Entrevista

26/09/2018


Confira nosssa entrevista dessa semana!

  • Por que escolheu automação?

    Eu vim em um ônibus de 30h pra fazer vestibular, nunca esqueço. Escolhi por conta do curso mesmo! Na mesma época passei na Unicamp e já cursava em Brasília na UnB desde a metade do terceiro ano, e decidi vir para UFSC. Foi muito pela boa fama do curso de melhor de automação no Brasil, mas também pela qualidade de vida da cidade.

  • Como era seu dia a dia no curso? Saía muito? Estudava muito?

    Era bem puxado, trabalhava bastante por conta do Neo e com várias aulas 7:30. Começava bem cedo, todo dia, uma agenda bem cheia, mas consegui conciliar o trabalho com aproveitar, sair com amigos final de semana. Não tirava muito tempo para estudo, mas prestava bastante atenção na aula e tentava aproveitar ao máximo para aprender naquele momento, pra não precisar aprender depois sozinho. Acabei fazendo o PAM (Programa Avançado de Matemática) também, ali nas primeiras fases. No lugar de 4h, tínhamos 8h de aula. Junto com o Neo foi bem pesado, mas essa estratégia de entender sempre o que estava sendo explicado foi muito válida. O PAM valeu bastante a pena, apesar de não usar hoje aqueles cálculos complexos, abre bastante a cabeça para as formas de pensar e lidar com situações desafiadoras. Fiz um ano fora, de graduação sanduíche do Brafitec. Era uma das únicas oportunidades que tínhamos para estudar no exterior com bolsa, acabamos indo eu e o João Aramis um aluno da elétrica que se tornou um grande amigo e também meu sócio e membro do conselho na Brasil Mate.

  • Como foi sua experiência do PFC?

    Fiz PFC antes de acabar as matérias, pois estava em um estágio na Airbus na França e decidi aproveitar a oportunidade para fazer o projeto. O trabalho foi sobre o controle do aileron (parte da asa que serve para rotacionar o avião), mais especificamente sobre o acionamento dele, acionado-o por um motor elétrico ao invés de hidráulico, para isso usei muito MATLAB, Simulink e empresa gostou bastante do projeto!

  • Chegou a fazer mestrado?

    Como sempre gostei de robótica, me surgiu uma oportunidade de mestrado em Robótica e Processamento de Imagens com uma bolsa da União Europeia chamada Erasmus Mundus. Foi algo muito bom, tinha um semestre em cada país, Escócia, Espanha, França, Alemanha. Com a bolsa não precisava gastar nada do meu dinheiro. Não usei muito a parte técnica do mestrado, mas foi muito interessante as experiências que ele me trouxe, me ajudando nas empresas que fundei.

  • Qual área mais te chamava atenção?

    Eu gostava bastante de controle, cálculo, física e programação. Se eu tivesse que voltar no tempo e pudesse escolher o que me dedicar mais ou um outro curso pra escolher, iria pro lado de ciência da computação. Eu não escolheria outro curso, pois vejo que na automação esse overview amplo é muito importante, mas para complementar isso tenho bastante convicção que o que diferencia os profissionais e o que falta no Brasil são profissionais de computação.

  • Você fez parte de alguma atividade extra-acadêmica, como CA, DCE, EJ, PET, NEO...? Em que função e o que te ajudou no mercado?

    Trabalhei no Neo, uma parte muito importante para mim. Hoje na realidade que estou vejo que agregou quase tanto ou até mais que o curso em si. Claro que seguindo em uma área mais técnica, isso provavelmente não aconteceria, mas como hoje lido muito mais com a parte de consultoria uso muito mais as ferramentas de administração e gestão que o Neo me trouxe. O networking do Neo também foi muito bom. Como ali se trabalha com todas as engenharias e pessoas muito boas estão no grupo, acaba sendo uma rede muito forte. Entrei no segundo semestre e fiquei até o final.

  • A pergunta que todos fazem, IAA importa?

    Importa, mas não é a principal prioridade. Me ajudou no BRAFITEC, também me ajudou em conseguir uma bolsa para meu mestrado por exemplo.

  • Existe algo que se arrependa na época de graduando? Há algo que você mais se orgulha?

    Acho que não tenho nenhum arrependimento, pois as escolhas que fiz me abriram muitas portas, o contato com o exterior por exemplo, o curso e a própria CERTI que é onde o NEO fica me ajudaram bastante nessa parte. E o que mais me orgulho é ter conseguido levar muitas coisas simultaneamente, NEO, PAM, graduação e é claro vida-social, indo em festas, praticando esportes, viajando...

  • Você chegou a participar da organização do Linguição da Automação? Como foi essa experiência pra você?

    Eu ajudei a organizar 2 Linguições, o 9º e o 10º, foi muito bom e ajudei bastante neles, lembro que quando fizemos a festa ela era bem menor que agora!

  • Como é seu dia a dia? Quais suas responsabilidades hoje?

    Nesse momento estou em um tempo meio sabático, trabalhando um pouco menos, aproveitando bastante a família e a cidade aqui. Ainda analisando possibilidade de outros países para morar, mas a ideia é continuar na europa por mais um tempo. Faço atividades principalmente para a Brasil Mate e também PrepLounge. Hoje estou em um momento de transição de passagem de CEO da empresa Brasil Mate, que produz o energético natural Waker, sem taurina e com cafeína 100% natural da Erva Mate e do guaraná. Nessa empresa trabalho hoje com outros ex-colegas da automação, que encontrei justamente nesse network que existe no curso. Mandei um email no grupo do curso e fiz uma seleção entre os que se interessavam ali.

  • E a PrepLounge, como funciona?

    A PrepLounge é uma empresa que fundei na Alemanha em um tempo que morei lá. É uma plataforma para auxiliar na preparação de entrevistas na área de consultoria estratégica. Se você esta buscando vagas na Bain, Bcg, McKinsey, essas empresas maiores, existe um processo bem rigoroso e a ideia do PrepLounge é oferecer um meio que as pessoas tenham material para estudar e parceiros para praticar suas entrevistas de forma bem real. Essa empresa surgiu de uma ideia e necessidade minha, em um momento que me preparava para entrevista na Bain na Alemanha. Entrei, fiquei lá por 8 meses e saí justamente para montar o PrepLounge. Me parecia um gap de mercado bem significativo, e o sucesso da empresa prova que tinha razão: temos hoje mais de 100,000 usuários e em média mais de 500 simulações de entrevista são feitas por dia.

  • Hoje você trabalha a distância para essas empresas?

    A PrepLounge já está rodando muito bem sozinha. Acabo participando de reuniões estratégicas e de conselho, em decisões mais impactantes. Recentemente lançamos uma nova plataforma, o consultingheads, que trabalha com headhunting e placement. Hoje estou deixando de ser Ceo da Brasil Mate para continuar em um trabalho ainda ativo, mas menos direto no dia a dia. Faço parte do conselho da empresa e ainda sou o sócio com mais ações ali, mas não estou atuando mais diariamente como foi por 4 anos em São Paulo. Na PrepLounge já passei por um processo semelhante ao que faço hoje pela Brasil Mate, no sentido de ter começado sozinho, juntado alguns alemães lá, e depois de 3 anos passei esse cargo de Ceo para um colega lá e voltei para o Brasil. Na sequência, comecei então na Brasil Mate.

  • Qual a sua opinião sobre o mercado de trabalho na área de tecnologia?

    Pra mim, profissionais na área tecnológica é o que mais faltam no Brasil, vivemos uma constante "fuga de cérebros" nessa área, por esse fato temos muitas vagas no mercado, principalmente as área que focam em programação, engenharia de software, computação.

  • Como foi sua saída da faculdade na questão salarial? Correspondeu suas expectativas?

    Na verdade eu só fui assalariado por um curto tempo que trabalhei na Bain, onde ganhei um salário muito bom. Depois eu segui com minhas empresas, nunca fiz questão de ter um salário muito alto com elas, a prioridade era fazer elas "darem certo". Mas em geral, na minha visão, o pessoal da Automação é bem visto pelo mercado e geralmente bem remunerado.

  • Qual a melhor forma de se preparar pro mercado de trabalho hoje? Tens alguma dica para isso?

    Depende muito do que você busca... Acho legal se informar primeiro, para decidir algo que você quer. Por exemplo a consultoria, as vezes você acha legal, nome bonito, bastante trabalho, mas será que realmente encaixa no seu perfil? Acho que entender as opções é o primeiro passo. Caso você queira empreender, vejo que saber programar é essencial! Qualquer coisa hoje você precisa de um sistema, algoritmo, e é possível fazer isso terceirizado até certo ponto. Chega um momento que é preciso entender o que tem por trás da tela, entender o código mesmo. Se eu tivesse uma boa mensagem pra quem esta cursando hoje é: não deixe de aproveitar as matérias, mas se possível faça cursos extras nessas tantas plataformas autodidatas que temos acesso hoje, Udemy, Coursera.. Pra quem entende essa lógica eu diria, não terá problemas em encontrar emprego no futuro.

  • Como você se vê daqui à alguns anos? Pretende continuar nesta área? Fazer o que da vida?

    Como família, estou em um momento de decisão. Tenho uma filha pequena, e enquanto ela não estiver em período de escola estamos levando uma vida mais "nômade", passar em vários lugares, experimentar um tempo na Austrália, em outros países na Europa, pois tenho cidadania.. Assim, daqui a 5 anos não sei onde vou estar, mas pretendo já estar mais fixo em um lugar. Não penso em trabalhos com horário marcado ou coisas assim, mas sim remotamente, atuando em vários lugares, com essa flexibilidade, uma vantagem muito grande do empreendedor e que pretendo manter na minha vida.

  • Alguma sugestão para os futuros empreendedores de plantão?

    Nunca vai ter uma hora ideal para começar, por isso comece já! Se você visualizou um problema e pensa que sua solução ainda não existe da forma como pensa, você precisa começar a achar pessoas que concordem contigo e tenham a mesma visão e motivadas a ser empreendedores. Não espere por uma oportunidade perfeita, siga um plano, teste no mercado o máximo possível. E ao máximo possível não depender tanto de capital externo, como empréstimos. As vezes uma rede friends and family ou até do próprio bolso vão ajudar muito mais. Faça acontecer! Até consolidar a empresa, no geral passei por ciclos de 3 anos. Não tem como esperar que seu time trabalhe como gostaria, se você próprio não faz também. Depois disso fui passando o cargo e hoje funciona muito bem. Os incentivos de quem está ali têm que estar bem alinhados.-

  • Teria alguma dica (pulo do gato) para alguém recém formado que queira seguir na área de consultoria, se dar bem?

    Sempre participe de algum grupo fora do curso, Empresa Júnior, NEO, algum grupo que seja mais focado em gerenciamento, projetos; para essa área priorize essas atividades ao invés de uma bolsa de pesquisa por exemplo. Se preparar bastante também é uma boa, o PrepLounge é uma boa ferramenta para esse preparo, tanto para entrevistas fora ou dentro do Brasil, ajuda muito mesmo.

  • Você recebeu algum apoio do DAS nos momentos de buscar intercâmbio?

    Sim, na época o BRAFITEC (programa de intercâmbio entre Brasil e França) era próprio da engenharia elétrica, então precisei e obtive o apoio do DAS na abertura de vagas para automação.

  • O que você sentiu falta de matéria no currículo? Em que área?

    Senti falta de uma matéria mais aprofundada de contabilidade ou administração, que foque no empreendedorismo. Embora tenha sido muito útil o que aprendi, senti que o currículo do curso carece um pouco nessa parte.

Mensagem Final aos estudantes

Todos passamos por um momento meio desanimado do curso, que as vezes a gente não sabe muito bem o que fazer ou se faz sentido estar estudando aquilo, e com certeza 90% das pessoas realmente não vão usar tudo aquilo. Mas vale muito a pena ir até o final! É um curso muito bem visto, dá essa visão geral de várias áreas das engenharias. Dos cursos que eu já ouvi falar e pessoas que conversei ainda vejo como uma das engenharias mais completas. E lembre-se também que a vida não é só estudar, cuide da parte mental, faça exercícios físicos, saia bastante também. As vezes é muito mais importante parar, dar uma renovada para aí sim manter um bom nível nas disciplinas. Siga até o final que vale a pena!