Entrevista

13/03/2019


Confira já!

  • Como foi a vinda para Floripa

    Nasci em Araranguá, mas passei praticamente toda vida em Criciúma. Depois passei pro vestibular, vim pra Floripa e nunca mais saí. Com oportunidades aqui, acabei continuando em Floripa. Meus pais continuam por lá, mas meus irmãos estão todos aqui, também se formaram na UFSC.

  • Por que escolheu automação?

    Eu decidi fazer automação, pois uma vez vi uma competição mundial de robôs e o Brasil representado pela engenharia mecatrônica da USP havia ganhado a competição. Aí eu curti muito isso e comecei a gostar do assunto. Com isso, comecei a pesquisar e vi que na UFSC tinha isso. Além disso, não conseguia me ver em qualquer outra engenharia.

  • Você fez parte de alguma atividade extra-acadêmica, como CA, DCE, EJ, PET, NEO...?

    Eu fiz PAM, até acabei ficando com o apelido de Jovem Pam. Éramos em três, assim ficou eu, o Jovem Pam, o Star Pam, que era o Boava e atual professor da UFSC, e o Geovany, que era o Peter Pam. Nós três fomos até o final. Até fizemos matérias de mestrado em Matemática durante a graduação, mas no fim só o Boava seguiu. Sempre foi algo que desafiava bastante.

  • Você chegou a participar da organização do Linguição da Automação? Como foi essa experiência pra você?

    Acho que minha turma foi o único semestre que não teve linguição. Ele era realizado no salão do grêmio do HU, no semestre anterior ao meu eles fizeram algo (não sei direito o que, não sei se botaram fogo em algo ou sei lá), e depois disso não conseguimos mais reservar o grêmio do HU, pois não queriam mais alugar para o linguição, mesmo a gente indo no DCE e correndo atrás, e isso acabou desmotivando um pouco a galera para corrermos atrás de outros lugares.

  • O que tinha de diferente nos eventos da automação?

    No JECA antigamente a gente fazia o dragster: era competição com dois carros com 4 pessoas dentro e 4 empurrando tinham que chegar até o final, na metade trocavam os que estavam empurrando com os que estavam dentro, isso era feito no asfalto na frente da reitoria.

  • Como surgiu a sua primeira oportunidade de trabalho?

    O meu PFC me levou a minha primeira empresa. Entrei como estagiário na empresa, acabei desenvolvendo um produto, que envolvia placa de circuito impresso e toda parte eletrônica. Ai já apareceu a versatilidade do curso: fiz a placa, os pedidos dos componentes, toda montagem e programação do processador para fazer o funcionamento de uma interface para sistema de controle para etiquetadora na indústria cerâmica. A empresa já tinha esse sistema, mas funcionava em um servidor tipo caixona, sem uma interface para o operador. Com isso desenvolvi a interface que já tinha uma lógica e se comunicava a rede. Acabei começando como estagiário e depois virei sócio da empresa. Depois de me formar até comecei mestrado no DAS, mas como eu já estava nessa empresa de automação vi que não iria conseguir aproveitar as duas oportunidades. Segui para um MBA em Marketing na FGV, que me permitiu entender mais de gestão, finanças, marketing.. Tudo são experiências que vão te agregar, sempre procurando ter a experiência e aplicar com um propósito por vez.

  • Pode explicar um pouco mais sobre a Asksuite para gente?

    A Asksuite é uma empresa que faz um chatbot para hotéis. Basicamente o que acontece é que quando você entra no site do hotel aparece um chat de atendimento, que é a assistente virtual ao cliente do site. É um sistema de Inteligência Artificial que entende a intenção do cliente do hotel, faz a decodificação de linguagem natural, e faz a resposta baseada nas políticas específicas de cada hotel.. Já estamos com tradução de inglês e espanhol e em redes sociais. Também é integrado com o sistema de reservas do hotel.

  • Quais as funções disponíveis para o usuário? Quais os maiores desafios como desenvolvedores?

    A cotação de reservas aparece direto na conversa, além de atender no Whatsapp, Instagram Direct e Facebook Messenger. Tudo adaptado ao design de cada um destes canais. Temos mais de 400 hotéis em 10 meses, como a rede Laghetto de Gramado, Mabu do Paraná, Clara Resorts em São Paulo... Estamos crescendo bastante, é uma baita responsabilidade que envolve aí mais de 17 milhões mensagens já trocadas e em banco de dados. São muitos desafios, principalmente em termos de computação. Usamos tudo em cloud, com sistemas escaláveis. Tem soluções da Amazon que são fantásticas, que são cobradas por uso. Adotamos vários serviços serverless. Ou seja, não precisa de um servidor, você paga pelo uso daquele código, no momento que você executa aquela linha de código, pelo tempo que demora a executar estas linhas de código.

  • Qual é a estrutura atual da empresa?

    Hoje estamos em 20 pessoas. Temos a intenção de dobrar o time logo, já buscando uma sala nova. A gente conseguiu achar uma dor muito forte nesse mercado hoteleiro que é de como um hotel atende em todos os canais de comunicação ao mesmo tempo, 24h por dia. As pessoas querem sempre uma resposta na hora, senão acabam indo para Booking por exemplo. A questão é, as agências virtuais cobram de 11 a 23% de cada reserva do hotel, e acabam se tornando sócios dos hotéis. A nossa "guerra" é justamente que essa reserva aconteça de forma direta com hotéis, principalmente valorizando a experiência do usuário, no canal de atendimento que em que é feita a divulgação da empresa.

  • Qual sua principal responsabilidade na empresa hoje?

    Atualmente sou responsável pela área administrativo-financeira. Somos em 3 sócios, sendo um deles meu irmão - Vinicius. Ele é analista de sistemas e o outro sócio, Rodrigo, fez administração na ESAG. O Rodrigo é responsável pela parte comercial. Já o Vinicius com desenvolvimento de produto, que me envolvo bastante inclusive quando necessário.

  • Como surgiu a ideia do negócio? Deu certo de primeira?

    Meu sócio Vinicius e eu tínhamos uma empresa de desenvolvimento de software para empresas por 5 anos. O Rodrigo tinha uma outra empresa de marketing hoteleiro, que contratou nossa empresa para desenvolver software sob encomenda. Na metade de 2017, montamos em parceria das duas empresas para criação e teste do protótipo do chatbot. A aceitação foi muito boa e começamos a estruturar o negócio a partir dos feedbacks dos primeiros clientes, investindo bastante na tecnologia de inteligência artificial e no atendimento ao cliente.

  • É possível ter uma resposta para todas as perguntas feitas?

    Assim como o Google, a gente sabe que nunca vai entender 100% das perguntas. A média é 75% das perguntas terem uma boa resposta pelo robô. Existe sim uma parcela que ainda não sabemos (e que estamos trabalhando continuamente para entender) e outra que nunca vamos entender - ex. tem clientes que perguntam qual a receita do bolo servido no café da manhã ..rsrs

  • Qual sua visão do mercado hoje para alunos da Automação?

    Vejo que depende do propósito de cada um. O bom é que a própria engenharia te permite seguir a carreira de engenheiro em si, que é muito boa. A questão que eu vejo é que no Brasil a carreira de controle e automação tem pouca demanda na indústria, mas você pode optar pelas especializações, como petróleo e gás, ou até mesmo atuação na indústria 4.0, que é controle e automação pura! Para essa nova evolução, o engenheiro de controle e automação está bem preparado. É preciso sim se adaptar, principalmente na parte de software, mas são muitas possibilidades. Outra grande chance está no mundo das Startups e empreendedorismo, trabalhando com desenvolvimento, engenheiro de projetos, e no entendimento do sistema como um todo. A perspectiva é positiva, pois as bases são boas.

  • Na sua opinião, qual a maior vantagem da formação em Engenharia de Controle e Automação?

    Ao meu ver a formação do engenheiro de controle e automação continua sendo umas das melhores. É um cara que, como ele tem uma base sólida em todas as áreas, acaba sendo fundamental como integrador. Um cara que transita e pode se especializar em qualquer área que vai mandar bem. Na macroeconomia, também tivemos um boom da civil, mas isso acabou 5 anos atrasado, que agora já está saturado. Eu vejo a queda da automação pela queda da indústria, ou talvez até pela falta de marketing do curso. Essa flexibilização da automação que te permite mudar de carreira, é uma formação de engenheiro que te permite muitas possibilidades, como já conheço uma galera que fez carreira desde empreendedorismo, área comercial, parte técnica. Muitas vezes não vamos ter uma carreira definida, mas sim uma base sólida para seguir em várias coisas. Vejo essa pluralidade como a principal vantagem da automação.

  • Como você vê o formado em Automação atuando no mercado de trabalho? Alguma ação é necessária?

    A Automação não é uma definição, mas está mais para uma abertura de portas. Existe esse desafio que talvez seja preciso buscar uma especialização depois. Vejo pelo seguinte ponto de vista: na Automação, tendo esse "polvo" de conhecimento, pode ser que não seja o melhor em montar algo específico ali da elétrica, por exemplo, mas lendo um manual com certeza o cara vai ter noção do que precisa ser feito. Pensando no ambiente mais de SC, com muitas startups... A galera que está ali resolvendo projetos, faz muito sentido ter alguém que entende de várias coisas. O mercado muda e assim conseguimos acompanhá-lo melhor. Essa parte de projetos que está incluída no curso é muito legal.

Que recado/recomendações você passaria para um calouro que está entrando na universidade agora?

A formação é muito boa para quem quer seguir a carreira, iniciar seu negócio, trabalhar em startup ou até fazer concursos. Falaria para não se preocuparem em formar em 5 anos. Hoje é algo que vejo que eu poderia ter experimentado mais outras áreas de trabalho.No fundo é só um diploma. Tem seu grande valor, pois não são todos que tem e quem se formou é uma elite que se fez passar por todas as partes da graduação. Comece a trabalhar o mais cedo possível. Aceite estágios, as vezes em valores simbólicos, mas o aprendizado será muito grande. Você vai abrindo a cabeça e aprendendo com os erros da própria empresa que está trabalhando. É realmente um curso que tem demanda! São vários caminhos que se abrem no mercado hoje, e tudo isso contribui. Na robótica, saiu um estudo que os maiores países com taxa de robotização são aqueles com os menores índices de desemprego. Precisamos de pessoas pensantes, que estão projetando e programando, e o engenheiro de controle e automação é um cara desses!