tem uma outra função tremenda que é a união do curso, o nosso curso disparado é o mais unido da faculdade.

  • Muitos alunos dizem que o curso dá uma visão ampla, mas superficial de muitas áreas do conhecimento. Você concorda com isso? Acha isso positivo ou negativo?

    Eu concordo que a automação da uma visão superficial, mas eu gosto dessa visão. Porque querendo ou não se você quer ser muito técnico, você vai procurar um curso técnico ou vai se aprofundar depois de formado. Engenheiro geralmente vai para cargos de gerência ou algo do gênero. E essa visão ampla te ajuda muito nisso, porque temos noção de tudo, na hora de gerenciar um departamento onde você tem tipos diferente de pessoas, trabalhando em coisas diferentes, você vai precisar disso.

  • Que recado/recomendações você passaria para um calouro que está entrando na universidade agora?

    Que entrar pra automacão foi somente o primeiro passo. Será necessario dedicação e gosto pelo que está fazendo. Tente aprender e não decorar, mas não deixe de lado se relacionar com pessoas, pois isto também é importante no aprendizado.

  • Existe algo que se arrependa na época de graduando? Há algo que você mais se orgulha?

    Me arrependo de não ter ido pro Erasmus na Hungria, deve ser um paraíso na Terra. Não se apresse em formar, eu queria formar logo, queria trabalhar com petróleo, sair com um emprego. Acabei não saindo com emprego no petróleo, saí no meio lá da Schlumberger e terminei meu PFC na Arvus. E o que mais orgulho é de ter aberto um caminho para o pessoal ir para Opel, me orgulho de ser um dos criadores da Putada (festa organizada pelo grupo de alunos putões.com), uma festa pequena de no máximo 300 pessoas e bem absurda (risos). Outro orgulho é do Linguição, foi uma experiência incrível. E sem duvidas da galera do curso, que levei amigos para vida inteira, galera excepcional.

  • Você notou alguma lacuna muito grande na formação do ECA? Qual a melhor maneira de completar essa falha?

    Acho que falta um pouco de administração, de noção de negócios, de empreendedorismo. Pelo menos uma matéria para te dar uma noção. Um pouco também de humanas, psicologia talvez. Acho importante ainda mais que hoje em dia tem tanta gente indo para o lado do empreendedorismo

  • Teria alguma dica para alguém recém formado que queira seguir na mesma área que você, se dar bem?

    Primeiramente, eu acho que tem que desenvolver a parte de línguas. Tem que saber falar no mínimo inglês. Mas, o mais recomendado são duas línguas. Segundo, estágio fora do país. Porque, nessa área, você vai lidar com pessoas do mundo todo e além disso é uma ótima experiência de vida. Então, se não souber lidar com os gringos, não consegue entrar numa empresa dessas. Além disso tudo, ficar de olho nos processos trainees das empresas. Para trabalhar na África, tem o African jobs, site que anuncia vagas das empresas internacionais de petróleo e construção. Como la falta mão de obra, então os profissionais especializados são sempre pessoas de fora. Pela língua, muita gente vai para Moçambique ou Angola. Mas tem oportunidade em todos os países la. O petróleo tá começando a subir de novo. O mínimo que bateu foi 27 dólares, hoje já está 50 de novo.E a é expectativa e que continue subindo. Como já tiveram muitas demissões, as empresas estão com o mínimo de funcionários possível. Então, quando chegar a 60 dólares, vão voltar a contratar a galera. Há quem diga que o petróleo vai acabar em 30 anos… mas por favor, né gente? (risos).

  • Das matérias, qual você achou irrelevante para o mercado de trabalho?

    Achava que programação eu não ia usar muito mas estou usando. Uso Excel VBA por causa das planilhas de controle. Talvez controle a gente tenha um pouco de mais, poderia diminuir um pouquinho ali. Ter um pouco de hardware, que a gente tem bem pouco. PLC eu tive que mexer uma vez só e é algo que se usa bastante na Indústria. Então, acho que são alguns tweaks que tem que fazer. Acho que a parte de Programação deveria ser atualizada para as linguagens modernas, Vba por exemplo a gente não vê na faculdade, é uma ferramenta que muita gente usa. Poderia pelo menos dar uma luz na faculdade porque é uma super ferramenta, todo mundo tem acesso, tem em todos os computadores. Uma renovada nessa área sem dúvidas seria algo bem vindo, é um setor que se atualiza muito rápido. Mas tirar eu não tiraria nada. Até química, tem gente que vai depois trabalhar na área processos químicos e pode ser útil.

  • Que recado/recomendações você passaria para um calouro que está entrando na universidade agora?

    Vá ajudar no linguição. Faça uma atividade extracurricular como estágio ou iniciação científica. Se não sabe inglês, vá aprender. Curta as festas. Faça amigos. Tente Não reprovar, faça seu melhor para manter o equilíbrio entre estudos e festas. Equilíbrio acho que é o mais importante. Não precisa se matar de estudar, mas também não deixe de lado. Senão acaba se frustrando. Várias pessoas quando reprovam acabam frustradas e desistem do curso, se isso acontecer não desista. Então nunca deixe a peteca cair. Depois disso um abraço, você vai estar com boas opções de carreiras nas mãos, aí basta seguir uma e ser bem sucedido. Não tem erro não.

  • Existe alguma coisa que acredita que esquecemos de perguntar e que seria interessante compartilhar com os alunos de engenharia de controle e automação?

    Assim, para quem quer ir pra área do petróleo no mesmo tipo de trabalho que o meu, é bom deixar claro que é um estilo de vida bem particular. Nem todo mundo se adapta a isso. Com a questão financeira todo mundo brilha os olhos, mas ninguém vê o outro lado…um mês na África, ou um mês embarcado é muito pesado. Psicologicamente te afeta. Porque você está sozinho, isolado de todos teus amigos e de todo mundo. Num lugar que não é agradável, que não tem nada. Sua vida está em risco. E, depois, tem um mês de férias. Que talvez você se mate mais ainda (tirando sarro). Se a pessoa não consegue manter uma rotina ela pode se acabar, se destruir. Então, é um estilo de vida bem interessante, mas não é pra todo mundo. O tempo passa muito rápido. Na sua vida, ou você está trabalhando demais ou você está curtindo demais. Eu nem vi passar o ano. É intenso. Se alguém tiver alguma dúvida, quiser entrar nessa área fala comigo.

Mensagem Final aos estudantes

    Tem que curtir, aproveitar a faculdade, é o momento da vida! Não tente ter só a experiência profissional, tenha também uma experiência pessoal. Então faça o melhor que você puder fazer da sua vida. Viaje, vá pra fora, aproveita a vida. A faculdade é um momento que você não tem tanta responsabilidade e você pode fazer isso. Porque, depois que sair da faculdade, vai vir tanta carga de responsabilidade, trabalho, família, filhos... Faculdade é o momento, então viva esse momento.