Entrevista

06/09/2017


Bruno Dilda é mais um entrevistado do nosso site. Formado em 2011, iniciou no mercado de trabalho na maior empresa de consultoria do mundo, a McKinsey & Company. Depois de ficar 2 anos nela, trabalhou por mais um período em um fundo de private equity e no Facebook. Foi para um MBA nos EUA e agora está de volta trabalhando no Brasil.

  • O que você faz na McKinsey?

    Bom, pra dizer o que eu faço eu primeiro vou tentar explicar o que é consultoria. Consultoria é ajudar os clientes a resolver os grandes problemas que eles têm nas mais diversas áreas. Como a gente resolve esses problemas? De uma maneira bem estruturada, a gente pensa qual é o problema, como é que a gente quebra ele em problemas menores e nas respostas para esses problemas menores. Isso você volta a subir depois pra chegar na resposta do problema como um todo. Então quais são as etapas que a gente faz pra resolver esses problemas depois que a gente já sabe os problemas menores? Muita análise de dado, muita entrevista e interações com clientes, muita pesquisa, benchmarking, conversa com experts no assunto... Então vamos juntando tudo isso e consolidando pra ajudar o cliente a chegar numa resposta. E a grande diferença de um analista pra um associate? É mais a senioridade e o nível de responsabilidade que ganha. O trabalho em si não é muito diferente. O trabalho de uma pessoa que sai de analista e entra como associate são basicamente o mesmo. É esperado mais iniciativa do associate, mais responsabilidade, mais contato com cliente e que o gerente de projeto precise ficar menos tempo falando o que ele tem que fazer ou quebrando problema pra ele.

  • Tem alguma história com algum professor?

    Eu tive um bom relacionamento com vários professores. Até hoje, quando passo lá no DAS, vou cumprimentar alguns professores. Mas lembro que teve um dia que eu fiz algum comentário na aula do Joni e ele perguntou meu nome pra zoar, porque ele sempre falava que iria reprovar alguém. Aí eu olhei na sala e o Chico não estava, então respondi "Francisco Bezerra". Deu uns 10 minutos e o Chico entrou na sala. Nesse momento o professor olhou pra mim e me perguntou "Bezerrinha o que você acha disso?". O Chico tomou um susto. Eu comecei a responder, o Chico não entendeu nada. Demorou uma meia hora até ele entender o que estava acontecendo (risos). Essa zoação de Bezerrinha durou algumas aulas.

  • Quando e porquê escolheu automação?

    Eu primeiro escolhi engenharia. Tive uma grande briga com meu pai porque eu queria fazer administração. Eu sempre pensei duas coisas da minha vida: executivo ou empreender. Então achava que administração me daria as ferramentas para fazer isso. O meu pai tinha outra visão, ele falava pra mim: "Filho, olha pras empresas e você vai ver que a maior parte dos diretores das empresas do Brasil são engenheiros." Depois de muita discussão eu resolvi abrir mão e fazer engenharia. Dentro das engenharias eu tinha outro problema que era qual engenharia fazer. Eu não gostava de química e não me dou bem com ela até hoje. Então comecei a eliminar algumas por aí e pesquisar, vi engenharia de controle e automação e vi que tinha um pouco de informática que eu gostava. Além disso, via a automação como um curso generalista. Eu apliquei pra 3 vestibulares, UFSC, PUC-PR e uma outra em SC, mas que era meio pequena, não me recordo.

  • Como era seu dia a dia no curso? Saía muito? Estudava muito?

    Eu comecei a trabalhar desde o início da faculdade, no segundo semestre. Isso tomava muitas horas do meu dia, outras muitas horas eram dentro da sala de aula e o resto do tempo eu ficava dividindo com minha namorada (a Carol, estamos juntos até hoje), academia, festas, Pida, amigos...

  • Você fez parte de alguma atividade extra-acadêmica, como CA, DCE, EJ, PET, NEO...?

    Eu comecei entrando na Autojun e no NEO. As duas coisas foram acontecendo meio que juntas. Mas fiquei umas duas semanas com as duas juntas, vi que não ia conseguir e fiquei só no NEO. O NEO era um sistema de trabalho mais flexível né, você completava seus horários de acordo com sua grade da faculdade, então meio que ia pra aula, voltava pra CERTI, aula, CERTI... Eu fiquei no NEO até eu sair pro meu estágio pra Alemanha, no fim de 2008. Quando eu voltei do estágio eu trabalhei com o professor Rabelo, no GSIGMA, auxiliando numa tese de doutorado. Também participava da auto7, que era um grupo de colegas que se juntaram pra fazer projetos de engenharia.

  • O que você tirou de aprendizado dessas atividades extra-curriculares?

    Cara, na Autojun eu fiquei uns 2, 3 meses só. Se eu disser que aprendi alguma coisa nesse tempo, eu vou estar mentindo (risos). O NEO foi muito bom pra mim e a melhor coisa que eu aprendi lá foi a cultura de feedback. Principalmente aprender a receber feedback, melhorar com isso e não levar pro lado pessoal. O desenvolvimento pessoal e profissional que eu tive por causa desse ponto foi muito grande. Mas além disso teve a questão de saber trabalhar, saber se comportar na frente de uma empresa, saber resolver problemas... No fim, o trabalho do NEO era muito próximo de uma consultoria, você pegava um projeto sem saber exatamente a resposta, mas você tinha que chegar numa solução pra ele. Eram dinâmicas bem diferentes, mas a lógica que você aplica em consultoria é a mesma lógica como se fosse um consultor da Autojun fazendo algum projeto. Na auto7 eu aprendi que trabalhar com engenharia não era assim tão simples e as coisas dão muito problemas quando você cobra muito barato.

  • Você fez o estágio da sétima fase onde?

    Eu fui um dos filhos do Fernando (décima entrevista do site Alumni Automação UFSC) na Opel. Fui um dos primeiros. Trabalhei no mesmo departamento do Fernando, em Engenharia Elétrica Avançada e eu fiz três projetos, mas um deles era o principal, que era fazer um algoritmo que indicasse mudança de marcha em carros manuais para que economizassem combustível.

  • E o PFC?

    Fiz meu PFC na Embraco no departamento de PMO dentro do R&D deles. Uma pessoa do NEO já tinha feito estágio nesse departamento e foi através dessa pessoa que eu fiquei sabendo e entrei. A maioria dos estágios que eu fiz foi por conversa com os colegas do que por outras coisas.

  • A pergunta que todos fazem, IAA importa?

    Eu acho que IAA não é uma coisa pra se menosprezar, mas de longe não é a coisa mais importante durante a faculdade. Eu acho que depende do que você quer fazer e depende de como você leva isso. Por exemplo, se você for seguir carreira acadêmica, IAA é uma coisa importante dependendo da instituição que você quer escolher depois. Até quando fui fazer o MBA eles perguntam qual foi a sua nota na graduação. Não é a coisa mais importante do mundo, mas tem um peso sobre isso. Dito isso, eu acho que a coisa mais importante é não reprovar, por alguns motivos, um deles você atrasa sua graduação. Também, eu acho que isso demonstra algumas outras características como esforço, perseverança e tentar fazer o melhor... E isso são coisas importantes depois no mundo profissional. Então você não precisa tirar sempre 10, mas você precisa tentar fazer o melhor. O IAA não necessariamente reflete isso. Tem pessoas que têm mais facilidade pra aprender as matérias e naturalmente vão melhores nas provas. Então eu diria que não é importante o número por si só, mas eu tomaria cuidado pra não ficar pra trás. Eu senti que algumas empresas olham reprovação, mas de um modo geral e não olham a nota. Na verdade eles querem ver alguma coisa que não seja a reprovação, se tiver notas boas, é ponto positivo, mas não te excluem se a sua nota for menor, mas sem reprovação.

  • “Quem quer ser engenheiro de controle e automação precisa gostar muito de física, matemática e programação”. O que você pensa sobre isso? Na sua opinião é verdade?

    Eu acho que, pra você se formar em Engenharia de Controle e Automação, você tem que tolerar essas coisas. Se você não gostar delas, vai ser muito difícil se formar. Dito isso, depende do que você for fazer depois. Física e programação não são importantes pra mim na minha vida profissional de hoje. Matemática básica é importante mas nada de integral ou algo assim. Então, se você quiser ser Engenheiro ou acadêmico, vai precisar de alguma dessas ferramentas. Logo, se você pensa em seguir a carreira de Engenheiro, você tem que gostar disso. Agora, se quiser seguir alguma outra coisa, você tem que tolerar até conseguir se formar.

  • Quais matérias achou mais complicado na faculdade? Possui alguma história engraçado com algum professor?

    A matéria que eu achei mais difícil e que, até hoje, não entendo é não lineares. Não lineares com o Pagano (Daniel Juan Pagano) é uma coisa que não entrou na minha cabeça. Foi na minha última fase, eu tava morrendo de medo de ficar na automação só por causa disso e não era uma coisa simples.

    A mais difícil de passar, com certeza realimentados. Eu não passei raspando em realimentados, mas foi porque eu me dediquei bastante (além dos grandes ensinamentos do Tree e do Mestre) sabendo que era uma matéria complicada. Lineares era difícil mas me dediquei e fui bem na primeira prova, por outro lado fui mal em circuitos. Então circuitos acabou sendo mais difícil do que realmente é. E, a matéria que eu mais passei raspando foi Cálculo C. A primeira prova foi depois do meu aniversário, eu tinha ido viajar, voltei achando que sabia a matéria e acabei tirando quase zero. A segunda prova não foi muito melhor e a terceira acabou sendo desesperadora. Parecia simples, mas só até eu sentar e fazer. Pelo menos consegui passar sem REC - até hoje acho que se tivesse pego alguma teria reprovado.

  • Você viu apoio do DAS (professores) aos alunos ao longo do curso nos momentos de buscar bolsas, estágios, informações sobre o mercado?

    Eu vi vários professores que ajudam. Mas, acho que é parte do aluno pedir essa ajuda. Não é uma coisa muito proativa da parte deles. Porém, teve um professor que veio falar comigo, quando eu estava quase me formando, para me recomendar pra uma empresa. Pois, ele tinha contato lá dentro. Então, acho que vai muito do contato que você tem com os professores, de como você demonstrou seu trabalho pra eles e de correr atrás dos que estão nas áreas que você tem interesse.

    Eu não procurei nenhum dos professores, porque eu procurava coisas que não eram exatamente a área deles no DAS. Então, achava que não era a melhor maneira de chegar no meu estágio. Mas, sempre que eu conversava, os professores nunca se mostraram contra ajudar as pessoas a achar um estágio ou algo do tipo.

  • Você chegou a participar da organização do Linguição da Automação? Como foi essa experiência pra você?

    Sim. Eu não era uma das pessoas mais ativas do meu ano, tinham pessoas mais ativas do que eu. Mas eu ajudei em bastante coisa. Principalmente nos dias que antecederam a festa e todo o controle financeiro. Foi a 15ª edição.

  • Muitos alunos dizem que o curso dá uma visão ampla, mas superficial de muitas áreas do conhecimento. Você concorda com isso? Acha isso positivo ou negativo?

    Eu não trabalhei com Engenharia, então acho injusto dizer algumas coisas. Mas, de modo geral, eu acho que isso reflete a maneira como os cursos são estruturados no Brasil. No Brasil, você tem muita disciplina obrigatória e pouca disciplina opcional. Pra que você consiga cobrir um curso como Automação, que é muito amplo e muito complexo, tem que ir mais superficialmente em todas as coisas. A não ser, na minha opinião, controle que vai mais a fundo. E, até onde eu sei, a vida real de controle é mais complicada. Talvez por isso aprendemos bem esse conteúdo, só que aplicar na prática é um pouco mais complicado. Das engenharias, acho que Automação é mais amplo. O engenheiro de automação complementa os outros. O conhecimento dele une uma equipe que vai ter um engenheiro de cada área.

    Então, para mim, isso está mais relacionado à maneira como o curso é organizado, do que qualquer outra coisa. Pra mim isso foi uma vantagem. A grande vantagem que a Engenharia proporcionou, foi desenvolver o raciocínio lógico. E, acho que, sabendo um pouco de cada coisa, você junta esse conhecimento e vai desenvolvendo isso melhor.

    Uma parte muito importante do trabalho que faço não é só pensar numa solução, mas também em como ela vai impactar outras áreas da empresa, outras atividades, respostas de concorrentes. E, quando você pensa assim, é mais ou menos como sistemas. Você faz uma perturbação aqui que vai acarretar em uma reação em outros lugares. Se o curso fosse um pouco mais específico eu perderia essa visão do todo e, talvez, não teria aprendido a linkar essas coisas tão bem. Acho que sim, o curso é superficial e que os cursos do Brasil não te dão oportunidade de se especializar em algumas coisas. Mas, não vejo isso como um problema. A não ser que você entre querendo seguir uma área muito específica desde o começo e já saiba que queira seguir uma determinada área. Mas, é muito difícil alguém entrar no curso com 18 ou 19 anos e saber o que cada área faz exatamente pra tomar esse tipo de decisão.

  • Existe algo que se arrependa na época de graduando? Há algo que você mais se orgulha?

    Acho que como pessoa eu mudei muito. Então, algumas coisas que eu fiz, no início da faculdade, eu não teria feito com a maturidade que tenho hoje. Mas, esses aprendizados foram importantes na minha vida para amadurecer.

    Fora isso eu aproveitei muito. Fiz muita festa, me dediquei, trabalhei e me esforcei pra ter as oportunidades que tenho hoje. Então não tenho mais nenhum arrependimento que me lembre.

    Me orgulho de ter começado o esquema de consultoria dentro da automação. Antes de mim, tinha uma pessoa que fez isso, mas ela não tinha passado o contato pra ninguém da nossa época. Então, eu comecei a ajudar o povo da engenharia depois, o Espiga foi o primeiro desses caras. Ajudar em coisas como treinar case, falar como se preparar e tudo mais.

    Eu falo que foi criar um clube meio que informal de consultoria naquela época. E, depois, se tornou um negócio de verdade. Se eu for pensar nas coisas que eu fiz, essa foi uma excelente ajuda para as pessoas do curso. E, hoje, tem muitas pessoa dos últimos anos que estão em consultoria. Não digo que acho que é a melhor alternativa para todo mundo, mas é uma oportunidade que foi aberta para o curso.

  • Qual foi sua trajetória após sair da faculdade?

    Eu apliquei pra McKinsey no meu último semestre da faculdade, em 10.2. Eu fui concluir o processo seletivo só no meio do meu estágio, quando eu estava na Embraco, e lá eu recebi a oferta de entrar na consultoria. Então eu saí da faculdade já com o emprego garantido, e aí eu fui começar a trabalhar só em 2012, pois a McKinsey me deu um tempo de férias - meu pai até ficava perguntando se eu tinha certeza que teria essa vaga de emprego depois.

    A McKinsey tem um plano de carreira bem estruturado para aqueles que entram como analistas, onde basicamente você trabalha 2 anos em consultoria, e depois desse tempo eles te falam se você vai receber o patrocínio para o MBA ou se você vai ter que se desligar da Firma. Quando eu estava completando esses 2 anos eu recebi a oportunidade de fazer o MBA, e aí a ganhei algumas opções: eu poderia continuar lá por mais 1 ano antes do MBA; ir trabalhar em algum outro lugar antes do curso, para ter uma experiência diferente; ou poderia ir direto ao MBA. Por uma questão pessoal, eu escolhi trabalhar antes de realizar o curso, e acabei tendo duas experiências profissionais. Uma delas foi em um fundo de private equity (FPE) - um grupo de pessoas que levanta dinheiro com investidores, compra empresas e gerencia elas por um período de tempo para melhorar seus resultados e obter crescimento, com o objetivo de ter lucro e assim dividir o lucro com os investidores. Nessa época eu trabalhei no TPG - Texas Pacific Group, que é um dos 10 maiores fundos em capital levantado do mundo, e eu fui pra lá pois eles queriam uma pessoa para ficar apenas por um período. Trabalhei procurando oportunidades de investimento e também ajudando a analisar algumas dessas oportunidades, principalmente vendo áreas contábeis, parte legal, análise de mercado, enfim, vi um pouco de tudo. Quando eu estava acabando esse meu tempo, eu quis ter uma experiência bem diferente, e então eu entrei em contato com um amigo que tinha sido recrutado pro Facebook e perguntei como que funcionava. Acabou que ele tinha um conhecido que trabalhava no Facebook da Irlanda, em Dublin, inclusive era ex McKinsey, que me colocou em contato com um recrutador do Facebook Brasil, em São Paulo. Gostei bastante dessa oportunidade, trabalhei com o time de vendas, ajudando a definir metas, criar relatórios, processos, tudo que ajudasse a empresa a vender mais na América Latina. Foi uma experiência diferente mas também numa empresa super conhecida e bem legal de trabalhar,acabei ficando lá por 1 ano.

    Nesse tempo eu estava aplicando para os MBAs e passei em alguns, mas a decisão foi ir para onde eu e minha noiva tínhamos passados juntos. Então fomos para Michigan, nos Estados Unidos. Fiz o MBA padrão de 2 anos e no meio dele (era inverno do ano passado aqui no Brasil) tive uma outra oportunidade de trabalho, que se chama Summer Internship, onde fui por 3 mezes trabalhar no GuiaBolso, uma startup de finanças pessoais, já que eu queria ter uma experiência em Startup. No GuiaBolso, ajudei eles eles a pensar em um novo produto que queriam lançar.

  • No MBA, o que você acha sobre ele? Compensa ou foi apenas exigência para subir de cargo?

    Penso várias coisas sobre o MBA. A primeira delas é que o MBA é para depois de um tempo que você já trabalhou, pois te dá uma bagagem pra aproveitar melhor o curso, já que você acaba tendo uma experiência profissional e consegue ver como as coisas se encaixam na vida real. Também o MBA te dá um momento para você pensar no que você gosta de fazer, no que deseja trabalhar, para amadurecer melhor como profissional, ou seja, você vai para o MBA como uma pessoa mais madura. Na faculdade você dá muito menos bola pra algumas coisas, e no MBA acaba-se prestando mais atenção nesses detalhes. Por exemplo, no MBA eu estava muito mais interessado em aprender o conteúdo em si, comparado ao período da faculdade.

    Acho que o MBA vale muito a pena se você for na hora certa. Depois de muitos anos de trabalho, penso que vale a pena esperar um pouco para ir fazer um MBA executivo, algo mais senior. Muito pouco tempo de trabalho, acaba-se não aproveitando o curso, como falei.

    Também penso que depende muito da carreira que se deseja seguir. Se você pretende continuar sendo engenheiro, o MBA não vai agregar muito, talvez um mestrado ou um doutorado na área desejada sejam mais eficazes. Se por outro lado você quer ir pra uma carreira mais executiva ou de gestão, faz muito sentido fazê-lo. Se o desejo é empreender, creio que o MBA é uma faca de dois gumes, porque por um lado é um tempo que você tem para testar sua ideia, por outro é um grande dinheiro que você está investindo mas poderia estar colocando na sua ideia.

    Por fim, acho que vale a pena, só digo para pensar bem o momento de fazer e se vai ser útil para aquilo que você quer. Também, se pensa em mudar de carreira, o MBA pode ser uma boa opção

  • Se não fosse a McKinsey patrocinando, você pensaria em fazer?

    Sim, MBA é uma coisa que penso há muito tempo. De volta nas conversas que tive com meu pai, uma das coisas que ele falava era pra eu ir aprender o raciocínio e tudo mais da engenharia, e depois você faz um MBA para pegar essa bagagem de gestão.

    Eu estava conversando esses dias com uma pessoa que fez Administração, e o conteúdo é similar. Talvez para uma pessoa que fez ADM um MBA não seja o maior retorno. Mas pra gente que fez ou faz engenharia, aprende-se muito de gestão no MBA. E aí tem uma diferença clara entre os MBAs que se faz fora do país, onde você acaba se dedicando em tempo integral, e os MBAs que tem no Brasil, que no caso eles acabam sendo um pouco mais do que uma pós graduação em uma área, tanto que as pessoas costumam pedir "Ah, você fez MBA em que? Em finanças, em gestão?". Não, o MBA é um mestrado em Administração praticamente, portanto precisa fazer aulas de todos os assuntos, claro que pode focar em alguma coisa, como por exemplo eu foquei em estratégias, finanças e empreendedorismo.

  • Como está o mercado no futuro, para quem tá saindo da faculdade agora?

    É muito importante você fazer o que você gosta, ou pelo menos o que acha que vai gostar. Não adianta eu falar que acho que todo mundo deveria fazer consultoria, pois haveriam pessoas que não seriam felizes realizando isso pra vida. Dinheiro é importante? Com certeza, mas não é a única coisa que se deve pensar. Para longo prazo, deve-se pensar se a carreira vai te dar condições de ter a vida que você quer, e isso é o importante.

    Na parte de mercado, eu tenho diversas percepções. Pra quem está bem preparado “sempre existe mercado”. Mas, existem algumas coisas que estão "travadas", por exemplo, o petróleo no Brasil não é uma coisa que está rodando bem. No Brasil em si, as empresas estão tentando dar uma segurada, mas de novo, mesmo com o momento das empresas reduzindo o número de funcionários, pra gente boa e preparada eles tentam dão um jeito de manter ou contratar. Então, acho que é muito mais de você agregar valor às empresas porque isso vai te gerar oportunidades. Nessa linha, penso que se fizer os estágios na faculdade no lugar de tentar ter o melhor IAA mundo é melhor, pois ao sair da faculdade, quem contrata não quer alguém que não é um profissional ainda. Por mais que você aprenda o assunto específico, como se comportar em um ambiente de trabalho é algo importante e as empresas já querem que você saiba. O conteúdo técnico, quer seja de gestão, consultoria ou engenharia, as pessoas aprendem a fazer. Essa parte de como trabalhar normalmente é um pouco mais difícil de ensinar.

  • Você falou que queria ser ou executivo, ou ser empreendedor. E foi pra uma carreira de consultoria. Isso ta meio que planejado você conhecer várias pessoas do ramo executivo para depois uma empresa te olhar e te puxar ou de olhar pra vários problemas de vários segmentos e abrir sua própria empresa?

    Nunca tento fechar oportunidades ou portas- consultoria, engenharia, tudo foi com a mesma idéia. Esses dia estava conversando com minha mentora na McKinsey, e na conversa falamos que todo mundo vai ter uma vida profissional pós consultoria, não importa se você se aposente na consultoria, você vai achar alguma coisa pra trabalhar e ocupar seu tempo. Um dos meus professores do MBA era um ex diretor aposentado da McKinsey e ele era professor, tinha aberto umas empresas, comprado outras... então acho que todas as portas estão abertas pra mim, e creio que as decisões vão vir com o andamento das coisas, como serão os momentos de vida e conforme as coisas forem acontecendo que vou decidir um caminho. No momento agora eu continuo sendo consultor, e vou continuar por pelo menos mais um tempo, mas não vou dizer que vou ser consultor pro resto da minha vida porque muita coisa pode e vai acontecer.

  • Você possui uma noiva que trabalha em uma outra empresa de consultoria, também de renome internacional e que pode ser muitas vezes concorrente. Como é o dia a dia de vocês em casa?

    Tem um lado bom que a gente não praticamente fala de trabalho em casa, porque na nossa vida antes, a gente conversava mais sobre trabalho, daí a nossa vida acabava se resumindo muito a trabalho, então conversamos sobre muitos outros assuntos. Por exemplo, a gente tem um cachorro, a Mocha, e falamos muito mais dela do que qualquer outra coisa.

  • Você notou alguma lacuna muito grande na formação do ECA? Qual a melhor maneira de completar essa falha?

    Eu puxei duas matérias optativas de outros cursos durante a época de graduando e achei que isso foi super legal. Puxei uma de investimentos da engenharia de produção (como se calcula resultado de investimentos) e a matéria de Finanças Pessoais do Professor Jurandir. Eu queria ter aprendido um pouco mais sobre administração, mas por um lado eu acharia injusto mudar o currículo da automação pras pessoas que não querem seguir na área. Eu acho que automação deveria preparar mais as pessoas para aquilo que elas querem seguir na automação do que sair preparando pessoas que podem seguir para qualquer outro lugar, seja consultoria, bancos ou qualquer outra coisa. Mas por outro lado, eu prefiro o modelo dos Estados Unidos que é mais aberto, onde as pessoas conseguem fazer mais de uma coisa ao mesmo tempo, que eles chamam de Majors e Minors, então você consegue fazer ciência da computação com administração, daí você pode focar mais em uma coisa e menos na outra, um currículo um pouco mais flexível. Só que aí eu acho que não necessariamente um currículo mais flexível só para automação, teria quer ser uma coisa UFSC como um todo, que você pudesse explorar outras áreas. Na maneira como funciona o nosso currículo de C&A, eu não vejo tanto problema e como eu não segui na área eu não consigo dizer que devia ter um pouco menos de controle ou um pouco menos de informática, sabe? Eu não consigo avaliar esse tipo de coisa, aí eu deixo pra quem seguiu como engenheiro de automação falar. De novo, eu acho que o curso é muito completo, então toda vez que alguém fala que poderia ter um pouco mais de informática ou um pouco menos de controle provavelmente ia ser bom pra quem foi trabalhar com informática, mas não pra pessoa que foi trabalhar com controle, então eu acho difícil balancear, tirar uma coisa pra colocar outra.

  • Teria alguma dica para alguém recém formado que queira seguir na mesma área que você, se dar bem?

    Eu vou dar sugestão pra alguém que queira seguir uma carreira mais administrativa como consultoria por exemplo. Algumas coisas são importantes durante a faculdade, uma delas é procurar estágios e trabalhar. Infelizmente as empresas não querem pegar alguém que chegou no fim da faculdade sem nenhuma experiência profissional. Por fora, eu acho que você pode tentar ler um livro de administração. O que eu gostava muito de fazer era ler notícias do infomoney, valor econômico, exame... Você vai criando vocabulário, conhecimento e vai ser um repertório de coisas que você vai armazenando na memória pra depois utilizar. Inglês eu acho fundamental. A maioria das empresas são multinacionais ou você vai trabalhar com pessoas de vários lugares do mundo, ou seu fornecedor, ou seu cliente... E muitas oportunidades maiores precisa do inglês. As empresas não estão querendo desenvolver isso quando você tá lá, então eu diria que vale muito a pena focar no inglês. O excel eu brinco, mas na administração é uma ferramenta muito importante, mas é uma ferramenta simples que a galera que aprendeu a programar consegue aprender. É legal aprender, mas não é uma coisa muito difícil. Bom, basicamente é ter experiências profissionais e o inglês bom. Na experiência profissional não necessariamente tem que ser já na área que você quer, por exemplo, consultoria não se tem muita oportunidade profissional durante a faculdade. Você pode fazer um PET, um NEO, consultor da Autojun, mas não é exatamente essa experiência que vai ser importante. Por exemplo, algumas pessoas que entraram, de engenharia, na McKinsey não tinham esse tipo de experiência. E nós temos que lembrar que há um número limitado de vagas nas empresas e tem muita gente boa que estamos competindo. A gente pensa sempre na galera que está na UFSC, mas tem todos os engenheiros do ITA, do IME, da Poli, da Unicamp... Se você quer ir pras maiores empresas, essa galera está na mesma competição que você... Esse pessoal costuma fazer estágio mais pro fim da faculdade, mas por outro lado eles fazem em empresas muito conhecidas, ou seja, menos experiência profissional só que com nomes mais relevantes. A gente não pode ficar pra trás só porque não estamos num grande centro, temos que correr atrás.

Mensagem Final aos estudantes

Aproveita a faculdade. É um momento único que não volta. Mas aproveite com responsabilidade porque tem outras coisas que são importantes, porque se você só aproveitar a faculdade, você provavelmente não vai aproveitar depois, na sua fase adulta quando você estiver tentando achar um emprego (risos). Faça amigos, faça uma turma que você vai querer depois. A faculdade são 5, 6, 7, 8 anos, mas que passam muito rápido. Então tirem proveito disso, principalmente porque algumas pessoas ficam relembrando depois: "poxa, eu queria ter feito isso na minha época de faculdade, ou aquilo, devia ter aproveitado mais... E não adianta, você querer voltar depois pra faculdade porque não é a mesma coisa. Aproveite esse momento enquanto você tem esse momento. Uma outra coisa, que eu acho que a gente faz muito pouco, e é um pouco mais profissional, é tentar ir atrás das pessoas que estão fazendo o que você quer depois da faculdade, e não só através do canal do Alumni. Veja as pessoas que fazem o que você quer, procure elas na internet, manda uma mensagem, conversa com elas. Tiveram algumas pessoas que eu fui conversar durante o período que eu estava na faculdade e que tinham uma carreira pelo parecida com o que eu queria, que era gestão, finanças. E todas essas pessoas foram muito receptivas, me deram várias dicas de como tentar aproveitar, alavancar a faculdade - é uma coisa tão simples e a maioria das pessoas não fazem.