Entrevista

23/05/2018


Acrescentando ao portfólio do Alumni Automação UFSC, essa semana temos Fábio Pedrotti Terra, que leciona no IFSul. Antes disso, passou pela Chemtech e Braskem, na área de projetos de engenharia de instrumentação para refinarias e petroquímicas. Fábio, que nasceu e hoje mora em Pelotas, ingressou na UFSC em 2002, e se formou em 2007. Confira!

  • Por que escolheu automação?

    Eu fiz ensino médio concomitante com o técnico em eletrônica, foi bem por curiosidade. No final do curso, fizemos um projeto de robótica. Além da eletrônica, tivemos que aprender mecânica e desenvolver peças, fizemos todas as partes do robô. Eu e meus colegas de grupo começamos a pesquisar onde poderíamos encontrar uma engenharia que estudasse isso. Na época, a opção mais perto era a PUC em Porto Alegre. Fomos atrás das federais, e no guia do estudante o curso da UFSC já pontuava como a melhor engenharia de controle e automação do país. Aí fechou, estudamos bastante e conseguimos entrar.

  • Como era seu dia a dia no curso? Saía muito? Estudava muito?

    A turma 02.2 era bem unida, estávamos sempre inventando algo, saíamos de vez em quando, fazíamos churrascos e festas. Mas também estudávamos bastante, não era um curso fácil, e acredito que hoje continua não sendo. Era comum ficar até tarde na biblioteca ou virar a noite estudando ou fazendo trabalhos na casa de alguém ou nos laboratórios do DAS.

  • E os estágios? Buscou oportunidades logo no início?

    Fiz estágios durante a faculdade inteira, inicialmente no S2I, com o professor Stemmer. Entrei no final da primeira fase e fiquei praticamente o curso inteiro estagiando por lá, com programação e processamento digital de imagens. Esse trabalho me proporcionou ir para a Alemanha em 2006, fiz estágio de 7ª fase em Aachen, no laboratório de máquinas ferramentas (WZL) da RWTH. Muitos alunos da UFSC também passaram por lá. A experiência foi muito boa, fiquei uns 6 a 7 meses, e, sim, aprendi alemão (mas também já esqueci.. rs). Voltei pra Floripa, e quando terminei o nono semestre, em 2007, vivíamos um grande crescimento da indústria nacional, especialmente petróleo e mineração. Eram inúmeros aspectos envolvidos, como o câmbio favorável para exportação. A China crescia muito em infraestrutura na época, o que era bom pro Brasil. Esse cenário me rendeu uma vaga para fazer o projeto de fim de curso (PFC) na Chemtech, uma empresa de projetos de engenharia e software, onde já havia alguns colegas egressos da UFSC. Iniciei em Belo Horizonte, trabalhando com projetos de automação para a Vale; e, logo após o PFC, e a formatura, fui contratado como engenheiro.

  • Você fez parte de alguma atividade extra-acadêmica, como CA, DCE, EJ, PET, NEO...?

    Muitos amigos participaram do Caeca e da empresa júnior (Autojun), então, eu acabava frequentando o espaço eventualmente, mas não cheguei a participar, até mesmo em função do estágio.

  • A pergunta que todos fazem, IAA importa?

    Eu nunca fui defensor de que o índice deveria ser sempre o máximo, mas lembro que a gente tentava tirar as melhores notas que podia. Mais que isso, acho que o mais importante é tentar aprender, e se apropriar ao máximo, dos conhecimentos propostos. Não existia uma competição por nota. Lembro, no entanto, que no começo do curso algumas vagas de estágio e oportunidades exigiam nota (IAA) mínima. Até acho que meu IAA não terminou ruim, não, mas nunca foi uma meta. Claro, é bom considerar que, às vezes pro PFC ou primeiro trabalho, o índice pode ser uma referência para a empresa, pois é um documento da universidade que, eventualmente, atesta o bom desempenho do candidato, e isso pode ajudar. Mas vamos lá, nem tanto ao céu, nem tanto à terra, acho que o melhor é manter um certo equilíbrio.

  • “Quem quer ser engenheiro de controle e automação precisa gostar muito de física, matemática e programação”. O que você pensa sobre isso? Na sua opinião é verdade?

    É bem interessante essa pergunta. Olha, facilita bastante se tiver mais interesse nessas áreas, pois, a partir do interesse, o aluno vai desenvolver mais afinidade. Então, por exemplo, se ele tem curiosidade em matemática, física e programação, claro que vai levar mais fácil o curso, e estudar não será um sofrimento. E ao levar mais na boa, vai aprender um pouco mais e ter uma bagagem melhor para encarar o resto do curso. Tem que ser muito bom? Tem que gostar muito? Acho que não, mas sim se esforçar para levar da melhor forma possível e aprender o que é proposto. Não precisa sair especialista em tudo, mas sim conhecer e saber utilizar as ferramentas certas. Muitos se perguntam quando que vamos usar tudo que é visto em cálculo e física. É o mesmo que perguntar para alguém que faz academia quando que essa pessoa vai precisar levantar 500kg de alguma coisa... Não é para isso que se faz academia, mas sim pra fortalecer, se sentir melhor.. Podemos extrapolar essa analogia para as disciplinas da faculdade também. Não deixa de ser um exercício pro nosso cérebro, nossa capacidade de resolver problemas e encarar desafios. Isso vai nos tornando mais fortes para encarar os problemas da vida real, que são os que realmente importam e, para os quais, normalmente, não há chance para tentar de novo ou fazer recuperação..

  • Quais matérias achou mais complicado na faculdade?

    Acho que uma das matérias mais marcantes foi Sinais 1, que na época estava sendo ministrada em colegiado, a primeira parte pelo Prof. Julio, e a segunda parte pelo Prof. Bira. Foi a primeira disciplina que lembro de ter tido bastante dificuldade para passar e meus colegas também. Passei no limite (risos). Com isso acabei melhorando até o jeito de estudar. Depois, com realimentados foi difícil também, mas já consegui passar um pouco melhor. Também estudei muito, até pela fama de difícil que a disciplina tinha. Em linhas gerais, gostei bastante do curso, de todas as disciplinas. Tentei aproveitar o máximo que dava. É claro que são muitas coisas ao mesmo tempo, muitos conteúdos simultâneos, e às vezes temos dificuldade de dar o devido valor para tudo. Confesso que tive que me esforçar bastante ao longo do curso. Não tinha lá muita “facilidade” de aprender alguns conteúdos, como era o caso de alguns colegas mais “prodígios”.

  • Você chegou a participar da organização do Linguição da Automação? Como foi essa experiência pra você?

    Na época do linguição da minha turma eu estava na Alemanha, mas participei de vários outros. Na edição da turma 02.1 até ajudei na churrasqueira. Foi um sufoco.. (risos).

  • Como foi sua trajetória depois da faculdade?

    Logo após a conclusão do PFC, e da formatura na UFSC, no início de 2008, a Chemtech ganhou um contrato para projetar uma refinaria de petróleo da Petrobras, a RNEST, e precisava de novos engenheiros para formar a equipe de trabalho em conjunto com profissionais mais experientes da empresa. Fui um dos escolhidos, e segui de Belo Horizonte para o Rio de Janeiro. Trabalhei nesse projeto por mais de 3 anos. Atuava na equipe de Engenharia de Instrumentação. Até em função disso, acabei cursando uma pós-graduação de Engenharia de Instrumentação Industrial no IBP (Instituto Brasileiro do Petróleo). Nesse meio tempo, também atuei em alguns projetos da Braskem, no polo petroquímico de São Paulo. Em 2011, o escritório de Porto Alegre da Chemtech estava crescendo bastante e precisava de um engenheiro para coordenar a equipe de instrumentação. Acabei me mudando para Porto Alegre, onde trabalhei por quase dois anos, desenvolvendo projetos para a Braskem, no polo petroquímico de Triunfo, e também dando suporte a projetos desenvolvidos na matriz do RJ, como a Refinaria Premium. Nesse meio tempo, iniciei um MBA em Gerenciamento de Projetos na FGV, concluído em 2014. Em 2012, em função da retração nos investimentos dos principais clientes, a Chemtech acabou fechando o escritório de Porto Alegre. Então, consegui uma oportunidade para trabalhar na equipe de assistência técnica de engenharia, no canteiro de obra da Refinaria do Nordeste (RNEST) em Pernambuco. Em 2013, recebi uma proposta para trabalhar com gestão e fiscalização de projetos, na Diretoria de Engenharia e Projetos da Braskem, novamente no polo petroquímico de Triunfo/RS. Até esse momento trabalhava muito mais com eng. de instrumentação. Lembram do “medir-comparar-atuar”? Pois bem, a instrumentação é a área da eng. que permite medir as variáveis de interesse (PV) e atuar no processo (MV). Na Braskem, entrei em uma área mais de gestão, bem interdisciplinar, e precisei aprender bastante sobre outras áreas (processo, tubulação, mecânica, civil, segurança, etc.). Foi uma ótima experiência.

  • Como chegou na educação, depois de tantos anos de indústria?

    Pois bem, em algumas conversas com minha esposa avaliamos a possibilidade de morar em uma cidade menor, preferencialmente, próximo de uma de nossas famílias. Estávamos um pouco cansados de grandes centros urbanos. Além disso, sempre admirei o poder de transformação individual e social da educação. Assim, confesso que ficava um pouco pensativo em atuar na área. Até já havia ministrado alguns treinamentos e palestras, mas sempre com a visão da indústria. E me imaginava como professor apenas num “pós-carreira”. Então, fiquei sabendo de alguns concursos abertos para os Institutos Federais. Falei com amigos que atuavam na área e resolvi “pagar pra ver”. Na época, havia um concurso aberto para o Instituto Federal Catarinense (IFC). Tirei uns dias de férias por vencer e estudei bastante. Acabei passando. Confesso que pedir demissão foi um momento difícil, de grande dúvida, até porque gostava bastante do meu trabalho. Em 2016, iniciei como professor no IFC de São Bento do Sul - SC, um campus novo. Atuei na Eng. de Controle e Automação, nos cursos técnicos de Logística e de Automação Industrial, e também em cursos rápidos de CLPs e de Informática. Além da preocupação com as aulas, ainda ajudamos a colocar o campus em operação, lidando com inúmeros desafios de suprimentos, infraestrutura, currículo dos cursos, etc. Foi um desafio e tanto, com grande aprendizado. Valeu à pena, pois o campus hoje é um sucesso. Em 2017, em função da remoção da minha esposa para a cidade de Pelotas/RS, vim trabalhar no IFSul. Aqui atuo em disciplinas de Eletricidade, Análise de Circuitos e Automação, no curso técnico de Eletrotécnica; e Introdução à Engenharia, Automação Predial e Sistemas Integrados de Manufatura, no curso de Eng. Elétrica. Entre 2016 e 2017, cursei algumas disciplinas de mestrado, como aluno especial, na UDESC e na UFRG, para me capacitar melhor. Agora, em 2018, comecei como aluno regular no programa de Mestrado da Universidade Federal do Rio Grande (FURG).

  • Como funciona essa transferência entre trabalhar no IFC e IFSul?

    É bem burocrático, como em todos os serviços públicos. Temos que ver se existe uma lei que respalda esse deslocamento e com base nisso, podemos solicitar. No meu caso, como minha esposa também é servidora pública e foi removida para cá, no interesse da administração, havia essa possibilidade legal de acompanhá-la.

  • Quando decidiu que a educação seria uma boa opção?

    Sempre gostei da área de educação, mas minha experiência até então tinha sido apenas como aluno. Tanto na época de escola técnica, como na graduação e nas especializações, tive ótimas referências de professores. Admirava o trabalho deles. Acho que estar hoje trabalhando com educação e ser professor não foi algo que realmente tenha buscado, apesar de já ter pensado como um “pós-carreira”. A oportunidade apareceu no meu caminho, e topei o desafio. Tem sido uma oportunidade muito boa de crescimento. O aprendizado é diário. Muita gente me pergunta sobre a questão salarial. De fato, comparando com a indústria, a remuneração inicial é significativa menor, mas há um plano de carreira com previsão de progressões que vão melhorando a situação. Em contrapartida, acho que, em algum momento da vida a gente se dá conta que nem tudo é dinheiro. É claro que esse momento e esse limite devem ser uma conclusão individual Além disso, pra mim sempre foi importante a sensação de chegar em casa no fim do dia e pensar “que diferença e impacto positivo pude causar hoje, que problema consegui resolver?”. Pra nossa realização pessoal e profissional, me parece fundamental esse mindset de tentar fazer sempre o melhor. Então, algo que acho muito interessante na educação é seu poder de transformação positiva nas pessoas, é fantástico! E mesmo sendo “novo na área”, já percebo isso, tanto nos alunos, como em mim mesmo. O impacto positivo que a gente causa nos outros, reflete na gente também, e nos motiva a fazer cada vez mais e melhor. É claro que, pouco a pouco, é isso que vai dar mais retorno pra sociedade.

  • Como foi sua saída da faculdade na questão salarial? Correspondeu suas expectativas?

    Acho que é importante essa reflexão de pensar onde se quer chegar, mas também não se apegar apenas ao salário. Pensar no crescimento, na carreira, no aprendizado, nas oportunidades futuras. Quando eu me formei posso dizer que tive a sorte de estar em uma oportunidade de emprego muito boa, ganhando bem e com vários auxílios, e isso me ajudou a formar um bom patrimônio antes do que imaginava. Vejo que depois de todo esforço é justo que a gente espere ser bem remunerado, mas é bom lembrar: primeiro devemos fazer valer o que estamos ganhando e manter esse pensamento no dia a dia de trabalho. Outra coisa que eu acho que ao longo da carreira precisamos pensar também é a questão da felicidade, que tanto se fala. Claro que é importante se dedicar muito, construir uma carreira de sucesso e ganhar bastante dinheiro. Mas qual esse limite? O que pra ti é importante? É preciso gostar do que se faz, identificar o propósito do seu trabalho.

  • Qual a melhor forma de enfrentar o mercado de trabalho?

    Com certeza o pessoal que está saindo agora pode dizer que o mercado já foi melhor, mas também podemos dizer que já foi pior. Ou seja, sempre já terá sido melhor ou pior. Então, temos que acreditar no nosso potencial, reconhecer a realidade que estamos enfrentando, seja ela qual for, e lutar pelo melhor possível nesse contexto. Se você busca muito um trabalho em uma grande empresa, por exemplo, mas não está conseguindo, talvez seja melhor aceitar que o momento não está oportuno, e buscar outra forma de trabalho, seja numa empresa menor, seja em outro segmento, ou mesmo empreendendo. Não que tu vais deixar de acreditar naquilo que pensavas, mas se adequar à realidade é um ponto importante. É o lance da tão falada resiliência.

  • Como você se vê daqui à alguns anos? Pretende continuar nesta área? Fazer o que da vida?

    Algumas coisas eu já conclui ao longo desses anos. Não faço planos como algo restrito a se chegar, é bom um pouco de surpresa também. Acho que temos que estar preparados para encarar as mudanças, caso as coisas não aconteçam como planejamos. Daqui a 5 anos me vejo realizado, trabalhando. Se vai ser como professor não sei dizer (risos), mas com certeza vou continuar feliz e fazendo o melhor que der. No início, queremos muito buscar grandes centros, novas ideias, oportunidades no exterior, isso é ótimo. Agora depois de 10, 15 anos trabalhando já não me vejo mais em grandes centros, nem morando definitivamente no exterior, pois valorizo cada vez mais as relações familiares, as pequenas e sucessivas conquistas e realizações do dia-a-dia. A vida é uma sucessão de momentos e oportunidades, e nesse momento valorizo bastante o convívio com família e amigos. Acho que foram muito boas as experiências que tive até então, valeu muito à pena. Se você tiver a oportunidade de desbravar o desconhecido, e se isso demandar ir para um grande centro urbano ou para o exterior, vá, o faça, mas hoje já não vejo isso como caminho de vida obrigatório.

  • Você viu apoio do DAS (professores) aos alunos ao longo do curso nos momentos de buscar bolsas, estágios, informações sobre o mercado?

    Com certeza, de todos! Particularmente, não busquei muita ajuda no departamento, pois muitos colegas traziam referências de oportunidades. Por exemplo, na Alemanha eu fiz o estágio de 7a fase, viabilizado por meio de um projeto de cooperação do Prof. Stemmer com o pessoal do WZL da RWTH Aachen. Foi ele, além dos mestrandos, doutorandos e outros alunos que já haviam estagiado por lá, que me deram todo apoio, com dicas e orientações. Acho importante desenvolver boas redes de relacionamentos, tentado agir sempre de forma comprometida e correta. Às vezes, podem surgir boas oportunidades de onde menos esperamos.

  • Muitos alunos dizem que o curso dá uma visão ampla, mas superficial de muitas áreas do conhecimento. Você concorda com isso?

    Na minha opinião, nosso curso é ótimo, ele prepara pra pensar, resolver problemas e vai ser um ferramental básico para estar preparado para trabalhar em inúmeras áreas no futuro. Mesmo nas engenharias mais antigas, como elétrica e mecânica, há “infinitas” possibilidades de atuação profissional. Para nós não é diferente, o engenheiro de controle e automação pode trabalhar em inúmeras áreas, que é muito do que o Alumni tem mostrado inclusive. Existe também a discussão de "A universidade não prepara para o trabalho". Bem, não acho que esse seja o papel da universidade. Ela tem que preparar pra pensar, desenvolver conhecimento, raciocínio, tecnologia, inovação. E não ser um lugar para meramente aprender um ofício, muito menos considerando todas as áreas em que se pode vir a atuar, até por que seria impossível cobrir todas as áreas com a devida profundidade. Além disso, a partir do momento que se entra no curso, até chegar no mercado de trabalho, 5 anos mais tarde, o mundo já mudou. Não dá pra imaginar que o profissional que está entrando hoje vai trabalhar em algo específico daqui a 5 anos, por isso eu discordo nessa questão.

  • Existe algo que se arrependa na época de graduando?

    Acho que não me arrependo de nada, e isso tem um pouco a ver com a chegada da maturidade. Acho que vamos aceitando melhor as escolhas que fizemos, tocando sempre pra frente, e evitando de gastar energia com eventuais arrependimentos de escolhas prévias. Claro, é importante refletir sobre as escolhas feitas, pois podem render boas lições a serem aprendidas, mas não no sentido de se arrepender e chorar amargamente, nem de se vangloriar pelo resto da vida de algo que já passou.

  • Você notou alguma lacuna muito grande na formação do ECA?

    Com certeza todos os egressos vão dizer que houve alguma lacuna na respectiva área em que estão trabalhando hoje. Eventualmente, pode ter faltando alguma coisa na parte de gestão, ou elétrica, ou mecânica aplicada, mas será que faltou mesmo? Acho que não. Nosso curso tem uma formação muito boa no que se propõe, que é formar um engenheiro capaz de desenvolver raciocínio a partir de hipóteses, de estruturar uma ideia e chegar em uma conclusão com fundamentos. O curso realmente prepara pra pensar e resolver problemas. Claro que às vezes temos que cuidar para não cair só na questão teórica, e sair do curso com mania de elocubrar soluções mirabolantes para tudo. A prática, a simplicidade e a implementação também são muito importantes e fazem parte da sua missão enquanto engenheiro. Acho que o fundamental é ter sempre humildade de olhar o que não deu certo e aprender melhor.

  • Que recado/recomendações você passaria para um calouro que está entrando na universidade agora?

    Com a idade que a gente entra no curso é realmente difícil dizer que se tem certeza que aquela escolha será pelo resto da vida. Como tive experiência na escola técnica, e feito estágio na indústria antes da faculdade, já tinha um pouco mais de noção, mas não muita também. Vejo que o ser humano é muito dinâmico. Claro que temos aptidões mais desenvolvidas para algumas áreas, mas as próprias áreas proporcionam essa flexibilidade. Não quer dizer que um futuro engenheiro hoje começando a carreira na UFSC não poderia ter sido um bom veterinário ou médico. É mesmo difícil saber o que vem pela frente no curso, e com o que se pode vir a trabalhar, até porque as possibilidades são infinitas. A minha dica seria: acredita em ti. Aproveita essa oportunidade fantástica que estás tendo de fazer um curso excelente, em uma das melhores universidades do país. Aproveita essa oportunidade que muita gente não tem, e nunca não vai ter, de aprender tudo o que puder, acumular essa bagagem, fazer amigos, ter referências, experiências de vida, de educação e profissionais. Se tens dúvida se era isso mesmo que querias, segue! Bola pra frente, não dá pra desanimar! Agora, se já tens absoluta certeza de que não era bem isso, pica tua mula o quanto antes e não perde mais tempo.

Mensagem Final aos estudantes

O mais importante não é o que “cai na prova”, mas sim o que “cai na vida”. E isso, meus caros, ninguém sabe previamente. Portanto, aprendam tudo o que puderem. Sejam humildes para reconhecer a própria ignorância em determinados assuntos e curiosos para aprender sempre, respeitando a importância dos diferentes saberes. E acreditem em vocês, no potencial de vocês. Não se abatam com as dificuldades. A vida é uma sucessão de desafios e dificuldades, passar por elas é bom, a gente cresce, amadurece e fica mais forte. Não esqueçam dos amigos e da família. Tê-los por perto e ser-lhes útil pode ser importante quando menos se imagina. Não se tornem arrogantes. O fato de terem conseguido entrar na universidade e, dentro em breve, virem a se tornar engenheiros de controle e automação não torna vocês melhores que ninguém. Aprendam com as pessoas, valorizem experiências e conhecimentos diversos. E tentem sempre contribuir para os melhores resultados, seja onde for.