Entrevista

02/11/2017


Carlos é o nosso décimo oitavo alumnus entrevistado. Formado em 2005, ele traz uma visão mais corporativa para os estudantes. Desde quando saiu da universidade trabalhou em um grande banco e depois foi contratado para trabalhar na Smiles, o programa de fidelidade da Gol e que hoje é uma empresa listada na bolsa de valores separada da companhia aérea. Confira um pouco mais a vida de Carlos nessa entrevista!

  • Qual é a diferença de CCO para diretor comercial?

    Na realidade, a diferença é pouca. Eventualmente em empresas maiores você acaba tendo atribuições dados ao CCO que não só a área comercial. Especificamente na Smiles, qualquer um dos dois títulos endereçaria o que eu faço. Talvez a única coisa que seja um pouco diferente do que um diretor comercial faz, e que se enquadra potencialmente no job description de um CCO, é toda responsabilidade fiduciária. O estatutário da companhia responde na pessoa física por tudo o que acontece dentro da empresa e essa atribuição que é um pouco mais ampla do que a atribuição executiva.

    O investidor minoritário vem lá e nos pergunta se nós aprovamos aquela transação e se o responsável aprovou. Assim, se der algum problema quem vai pagar multas, responder na justiça são os representantes da companhia que são referência para o minoritário. Existe uma relação de RI bem forte também, mas o diretor de RI é o CFO. Sempre vão juntos nas reuniões um representante de RI e um estatutário, justamente por essa característica.

  • Você já trabalhava na Smiles quando ela saiu da Gol?

    Eu acabei entrando nesse movimento da empresa para construir uma nova empresa. Foi preciso criar a cultura da empresa, valores, missão, visão, estrutura organizacional, como montar um business sob o ponto de vista da estrutura, se teríamos diretores, quais seriam... até então tudo que tínhamos era um contrato entre Smiles e Gol, não tinha mais nada. Depois que executar aquele contrato que traria valor para a companhia que, na verdade, era uma grande incógnita. Hoje é uma empresa que já bateu 10bi de Marketcap. Em menos de 5 anos a empresa multiplicou por 5.

  • Quem trouxe primeiro a ideia, a Multiplus ou Smiles?

    A multiplus fez antes. Tivemos o que chamamos de second mover advantage. Vimos tudo o que a Multiplus fez e vimos os gargalos que eles mesmos tinham criado na relação entre programa de fidelidade e companhia aérea, e assim trouxemos um business muito melhor e bem estruturado.

    Isso tudo está refletido no valor do papel. As duas empresas que tem basicamente o mesmo tamanho, se analisarmos o Marketcap de cada uma, hoje a gente vale 75% mais que o nosso concorrente.

  • Por que escolheu automação?

    Isso talvez seja um pouco desmotivante para as pessoas escutarem, mas eu escolhi muito porque na época era um curso que estava em voga, um curso novo, e era uma fronteira a ser explorada ainda. Foi algo que, quando se impõe uma tomada de decisão como está " o que você vai fazer pelo resto da sua vida", com o nível de informação que você tem aos seus 17 anos, eventualmente 18, você não está tomando uma decisão precisa. Você olha um leque de opções e com muito pouca informação você toma essa decisão. Quando um curso está em muita evidência, como era o caso na época, isso realmente chama atenção. Então você toma a decisão muito com base nas percepções.

  • Você saiu de Uberaba para Floripa?

    Exatamente. Na realidade passei alguns anos nos Estados Unidos, fiz 3 anos de High School lá. Voltei para fazer o vestibular direto aqui. Acabei não ficando no exterior por pura falta de maturidade mesmo. Quando se é muito novo e fica muito tempo fora, ao te perguntarem se você quer voltar, sempre é a opção. Claro que quando se olha para trás, talvez poderia ter feito algo lá fora que talvez minha história teria sido diferente.

    Hoje parece ser a melhor decisão ter ficado lá fora, mas não sei qual o outcome disso aí; realmente só conheço o resultado da decisão que eu tomei. Tenho muito esse espírito de enxergar as melhores decisões como as decisões tomadas.

  • Como era seu dia a dia no curso? Saía muito? Estudava muito?

    Tínhamos uma boa turma e sempre estávamos muito próximos pelo ambiente, mas em grades horárias completamente diferentes. O dia-a-dia era fantástico. A Federal é um lugar muito divertido, e a cidade também. O curso te exige muito no começo, mas depois de pegar um pouco do método, você coloca todos os esforços ali para depois colocar tempo livre para fazer de tudo. Passar pela universidade não é só uma questão de estudo, é uma questão de jornada.

  • Você fez parte de alguma atividade extra acadêmica, como CA, DCE, EJ, PET, NEO...? Em que função e o que te ajudou no mercado?

    Sempre fiz estágios, desde o início. Fui estagiário da fundação CERTI, que deve estar aí até hoje. Trabalhei na área de desenvolvimento de produto. A CERTI é uma super escola, um lugar muito legal e que sempre gostei bastante, mas foi ali na fundação CERTI que eu vi que a automação não seria um fim, mas sim um meio para eu viabilizar outras coisas na minha carreira, porque com o negócio de olhar produção, detalhes técnicos e programação eu logo vi que não era a minha praia (risos).

    Na largada, o estágio serviu para me dar o caminho que eu não tomaria. Assim, eu fui aproveitando uma série de outras coisas que não a questão técnica, mas que o estágio me proporcionava. A questão técnica eu fazia porque era meu trabalho, mas fui construindo relacionamentos, entendendo as pessoas, a empresa, onde estão as alavancas do negócio.

    Isso tudo são atributos de negócio que também estão em qualquer indústria e lugar. Então o estágio não precisa ser aquilo que você vai fazer pelo resto da vida. Pelo contrário, ele vai ser simplesmente uma experimentação para você começar a desenhar qual vai ser teu futuro.

  • Quanto tempo você estagiou na CERTI?

    Não me lembro exatamente, mas foi bastante tempo. Acho que uns 3 anos ou 3 anos e meio, sendo que logo no começo eu não conseguiria o estágio de qualquer maneira. Eu passei quase um ano fora no final, então no meio do curso eu basicamente passei meu tempo todo lá na CERTI. Fiz meu estágio na CERTI e PFC na França.

  • O que você fez na França? Como foi parar lá?

    Fui para um laboratório chamado LAAS (Laboratório Aeroespacial). Ali tinham uma série de projetos, inclusive cooperações com a airbus, que também fica em Toulouse.

    E tinha a cooperação com a universidade de Paul Sabatier, que na época o Jean Marie, coordenador da Automação, tinha uma relação muito forte tanto com a universidade como com o laboratório. Ele teve a possibilidade de mandar bastantes gente. Fomos eu, João, Adriano Naspolini, que é sócio do Bernardo... Ali tinha um intercâmbio bem bacana que havia sido construído pelo Jean Marie, então fui lá fazer meu projeto de conclusão de curso. Eu desenhei e implementei uma plataforma colaborativa.

  • A pergunta que todos fazem, IAA importa?

    Nunca ditou meu comportamento. O importante para mim era não ficar para trás. Reprovar em alguma matéria é algo que me tiraria a liberdade no semestre seguinte, eu e meus amigos ficaríamos mais separados e seria um atraso de vida para mim. Então, sempre me dediquei para estudar e passar sem crise. Nunca fui um aluno nota A+, mas sempre fui o aluno que fez aquilo que é imprescindível para ter liberadade.

  • “Quem quer ser engenheiro de controle e automação precisa gostar muito de física, matemática e programação”. O que você pensa sobre isso? Na sua opinião é verdade?

    Acho que não é imprescindível gostar de todas. O engenheiro de maneira geral tem que ter um poder analítico acima da média. Senão vai virar um sofrimento tamanho que não se justifica. A matemática e a física precisam estar presentes como uma ferramenta desse poder analítico. Você não precisa estar com todos os conceitos presentes, mas é preciso que haja algum destes.

    Até porque, a programação é a primeira derivada da lógica, que é matemática, então não dá para fugir disso. E, o fato da pessoa não gostar de programação não significa que ela não pode programar. Do ponto de vista lógico, se essa pessoa pensa e consegue executar, naturalmente pode ser um programador. Provavelmente não será um expert em linguagem de programação, mas possui a maioria dos conceitos presentes.

  • Quais matérias achou mais complicado na faculdade? Possui alguma história engraçado com algum professor?

    Não sei se as matérias mais complicadas eram realmente complexas ou a dificuldade estava nos professores. A gente tem a parte de sistemas realimentados que é barra pesada. E era o Júlio na época, um professor muito bom, mas um cara que exigia tudo aquilo que passava em sala de aula. Então foi uma matéria que eu tive que me dedicar bastante.

    Tiveram algumas outras matérias que eram difíceis, mas não eram o mesmo nível que realimentados, por exemplo circuitos elétricos que tinha um professor muito difícil, o Cacique. Além disso tinham as que eu não gostava, que envolviam programação.

  • Quanto tempo você estagiou na CERTI?

    Não me lembro exatamente, mas foi bastante tempo. Acho que uns 3 anos ou 3 anos e meio, sendo que logo no começo eu não conseguiria o estágio de qualquer maneira. Eu passei quase um ano fora no final, então no meio do curso eu basicamente passei meu tempo todo lá na CERTI. Fiz meu estágio na CERTI e PFC na França.

  • Você viu apoio do DAS (professores) aos alunos ao longo do curso nos momentos de buscar bolsas, estágios, informações sobre o mercado?

    O Jean-Marie sempre foi um cara que viabilizou coisas para quem tinha disposição. Não era algo institucionalizado como um convite para aproveitar as oportunidades, isso tinha que partir do estudante. Quem tinha disposição sempre teria oportunidade de fazer algo diferente.

    Sem querer ser duro com a Universidade - porque foi uma universidade que me entregou tudo - mas estruturalmente ou institucionalmente não parecia ter aquele suporte ao grupo de estudantes. Era individual. Todos os professores eram muito bons e muito abertos em viabilizar aquilo que você precisava e desejava. Nunca vi o DAS como um elemento organizado que pegasse e gerasse soluções para o curso. Geravam soluções individuais. E, desde que tivesse força de vontade, você poderia conseguir tudo aquilo que você queria para você.

  • Você chegou a participar da organização do Linguição da Automação? Como foi essa experiência para você?

    Organizei um dos Linguições, foi o 4º ou 5º, não lembro exatamente. Foi uma experiência ímpar. E, enquanto eu estava em Florianópolis, eu fui em todos. A festa que eu organizei deu, se não me engano, 1200 pessoas. Foi uma festa grande já. O legal é que é uma festa que se profissionalizou. Galera de vez em quando manda uns prints da galera promovendo a festa fantasiado de linguição e isso era algo inimaginável na minha época. A gente batalhava para conseguir uma caixa de cerveja do Pida.

  • Qual foi sua trajetória após sair da faculdade?

    Comecei trainee do Citibank em 2006, me formei em 2005. Janeiro de 2006 passei no treinee do Citibank. Da mesma forma que eu já tinha descoberto, na CERTI, que engenharia não seria meu negócio, eu entrei no banco numa área que acabou não sendo a minha. No Citibank, você pleiteia a entrada através de 3 áreas de atuação: o Corporate Bank, Consumer Bank e Operações de Tecnologia. Quando eu vi essas opções fui direto na área de Operações de Tecnologia por causa da formação.

    No momento que passei pela primeira área de negócios, eu vi o quão frustrante era, para mim, ficar em Operações de Tecnologia. Mas aí tinham as regras do programa, que envolviam ficar um ano no mínimo e retornar o investimento que faziam com os trainees. E, da mesma forma que na CERTI, eu procurei aproveitar aquilo que não estava efetivamente ligado à área técnica. Pensei em quanta experiência tinha para eu absorver no banco durante aquele ano, e que eu não podia jogar isso fora.

    Nessas áreas, a gente conseguia ter contato com gestão mais cedo. Os trainees já entravam em cargo de gestão nas áreas operacionais. Com isso, eu aproveitei essa pegada e fui tocando. Mas, na primeira oportunidade, logo depois do primeiro ano, eu já comecei a migrar das áreas de Operação sentido às áreas de negócio. Você nunca pula imediatamente. Foi uma trajetória que demorou 3 anos para que eu chegasse nas áreas onde eu realmente me identificava e tinha prazer de trabalhar.

    Aí você começa a entrar um pouco na questão da vocação. Eu gosto de estar na rua, não em escritório, gosto de gente, de influenciar. Isso tudo é muito característico da área comercial, não de backoffice. Backoffice não é a area que gera o negócio nem a que movimenta o topline.

  • Esses 3 anos de transição demoraram muito para passar?

    Foram ciclos de um ano. Por incrível que pareça, principalmente em uma indústria tão tradicional como a de um banco, são movimentos rápidos. Então assim, fiquei um ano em operações, passei de operações e fiquei mais um ano em estrutura de produto, depois mais um ano na estrutura de canais, para que caísse na área comercial. Hoje em dia tudo isso mudou, talvez em banco continua dessa forma, mas, quando se fala de indústrias não tradicionais, isso é algo que não se vê acontecendo. Se uma pessoa entra pela porta errada da empresa e você não disponibiliza as oportunidades para ela migrar para aquilo que ela quer fazer, essa pessoa vai embora. Se ela tem uma alta capacitação e energia para trabalhar, mas não está fazendo o que gosta, continua tendo empregabilidade muito alta no mercado. Então, é uma forma diferente de lidar com a nova mão de obra que chega.

    Essa geração de novos profissionais não chega para ganhar mais e comprar um carro, mas sim perguntando como funciona o benefício de milhas para que ele possa viajar, ter experiências, quer alternativas ao tradicional. Sonho do cara é conhecer o mundo, não é ter um carro e uma casa. Isso muda a perspectiva das relações corporativas. No passado, na minha geração, você segurava todo mundo com dinheiro. O perfil profissional de hoje não comporta esse tipo de relação.

    Então, eu venho de uma época que não está muito longínqua assim, 11 anos de carreira não é tanta coisa, mas é uma relação que mudou completamente. Inclusive de indústria para a indústria. Na indústria do banco, se você dá um sermão na pessoa e fala que vai ter que trabalhar no final de semana, simplesmente acontece. Já, na indústria que é muito ligada a inovação e exploração de novas fronteiras tecnológicas, se você fala um negócio desses para o cara, ele vai embora. Se ele acha que tem que trabalhar 24/7 ele vai trabalhar 24/7 sem você pedir para ele, mas se pedir um minuto a mais do que ele se disponibiliza a trabalhar, ele vai embora. E isso não é simples. É um choque de gerações com a mudança comportamental.

  • Como está o mercado no futuro, para quem está saindo da faculdade agora?

    A Smiles não é um business regulado, mas no fundo ela é um arranjo de pagamento, um business parecido com, por exemplo, PagSeguro ou Paypal. Ela é um negócio com uma moeda virtual e o usuário controla o meio de troca, então o mercado de meio de pagamento no brasil é um mercado que está sofrendo por um marco regulatório que afetou muito os adquirentes e os sub-adquirentes e isso mudou a forma como o mercado faz negócio. Porém, é ainda um mercado em altíssima expansão, pois tem toda a história do mobile payment, da experiência ao pagar, como por exemplo a uber, a única diferença entre você pegar um táxi e um uber, é a forma como você paga. Sacar o dinheiro, entregar para o taxista, esperar troco, as vezes não ter troco, enfim, é desgastante sob o ponto de vista da experiência do cliente. Então a indústria de meio de pagamento está muito ligada a todas as grandes frentes de desenvolvimento que temos hoje. Se for refletir um pouco, a praticidade que alguns apps trazem, como por exemplo o iFood, está muito ligado ao meio de pagamento. O fato de você ter por exemplo e-commerce's como até a virada que a Magazine Luiza deu no seu próprio negócio quando transformou seu e-commerce, sua experiência de pagamento, isso realmente deixa a empresa em outro patamar. Toda a parte ligada ao mobile, os mobile payment's, o Apple pay, Samsung pay, a própria Paypal tem ganhado mais força, isso tudo são inovações que estão conectadas ao mercado que eu trabalho hoje, então eu acho que tem muita pista pra andar ainda, vão surgir muitas oportunidades, e é um mercado de alto valor agregado, onde as remunerações muitas vezes são melhores que as remunerações de banco, que são remunerações tradicionalmente acima da média do mercado de serviço, com certeza muito acima do setor produtivo, que não remunera bem. Então, particularmente, eu acredito que na indústria de meio de pagamento tenha um excedente econômico a ser capturado por pessoas que realmente façam a diferença, pessoas que tem um potencial, que monetizem ativos que estão parados em empresas, que podem valer milhões e ninguém parou realmente para pensar naquilo e como usar. Toda a parte ligada a informação, pois a indústria de meio de pagamento detém o que tem de mais valoroso na relação com o consumidor final, que é como esse consumidor consome. Não quem tiver informação, e sim tiver dados, a pessoa que conseguir pegar toda a informação disponível, estruturada ou não, e passar por um grande "moedor de carne" e do outro lado ter esse produto para outras indústrias que vão poder consumir isso de você. Então esse alguém vai despontar, fazer isso melhor que os outros e essa será a nova empresa de vanguarda do mesmo jeito que hoje temos Google, Uber e Facebook.

  • Como você se vê daqui à alguns anos? Pretende continuar nesta área? Fazer o que da vida?

    Eu não sei exatamente onde estarei nos próximos anos. Pode ser que eu tome a decisão de me manter na carreira executiva e aí fatalmente seria na área comercial, de procurar ter uma posição mais relevante na própria empresa onde eu trabalho, de ter uma posição melhor em outras empresas do mercado onde eu consigo gerar valor ou em algum momento, empreender. Eu não sou um empreendedor nato, como alguns amigos, mas eu tenho muita vontade porque principalmente a indústria de serviços hoje é muito mal executada no brasil a prestação de serviços como um todo tem baixa qualidade, baixo valor agregado, e isso tudo abre uma janela de oportunidade para quem está disposto a fazer o básico. Quem fizer o básico estará na frente de todo mundo pelo menos enquanto o Brasil for o Brasil que a gente conhece, então eu percebo essa super janela de oportunidade de entrada que é importante, mas eu não sei qual negócio. Se eu eventualmente identificar, ou acreditar em uma coisa específica, eu vou fazer e talvez saia da carreira executiva e parta para o empreendedorismo até para tentar alguma coisa diferente também, acho que faz parte ter algumas experiências assim, controlando o risco. Eu fiz o AMP pois ele está muito ligado ao meu ciclo de carreira, via de regra, na posição que eu estou esses cursos são os mais ofertados. Mas tem o motivo do porque eu escolhi o Insead, pois ele é uma escola um pouco diferente do que as escolas americanas têm pregado. A escolas americanas estão muito ligadas em como você alavanca resultados, como trazer mais performance, como extrair mais da força de trabalho das pessoas que estão com você, e o insead vêm com uma pegada diferente, de como você tem um business equilibrado, como o teu business perdura no long-term, como você tem uma chancela de operação virtual mas você tem uma chancela dos seus clientes e da sociedade para operar, então como você preserva essa chancela que a sociedade te deu para que você não seja expurgado do seu negócio por simplesmente executar mal o teu business. É um negócio que eu acredito mais, estamos em um momento em que pensamos mais como esse tripé da sociedade-funcionários-acionistas permanece de pé do que uma relação de uma via só, que é de "vamos extrair do cliente e entregar para o acionista", isso me parece que num futuro próximo vai ser um modelo de negócio que vai se esgotar. E eu acho que o Insead nesse sentido está muito na frente, ele já vem com os professores e teorias muito ligadas ao equilíbrio, de que ele vai trazer sustentabilidade a longo prazo para as grandes corporações, Por exemplo, a VölksWagen em relação a emissão de poluentes nos carros a diesel. Este caso, se fosse uma empresa americana, teria quebrado, como é uma empresa alemã, que tem fundamentos muito fortes, não quebrou porque é muito tempo fazendo sucesso, apesar de ter custado 50 bilhões de euros a ela. Por causa disso, provavelmente passou 1 mês sem vender um vender carros na Califórnia, que é um estado que está mais ligado a questão ambiental. É uma pessoa, que tomou uma decisão desequilibrada, que queria vender mais carros, e que não queria efetivamente ter que gastar dinheiro para ter a tecnologia que não emitisse os poluentes, que quase quebra uma empresa do porte da VW. Qualquer outra empresa não suportaria um problema dessa magnitude. O AMP do Insead é um curso executivo, é composto de 3 módulos de 2 semanas cada, onde é feita uma imersão das 8 da manhã às 7 da noite todos os dias, porém não é um MBA, é um curso de educação executiva de curta duração.

  • Muitos alunos dizem que o curso dá uma visão ampla, mas superficial de muitas áreas do conhecimento. Você concorda com isso? Acha isso positivo ou negativo?

    Eu acho que cada um extrai da universidade aquilo que quer. O curso não entrega nada, é você que extrai. Então, se você quer uma visão aprofundada de sistemas realimentados, você terá sua oportunidade. Porque as pessoas que detém o conhecimento estão lá, a vocação tem que estar dentro de você e a vontade de realizar isso vai criar o ponto em comum para que você consiga se aprofundar em determinado tema.

    Acho errado você querer que o curso te entregue mais profundidade em um determinado assunto ou que te transforme num profissional mais generalista. Isso é você deixando seu futuro nas mãos de uma entidade pública de ensino. Ninguém pode acusar o curso de ser superficial demais, ou de ser profundo demais em determinado tema, porque isso quem determina é cada um dos alunos. O cara que fica esperando a Universidade entregar aquilo que ele realmente espera para o futuro dele, é pura imaturidade, isso não vai acontecer. São 36 pessoas diferentes que vão tomar seus caminhos entrando no curso. Então é necessário modelar sua formação com todo o conteúdo que está disponível, dado os teus anseios e tuas ambições.

  • Existe algo que se arrependa na época de graduando? Há algo que você mais se orgulha?

    Acho que não. É uma fase tão diferente na tua vida. Parece que nem o antes nem o depois da faculdade tem muita relação com o que acontece nesse período. É algo muito diferente. Curti um monte, aproveitei a Universidade e a cidade. Passamos por muitas coisas aí em Florianópolis e isso faz uma diferença enorme na minha formação como pessoal. E é o que eu sempre digo, você tem que aproveitar muito a universidade para que isso não vire uma frustração no futuro e venha a se tornar um Universitário fora de época. Aquele cara que tem 35 anos e tem espírito de universitário ainda. Vira um negócio sem propósito. Tem que fazer de tudo, aproveitando todo o tempo e com intensidade.

    O que mais me orgulha é todo o legado dos amigos que fiz e levo para a vida inteira. Tenho a oportunidade de estar num círculo de amizade onde todos são muito outstanding. Fizeram realmente coisas fantásticas e negócios que estão dando muito certo. A Universidade selecionou e preparou bem eles. Então, esse legado é algo impagável.

    Se você sair do curso e trilhar a tua estrada, sem trazer esse legado fica faltando alguma coisa. É preciso carregar algumas pessoas contigo, porque isso vai fazer diferença na tua vida tanto pessoal como profissional.

  • Você notou alguma lacuna na formação do ECA?

    O curso sempre vai mostrar o que está ligado ao job description de qualquer engenheiro, ele nunca vai mostrar que existe uma oportunidade em serviços. O engenheiro é um cara muito multidisciplinar e multifuncional, tem um poder analítico que é aplicável a qualquer cadeia de negócio. O curso, nesse sentido, tem pouquíssima abrangência, não abre a cabeça para o cara ver que depois de formado você tem nas alternativas.

    Para uma pessoa que não está ligada ao meio técnico, como era o meu caso, a automação serve igualmente. Ela vai ser simplesmente um ferramental para surfar na indústria de serviços, bancos, meio de pagamentos. São indústrias super ricas e desenvolvidas no Brasil e que eu ainda não enxergo Engenheiros de Controle e Automação ocupando esse espaço.

  • Do que você lembra do currículo quando estudou, quais sugestões você daria para complementar ou alterar?

    Eu sempre falei que nós devíamos ter essa formação que trouxesse qual o papel do engenheiro na sociedade. Então eu fiz umas duas cadeiras que supostamente entregavam essa visão e passei a falar "vamos sem a visão da sociedade mesmo", porque são cadeiras que são muito diferentes do perfil do engenheiro, então não é uma questão do que eu acho que deveria ter, e sim que ao longo do curso, a plataforma de ensino deveria permear de alguma forma essa visão, sem ter que fazer uma cadeira de humanas ou de administração porque acho que isso não funciona pois não é do perfil do estudante que está ali. A grande maioria que cursa uma cadeira dessa deve passar por uma grande frustração, então eu acredito que deveria ser pensada uma maneira diferente para a plataforma de ensino como um todo. Como você mostra os n caminhos que o engenheiro pode tomar, como o engenheiro pode ser uma pessoa multidisciplinar, como o setor produtivo é simplesmente uma formiga dentre todas as alternativas que você tem como profissional, e tentar trazer as coisas um pouco mais vocacionais para que você possa ter a maturidade de extrair do curso aquilo que vai ser importante para a sua vida profissional. Pensa no estudante que passou 1-2 anos para desenvolver/resolver integrais, hoje eu vejo uma integral para mim é uma cobra no quadro, pois não significa nada, mas eu passei 2 anos tentando entender como funcionava. Então se você dá a possibilidade de pelo menos o estudante entender quais são os principais pontos de um curso como o de automação, ele vai levando todos os esforços dele para o que vai ser importante para ele, ele não precisa despender tempo com base na grade na dificuldade das cadeiras, e sim com o que é importante para ele, aquilo que vai trazer ferramentas novas para ele se tornar um profissional diferente.

Mensagem Final aos estudantes

A principal mensagem para quem está entrando é ser resiliente, pois existe uma série de coisas que você vai ver e não vai gostar, e isso não significa que o curso não serve para você, significa simplesmente que determinado assunto você terá mais dificuldade para digerir, mas isso é na vida toda, alguns assuntos mais difíceis e outros mais fáceis de digerir. Então você ser resiliente desde o início é importante. A engenharia tem a capacidade de transformar uma cabeça analítica numa pessoa multifuncional que vai servir para qualquer coisa, porque treinar as pessoas hoje é caminho critico em qualquer corporação. Ninguem chega pronto para nada. A questão do treinamento está intrínseca aos negócios de 1a linha. A questão de o que você vai fazer e como você vai fazer é um problema da empresa, a empresa vai te viabilizar. A engenharia ela vai ser uma grande academia para o cérebro. Você tem que sair com o cérebro mais bem treinado, com a cabeça mais afiada, para que aquilo que você efetivamente for fazer, para que as pessoas te treinem e você entenda e consiga tirar algumas sacadas que outras cabeças não terão a oportunidade. Pensa que se você tiver muita profundidade de determinado tema, hoje em dia, você está fora do mercado, o mercado não é mais feito de especialistas, porque tudo muda, o cara que era mais valorizado nas indústrias tradicionais, é o arquiteto de sistemas, aí amanhã qualquer ferramenta ou tecnologia cognitiva pode substituir o arquiteto e da noite para o dia o emprego vai ser tornar obsoleto. Então se você é uma pessoa que se aprofunda muito, muito especialista rapidamente vc estará fora do mercado. Para os calouros, é resiliência, porque o início é mais difícil, você precisa romper a inércia de um negócio que é novo para todo mundo. E para a graduação, eu acho que as mentes mais generalistas vão mais longe. Construam um legado que te acompanhe pela vida toda...amigos, conhecimento, formação, preparo...aproveitem a jornada!