Entrevista

09/08/2017


Fábio foi aluno da segunda turma da Engenharia de Controle e Automação da UFSC, se considera quase uma cobaia do curso, que o moldou para ser hoje um especialista no ramo da aviação, passou por Embraer, Bombardier e hoje atua na Gulfstream. Confira nossa conversa da semana!

  • O que a Gulfstream faz?

    Ela é uma empresa que desenvolve e fabrica aviões corporativos, jatinhos executivos. Geralmente os compradores são empresas que transportam diretores, executivos, ou particulares. Os EUA é o maior mercado da Gulfstream, depois vem o Brasil, acredite se quiser. A quatro anos atrás, o Brasil era o primeiro, se não me engano. No Brasil tem muita gente que ganha muito dinheiro, seja licitamente ou ilicitamente (risos).

  • E o que você faz lá dentro?

    Eu tô trabalhando em Flight Controls, na área de integração. Um sistema de Fly-by-wire é composto de vários computadores trabalhando em paralelo, que processam, as leis de controle high level e tem outros, dentro da arquitetura computacional do Sistema, que vão fazer a malha fechada em cima dos atuadores eletro-hidráulicos que movimentam as superfícies. Esses computadores ”centrais”, que a gente chama de Flight Control Computer (FCC) incluiu até a leis do controle do piloto automático. Nesse caso a aviônica, outro Sistema computacional distinto, gera uma trajetória, derivada do plano de vôo do avião, essas informações entram pro FCC, e a funcionalidade de piloto automático vai processar aquela informação e vai transformar em comandos de superfície pro avião executar a atitude e seguir a trajetória que ele tem que seguir, que no fundo no fundo se você for ver é parecido a se programar um robô para seguir uma trajetória qualquer. Perceba que os conceitos técnicos básicos são os mesmos, o que muda é a aplicação. O que eu faço hoje é a integração (Elétrica, Eletrônica, Comunicação) de todos esses computadores, a gente trabalha na definição de requisitos de interface, definição de requisitos de equipamento (parte física), definição de redundância, enfim, trabalho com definição de requisitos de vários aspectos (performance, interface, ambiente, etc) e isso tudo é chamado de integração. Hoje, devido ao nível tecnológico dos equipamentos instalados no avião, eu digo o seguinte: que o avião é um enorme robô que voa! (risos) Então, tudo que você aprende no curso de Automação é muito aplicável.

  • Quando e porquê escolheu automação?

    Quando eu assisti “O exterminador do futuro 1” (no cinema). Sabe aquela cena que eles estão fugindo do exterminador e eles entram em uma fábrica totalmente automatizada? Foi nessa cena que eu falei, nossa eu quero fazer aquilo! Eu devia ter uns 12 anos. Eu tentei vestibular em São Paulo, na UFSC e acabei passando aí. Nós fomos a segunda experiência (segunda turma da automação), passamos por muita coisa porque o processo era pesado. Depois disso, eu acho que eles avaliaram algumas coisas no currículo, porque era um massacre né... Mas tudo bem, deixaram a gente com a pele bem grossa, formaram a gente para o mundo digamos assim. Eu agradeço até hoje a formação que eu tive porque, por exemplo, na Embraer, eu ganhei todo mundo na entrevista porque eu falei e mostrei pra eles exatamente o que eles queriam. A matéria de Projeto de Software do professor Jean-Marie me ajudou bastante nisso, a materia me deu uma boa base em desenvolvimento de software, que era o que eles estavam procurando. A gente sempre brinca ou critica os professores, mas eu só tenho a agradecer a formação que tive, mesmo dizendo que foi truculenta, que fomos massacrados.

    Quando foi criado o curso da automação, apesar de ter sido gerado de um debate ou acordo entre elétrica e mecânica, no meu ponto de vista, merecia mais discussoes quanto ao curriculo. Por muitos anos, nosso currículo parecia muito mais uma especialização da elétrica do que necessariamente um curso de automação. Logo depois, a mecânica da UFSC cria a especialização em mecânica de precisão e usando muito o background que nos tinhamos. Então percebe-se que naquela época envolvia uma certa falta de sincronismo entre os departamentos e isso nao se resolveu, e quem perdeu foram os estudantes. O que eu quero dizer com isso é, tem relação com como eu vejo a automação: a automação precisa de base da elétrica e precisa da mecânica, mas eu acho que a automação na UFSC não tem muito da base de mecânica que deveria ter. Atualmente não existe só automação de processos na indústria, há a automação de processos, sejam eles residencial, comercial, etc.. Nosso curriculo não teve por muito tempo uma materia de projetos, onde se pudesse combinar todas as areas de conhecimento as quais eramos expostos, automacao tem que ser entendida como automacao de processos, sejam quais forem e projeto de dispositivos inteligentes.

    Hoje em dia, com todos os dispositivos inteligentes que necessitamos você precisa ter noção de eletrônica, , mecânica, elétrica e controle... E isso o engenheiro de controle e automação tem!

  • Como eram as aulas naquela época?

    Algumas tranquilas outras muito complicadas, que dizimaram a nossa turma aos poucos (risos). A gente da risada disso tudo, mas a maioria dos professores não tiveram a oportunidade de ter uma experiência de indústria, eles eram muito acadêmicos e nos do nosso lado muitas vezes sentimos falta de exemplos aplicados para um melhor entendimento. Mas eu entendo a nossa necessidade de como aluno, de querer mais exemplos pra entender melhor o conteudo. Hoje se tem muita informação na internet pra ser buscada, vai depender do aluno também, do interesse, porque é muito conveniente ficar do jeito que está.

  • Como era seu dia a dia no curso? Saía muito? Estudava muito?

    Eu era meio caxias nessa questão porque eu queria terminar logo, me preocupei em aprender realmente. Às vezes isso virava uma boa nota, às vezes nao. Eu não queria virar dinossauro lá dentro, queria começar a minha vida, trabalhar com robótica... Claro que eu também reprovei, matei aula, enchi a cara, fazia churrasco... Éramos unidos porque a turma era pequena, acho que na época entravam 15 ou 20 por ano. Na época nem tinha infra-estrutura suficiente pra receber todo mundo... A secretaria era numa salinha emprestada da elétrica, a gente tinha que compartilhar todos os laboratórios da elétrica e da mecânica, não tinha nada nosso, no final surgiu um laboratório que tinha a simulação de um processo industrial. Acho que nós fomos os desbravadores e as cobaias da Automação.

  • Você fez parte de alguma atividade extra-acadêmica, como CA, DCE, EJ, PET, NEO...? Em que função e o que te ajudou no mercado?

    No meu segundo ano começaram as conversas de fundação de um centro acadêmico, ajudei em algumas coisas no início, mas depois acabou enchendo meu saco e eu achei que tinha mais coisas pra fazer. Também fiz alguma bolsa na Fundação CERTI, fiz iniciação científica, fiz estágio na Brahma em Campos no RJ, na primeira fábrica automatizada deles. Quando você faz um estágio em uma empresa importante, como a Brahma, isso pesa no currículo porque você já passou por um processo seletivo criterioso, tem muita gente querendo entrar pra uma grande empresa. Não lembro de na epoca haver tantas opcões na época.

  • Quais matérias achou mais complicado na faculdade? Possui alguma história engraçado com algum professor?

    Teve um professor que já faleceu, o Guilherme Bittencourt, que dava aula de Inteligência Artificial. Ele chegou no primeiro dia de aula, falou bom dia e começou a falar, a despejar matéria e não parava mais. Eu olhava pro pessoal, o pessoal olhava pra mim e aí no final ele olhou pra a gente e falou: "Pessoal, vocês estão entendendo alguma coisa?" Eu respondi "Pode ser sincero? Depois do bom dia eu não entendi mais nada." Todo mundo deu risada porque realmente ninguém estava entendendo nada, matéria super complexa.

    As matérias mais complicadas foram as iniciais do Julio, que era Controle de Processos e depois Realimentados. O porque de eu acha-las complicadas, eu acredito, deve-se ao fato de parecerem muito mais uma especialização de matemática do que uma coisa palpável de engenharia, e essa é uma grande crítica que se tem ao ensino da teoria de controle em geral, nao somente na UFSC, que não precisa ser uma especialização de matemática. Tem que ser uma coisa palpável. Muita gente não entendeu para o que servia o controle, não porque o Julio é um mal professor, ele é um excelente professor, mas na estratégia de ensino precisa mastigar um pouco mais aquilo porque precisa de coisas palpáveis pra engenheiros entenderem. A prova dele, por exemplo, já chegou a ser mais de um dia de duração, foi um final de semana inteiro... Não era mole não (risos). Se você erra um sinal, um numerozinho, você leva tua resposta pro infinito! E agora, onde está o erro? (risos). Algumas pessoas desistiram do curso porque realmente não aguentaram, não precisava ser assim, mas já passou.

  • Você viu apoio do DAS (professores) aos alunos ao longo do curso nos momentos de buscar bolsas, estágios, informações sobre o mercado?

    Eles se esforçavam pra ajudar a gente sim, não posso reclamar não, mas olha, a gente estava numa época muito complicada, ninguém tinha dinheiro pra nada e as universidades estavam sendo sucateadas também. Por mais que houvesse boa vontade, não havia recursos.

  • Muitos alunos dizem que o curso dá uma visão ampla, mas superficial de muitas áreas do conhecimento. Você concorda com isso? Acha isso positivo ou negativo?

    Automação tem que ser uma coisa bem balanceada com eletrônica, controle, mecânica e computação. No meu caso, eu acredito que tenha que saber um pouco mais de mecânica porque se você for controlar processo você tem que entender movimento, temperatura, fluxo, vibração... Isso você vai achar em mecânica dos fluidos, termodinâmica, dinâmica de sistemas, resistência de materiais junto com lineares, realimentados. Não-lineares, pra mim, poderia ser uma optativa. Você tem que ter robótica, eletrônica, sistemas digitais, boa base de física e matemática. Laboratórios especializados quando entra na parte profissionalizante do curso e uma boa matéria de integração de projeto pra pegar todos os conhecimentos que você aprendeu, escolher um assunto e desenvolver um projeto. O mundo que você vai trabalhar, pelo menos no meu mundo, é mecânico. Se você estiver terminando o curso e acha que está meio falho quanto a essa questão, procure uma pós graduação nesta área que com certeza não vai ser coisa demais e vai ajudar a preparar pra qualquer oportunidade que aparecer.-

  • Existe algo que se arrependa na época de graduando? Há algo que você mais se orgulha?

    O que eu mais me arrependo é não ter me divertido tanto quanto eu gostaria. Eu não me arrependo de ter ido para Florianópolis, foi uma escolha pessoal minha. Me dedicar a estudar e de repente não fazer tanta festa quanto eu gostaria, tentar terminar o mais rápido possível para conseguir um emprego foi uma opção minha. Portanto eu tenho que estar feliz com as minhas decisões. A gente viveu em uma época muito difícil, época do Presidente Collor, a gente não tinha dinheiro para nada, tinha amigo meu que comia pão seco de noite pois não tinha dinheiro para jantar, e eu também comi algumas vezes. Foi muito difícil, mas foi muito bom no ponto de vista de dar a maturidade suficiente para a gente poder depois viver sozinho e encarar a vida. Não me arrependo de nada pois as escolhas que fiz foram conscientes.

    Uma coisa que eu me orgulho é de ter passado numa das melhores faculdades da época numa cidade como Floripa, o curso de renome me deu uma base muito boa.

  • Qual foi sua trajetória após sair da faculdade?

    Eu saí da UFSC e já comecei um mestrado em robótica na POLI. Porém em poucos meses que eu estava lá eu fui chamado e contratado para trabalhar na Embraer, e aí o mestrado ficou de lado. Em seguida comecei a fazer outro mestrado no ITA, na área de mecatrônica, com um o professor muito bom, Luiz Carlos Góes. Lá também não consegui terminar pois quando eu estava terminando as matérias eu fui contratado para trabalhar na Bombardier, em Montreal, no Canadá. Então o meu mestrado ainda está em aberto, ou seja, fiz todas as matérias, todos os trabalhos, comecei a escrever o texto final, mas não consegui terminar e apresentar. Pode ser que esta é uma das frustrações que eu tenho, pois gostaria de ter o título de Mestre. Agora não sei se consigo ter vontade para fazer um mestrado técnico novamente, e se for para fazer alguma coisa, será na área administrativa. Depois de 20 anos eu não quero mais ficar calculando malhas de controle.

    E isto pode ser uma dica interessante para vocês: ser engenheiro é muito bom, te dá orgulho, uma boa visão, "fiz engenharia, passei na melhor faculdade, sofri pra caramba, sou muito bom", mas engenharia no contexto geral é mais um item que entra no balanço final de uma empresa. O que eu quero dizer é o seguinte, você pode continuar engenheiro, mas é preciso, depois de um tempo, construir pilares como uma boa formação técnica para entender daquilo que você se formou, ter uma noção de contabilidade e finanças, noção de planejamento e ter noção de liderança. É preciso entender um pouco disso, não só para profissão como para a própria vida. Se você está decidido a seguir uma carreira de gerente, gestor, vai precisar disso de qualquer jeito, para ter a ambição de subir na carreira e mudar de engenheiro para diretor, por exemplo.

    Eu queria ter feito MBA há dez anos, mas acabei adiando e hoje eu faço cursos online. a pessoa tem que entender como funciona o “business” (significa entender os processos tecnicos da area em que trabalha) antes de partir para gerência, mas isso auxilia pois hoje, por exemplo, com 20 anos de experiência na área eu já não posso conversar com os diretores, vice presidente da empresa, quando me param no corredor, e falar sobre polos e zeros. tenho que ter a linguagem correta, com noção administrativa, financeira, saber como estamos ou como vamos impactar nos resultados da empresa. portanto, não percam as oportunidades de ter esse background de gestão, mas lembro que é muito importante entender do “business” primeiro.

    Bom, e eu fiquei 11 anos na Embraer. Sai de lá e fui trabalhar nos aviões CSeries da Bombardier, onde por 1 ano e meio eu fiz praticamente tudo no grupo de Fly-By-Wire, fazendo definição de diagramas de circuitos elétricos, definição de interfaces, requisitos, funcionalidades e etc. Porém, o Canadá é um país muito frio, e quando apareceu a oportunidade de vir para a Gulfstream com um salário mais alto, num começo de projeto, numa cidade com um clima muito melhor (calor rsrs), sendo que Bombardier eu não sentia que a empresa estava muito bem, então decidi aceitar a oportunidade de ir para os EUA.

    Portanto, vim para os EUA já faz 6 anos, comecei a trabalhar no projeto novo (GULFSTREAM G500/600), trabalhei em trem de pouso, freios, parte hidráulica, e depois fui alocado para dar suporte ao G650, novamente na parte de Fly-By-Wire. Mesmo estando na área de suporte, ainda tem um pouco de desenvolvimento. Mesmo que se acabe um projeto, sempre aparecem oportunidades de melhorias, e trabalhamos nisso. Então hoje minhas atividades estão entre desenvolvimento, levantamento de requisitos, testes, certificações, tendo um dia-a-dia legal, comparecendo aos laboratórios, voos no simulador, contato com fornecedores, aviões de clientes, e a parte de ficar no escritório.

    E o legal é que aqui na Gulfstream, o pessoal que vem da Embraer é muito bem conceituado, e eles acabam gostando bastante da gente, tanto que auxiliam que você permaneça aqui com eles. Então, se você está na Embraer e continuar na empresa, tente aprender o máximo que puder pois ela é uma grande escola de desenvolvimento de projetos aeronáuticos. Vão existir diversos problemas e coisas que irá gostar, mas é a melhor escola de aeronáutica para conseguir um desenvolvimento pessoal, e isso abre as portas para o mundo. Já fui chamado para trabalhar no Japão, Nova Zelândia, Europa, e aqui nos Estados Unidos para área de robótica, que é o mercado do momento demandando profissionais com experiência.

  • Como foi sua saída da faculdade na questão salarial? Correspondeu suas expectativas?

    Lógico que não correspondeu as minhas expectativas. Lembro que quando sai fiz vários processos seletivos, sendo que o da Embraer era o que tinha o pior salário, mesmo assim, ironicamente, acabei indo pra lá.

  • Quando e porquê você decidiu seguir a área de aviação depois de formado?

    Na verdade eu não escolhi, eu fui escolhido (risos). E não me arrependo porque é recompensador demais, me abriu todas essas oportunidades, experiências de vida (durante 4 meses viajei para 32 paises do sudoeste asiatico, oceania e oriente medio suportando o ERJ170 da embraer), trabalho, e pode abrir muito mais. E agora aqui nos eua, assim que eu conseguir a minha cidadania, as oportunidades vao crescer mais ainda, pois algumas coisas eu vou poder fazer como cidadao americano, como trabalhar na nasa, exército americano, por exemplo. Nesse aspecto é muito interessante.

  • Como você se vê daqui à alguns anos? Pretende continuar nesta área? Fazer o que da vida?

    Estou planejando fazer o mba em finanças. Há diversas variedades de mba, como planejamento, gestão de projetos... Quando me perguntam sobre qual fazer eu digo: você quer abrir seu leque de oportunidades? Então faça um em finanças. Pois todo mundo precisa de alguém que trabalhe com isso, e escolher enfase em planejamento, ou outras areas.

    Assim, quero sair da área de engenharia e passar para uma área de gerenciamento, porém eu não descarto continuar na área técnica, mas num nível elevado, como um "principal engineer" aqui da Gulfstream. Porque aqui nos estados unidos eles dão muito valor para carreira técnica, então mesmo sendo de uma área técnica a vida toda, sua remuneração vai ser muito boa também, dah para ter uma vida totalmente confortável. No Brasil, dificilmente se conseguiria isso sendo somente um engenheiro.

  • E trabalhar nas empresas do Elon Musk? Como na Space-X, deve ser muito legal, será que pagam bem?

    Muito bem! Prestem atenção no perfil dele, tentem ler mais sobre ele, pois é muito inteligente e focou muito sobre se informar sobre várias coisas diferentes, porque é dai que ele tira suas ideias e ve suas oportunidades de negócio. É um perfil muito interessante para se estudar, e de repente tentar absorver o que é de útil para uma construção da sua carreira, quem sabe. Fui entrevistado pra trabalhar pra Space-X, mas eu teria que subir na plataforma dos foguetes caso fosse necessario fazer troubleshooting, dai eu falei: Não senhor! Tá doido! 2 filhas pra criar, é ruim, hein!!!! Não tenho feedback de como é trabalhar na Space-X, mas todos os projetos que ele anuncia soam bem desafiantes.

  • Você notou alguma lacuna muito grande na formação do ECA? Qual a melhor maneira de completar essa falha?

    Como já mencionei, a ECA não enfatisa o projeto de dispositivos inteligentes, o que ao meu ver é essencial na formação do engenheiro de automação, dentro da minha visão de automação. Eu acho que a carreira deveria ter: Automação de Processos e Projeto de Máquinas Inteligentes. Nesse contexto, entram as matérias de mecânica que listei nas respostas anteriores.

  • Teria alguma dica para alguém recém formado que queira seguir na área de aviação?

    A pessoa deveria ter feito uma boa faculdade, primeiramente, mesmo não precisando tirar 10 em tudo. Isso é bom, ajuda claro, fica bonito, mas o que é mais importante é que você saiba o que você aprendeu, mesmo não sabendo 100%, saber onde procurar. Saiba e tenha segurança daquilo que você está falando.

    Quando você for dar a cara pra bater, em dinâmicas de grupo por exemplo, a maturidade será observada, e demonstrar segurança no que está falando é muito importante o que te faz sair na frente dos outros. Por mais novos que vocês sejam e talvez imaturos, tenham um plano de vida! Sei que é muito cedo, mas tentem fazer um plano sobre o que você quer fazer, onde quer chegar, em quanto tempo quero chegar lá, como cuidar bem das suas finanças e etc. Se possível, vivam a vida primeiro, esperem para casar e ter filhos depois dos 30. A vida não é composta somente pela universidade e pela parte técnica, portanto vivam, se coloquem em experiências de vida, pois por exemplo, no meu dia a dia, desde que comecei a trabalhar, o meu principal desafio nunca foi técnico, e sim lidar com os mais diversos tipos de personalidades que possam existir no meu caminho. você necessita aprender a negociar com as pessoas.

    Existe um site muito bom para cursos online, o coursera.org, e lá tem cursos oferecidos pela universidade de Illinois, falando sobre liderança. Isso não quer dizer que sairá um líder, mas terá o background e te passarão informações muito importantes para se entender a dinâmica de relacionamentos nos ambientes de trabalho, o que vai te ajudar muito, pois 90% do seu tempo você está negociando com pessoas. É necessária toda paciência do mundo, vai precisar saber convencer muita gente (dentro do contexto de negociacao). Tem que aprender a lidar com gente.

    Uma das coisas que eu fiz, principalmente na Embraer, foi prestar muita atenção na dinâmica das pessoas, como as decisões eram tomadas, etc., pois vocês precisam estar preparados para lidar com o fator humano na vida profissional. Será o seu maior desafio a partir do momento em que entrar no mercado de trabalho.

    Dica: jogue o Microsoft Flight Simulator. Tem um bom tutorial basico sobre avioes e pilotagem. Ajuda a entender a linguagem, jargoes. No youtube há videos sobre o processo de manufatura, diversos tipos de aviões, as fases de projeto, etc. Hoje em dia a internet é uma fonte infinita de informacão sobre quase tudo.

  • Que recado/recomendações você passaria para um calouro que está entrando na universidade agora?

    Que entrar pra automacão foi somente o primeiro passo. Será necessario dedicação e gosto pelo que está fazendo. Tente aprender e não decorar, mas não deixe de lado se relacionar com pessoas, pois isto também é importante no aprendizado.

  • Existe alguma coisa que acredita que esquecemos de perguntar e que seria interessante compartilhar com os alunos de engenharia de controle e automação?

    Sim. “Voce é feliz hoje, sendo um ex-aluno de automacão?” Sim, muito! Bem ou bem, preparou-me para o mundo, mesmo com suas dificuldades iniciais. Sou grato à UFSC e a todos os professores que se dedicaram para fazer de nós, as cobaias iniciais, os melhores profissionais possiveis e acredito que foram muito bem sucedidos. A automacão foi a convergência de jovens muito talentosos intelectualmente. Toda a minha turma passaria na época para medicina se tivessem escolhido aquela carreira. Acredito que ainda hoje, seja a carreira que exige uma das notas mais altas para entrar via vestibular, isto por si só, mostra o nível, o perfil e capacidade intelectual dos jovens que a escolhem.

Mensagem Final aos estudantes

  • A) Dedique-se com amor ao que escolheu
  • B) Faça tudo o melhor possivel, mesmo que não curta a tarefa dada. O resultado e qualidade do seu trabalho é o seu melhor marketing
  • C) Não precisa saber de tudo, mas saiba onde procurar
  • D) Corpo e mente precisam ser desenvolvidos, não deixem a saude em 2º plano
  • E) Aprendam a lidar com pessoas, desenvolvam sua inteligência emocional
  • F) Curtam a vida, ela é uma soh e passa rápido demais!!!!
  • G) Sejam prudentes, na vida corporativa nem todos, ou ninguem é seu amigo, são competidores. Amigos são os caras da escola ou do bairro.
  • H) Não ajude quem não pede ajuda
  • I) Evite relacões amorosas no ambiente de trabalho
  • J) Aprendam sempre algo novo
  • K) Não se deixem manipular
  • L) Saibam falar com cada plateia a linguagem dela. Nem todos sabem o que sao ou para que servem os polos ou zeros.
  • M) Leiam sempre
  • N) Leiam:
    • a. O principe – Machiavel
    • b. Mario Puzo
    • c. As 48 leis do poder - Robert Green
    • d. A arte da guerra
    • e. Leading change – John P Kotter
    • f. Livrinhos da HBR
    • g. Joy at work – Dennis W Bakke