Entrevista

31/05/2017


Como segundo entrevistado do Alumni, trazemos o Antônio Emygdio, formado em 2002 e desde então trabalhou em indústrias, gestão de projetos, no exterior e hoje trabalha na Comissão de Valores Mobiliários em São Paulo. Nessa entrevista ele nos fala um pouco sobre sua opinião de forma de viver, trabalho, estudo, linguição e principalmente sobre propósito!

  • Como funciona a CVM?

    A CVM é um órgão federal que visa regular as operações de valores mobiliários no Brasil. Dentro da CVM existem as áreas técnicas que, se encontram alguma irregularidade, fazem uma acusação (como o Ministério público, mas em um âmbito administrativo) e isso é julgado por um órgão colegiado, que é onde eu trabalho. Eu ajudo a elaborar as decisões de um dos diretores desse colegiado, hoje em dia eu trabalho mais com direito societário do que com a engenharia ou áreas exatas. Outra coisa que a CVM faz, entre muitas outras, é cuidar da abertura de IPOs de empresas.

  • Como foi a sua trajetória até chegar na CVM?

    Para explicar como eu cheguei na CVM, vou ter contextualizar minha carreira. Ouvi falar que o pessoal de agora do curso está um pouco desanimado, realmente estamos numa fase meio complicada do país em modo geral e eu comparo com o sentimento vigente quando eu me formei.

    Naquela época, início de 2003, o Lula estava entrando, eram péssimas as perspectivas do mercado, o Brasil era bem menor economicamente do que é hoje.

    Eu trabalhei na Reason Tecnologia, em Florianópolis, de 2003 a 2007. Primeiramente em desenvolvimento, depois na gestão de projetos e por fim na gestão da fábrica. Fui convidado para trabalhar em uma filial que eles estavam abrindo em Austin, Texas em 2007, fiquei lá por um ano. Com a crise de 2008, tive a renovação do meu visto de trabalho negado. Surgiu a oportunidade de trabalhar em uma empresa alemã, com objetivo de vender os produtos da Reason na Europa. Trabalhei um ano em Berlim.

    Voltei para o Brasil no fim de 2009 e achei que o mercado estava pagando muito mal em Floripa, e também já estava um pouco saturado da engenharia. Queria algo ligado ao mercado financeiro, mudar de carreira, mas meu background era em indústria e tecnologia, é complicado dar esse salto, foi então que uns amigos me incentivaram a fazer um concurso, e o concurso para a CVM foi uma oportunidade bem interessante nesse contexto (mesmo sem nunca ter pensado em fazer concurso público).

    Mesmo passando em 2º lugar, fui nomeado somente 1 ano depois da prova, pois quando a Dilma assumiu suspendeu todas as nomeações de concursos. Fui para sede da CVM, que fica no Rio, onde fiquei por 4 anos. Moro em São Paulo há 1 ano, a CVM tem uma "filial" aqui.

  • Como foi a escolha por automação?

    Às vezes as pessoas escolhem fazer Automação pelas razões erradas, e eu acho que fui uma delas. Na minha época muita gente fazia o curso por ser um desafio, por ser difícil de passar, por gostar de matemática e física, mas, na minha percepção, basear-se somente nesses fatores leva a uma escolha errada. Eu acho indispensável conhecer melhor a carreira para tomar essa decisão, ao invés de querer provar alguma coisas pros outros, porque a minha escolha foi mais ou menos assim.

    Eu fiz escola técnica em Eletrônica, no CEFET-PR em Curitiba, uma excelente escola na época, lá dentro tive informação de que existia esse curso, na época não tinha internet, a gente comprava o Guia do Estudante da Editora Abril, para pesquisar sobre cursos. Achei legal ser uma engenharia voltada “ao futuro", depois fui saber que era difícil de entrar. Eu acho extremamente difícil escolher um curso na idade que temos que escolher, pois não sabemos nada sobre nós mesmos ainda. Embora hoje eu tenha quase 40 anos, achei que ia saber muita coisa, e continuo sem saber nada (risos).

  • Gosta ou gostava de estudar?

    Eu sempre gostei de estudar, mas sinto que precisava me esforçar muito mais do que os outros durante a faculdade, sempre tive colegas muito inteligentes, eu estudei muito. Hoje em dia eu estudo arte e fotografia, considero bem mais legal (risos), é um hobby, mas que levo bem a sério. Pessoal da automação é nerd, não adianta, gosta de se dedicar e quer sempre fazer bem feito.

  • Como era seu dia a dia no curso? Saía muito? Estudava muito?

    Vivia no X-Picanha, era o bar da nossa geração (na frente dos bombeiros, começou com X-salada, virou uma baladinha depois). Na terceira fase saia bastante, reprovei em três das cinco matérias que fiz. Nunca tinha reprovado, nem ficado em recuperação na minha vida, então percebi que tinha que levar a graduação mais a sério, daí em diante não reprovei mais. Nas matérias de controle, provas do Júlio por exemplo, eu estudava 1 mês antes, mas dificilmente deixava de sair.

  • Você fez parte de alguma atividade extra-acadêmica, como CA, EJ, PET, NEO...? Em que função e o que te ajudou no mercado?

    Fiz parte da Autojun, pouco antes do João Bernartt (Chaordic) ser presidente. Eu ficava mais focado na organização de eventos, acho que foi uma boa preparação para o linguição (risos). Lembro que na época organizamos o primeiro e o segundo ENECA (Encontro Nacional da Engenharia de Controle Automação). Mais tarde fui palestrante da quinta edição do evento, uso até hoje um chaveirinho que ganhei da organização por uma palestra de gerenciamento de projetos que eu fiz a convite da Sasha ;).

  • IAA importa?

    Sim, eu acho que importa, mas é preciso saber em quais áreas isso é mais válido, quem for seguir para a área acadêmica, mestrado/doutorado,, com certeza o IAA é válido e importante. No meu caso não fez a mínima diferença, mas outras características, como um bom relacionamento interpessoal e a capacidade de ouvir foram essenciais.

    Uma visão muito técnica pode limitar bastante o profissional, eu recomendaria o pessoal a fazer matérias em outros cursos, como administração, psicologia... A técnica não resolve tudo, a maioria das coisas são resolvidas em modo interpessoal, relacionamento. A capacidade de ouvir de um engenheiro é muito importante, as pessoas não sabem o que elas querem, qual o problema delas, elas sabem que uma coisa não tá funcionando, então você tem que ouvir e daí tirar os insumos para resolver, trazer a solução.

  • “Quem quer ser engenheiro de controle e automação precisa gostar muito de física, matemática e programação”. O que você pensa sobre isso? Na sua opinião é verdade?

    Precisa sim, apesar de eu ter dito que não é a razão para escolher o curso, quem não gostar disso vai viver um inferno durante a graduação.

  • Quais matérias achou mais complicado na faculdade? Possui alguma história engraçado com algum professor?

    Inteligência artificial e uma matéria que era Análise de Estruturas de Dados, com o Guilherme Bittencourt, na 2a fase. Em 97 muita gente não tinha nem ligado o computador, foi conhecer a internet na faculdade, então era uma dificuldade adicional. Pra sinais e controle com o Júlio tive que estudar muito, mas não reprovei (risos).

    Engraçado foi o primeiro dia de aula com o Melga, para uma turma que nem conhecia internet, ouvi-lo falar de redes colaborativas usando Hiper-L era uma viagem!

  • Você viu apoio do DAS (professores) aos alunos ao longo do curso nos momentos de buscar bolsas, estágios, informações sobre o mercado?

    Vi sim. Eu por exemplo fiz meu PFC na Alemanha graças ao professor Stemmer. O Rabelo, o Augusto Bruciapaglia, o Júlio sempre apoiaram muito na busca de oportunidades, eles têm uma boa conexão com a vida real, a ‘vida fora-automação’. Sou muito grato a eles todos.

  • Você acredita que os professores te prepararam para o que? Para o meio acadêmico, para a indústria…

    Quem se prepara é você, quem é mais acadêmico vai ler mais artigos, quem é mais prático vai fazer mais projetos. A gente precisa tirar um pouco essa responsabilidade dos ombros do professor, nas universidades lá fora o professor dá a aula e o aluno é que corre atrás. Hoje em dia com a quantidade de informações que temos disponíveis, não temos mais a desculpa de que os professores não nos prepararam pra isso ou aquilo.

  • Muitos alunos dizem que o curso dá uma visão ampla, mas superficial de muitas áreas do conhecimento. Você concorda com isso? Acha isso positivo ou negativo?

    Depende muito do perfil da pessoa, eu sou mais generalista, mas o curso dá também a oportunidade de focar mais, se você quiser. Essa visão interdisciplinar é importante, por que dá a oportunidade de fazer conexões (mentais) que outros ‘especialistas’ talvez não consigam. Como já disse, acho importante fazer matérias na psicologia, história, administração, seja o que for, quanto mais tempo você colocar seu cérebro pra funcionar, e mais informação adquirir, melhor.

  • Existe algo que se arrependa na época de graduando? Há algo que você mais se orgulha?
    Me orgulho do Linguição e me arrependo de algumas coisas que aconteceram durante os Linguições (risos) Tô brincando. Eu acho que eu aproveitei muito bem o período de faculdade, talvez podia ter me aprofundado um pouco mais em matérias da informática, em redes por exemplo, é algo que faz falta hoje em dia.
  • De onde surgiu essa ideia de criar a festa do curso?

    A gente nunca tinha tido uma festa, um evento pra juntar dinheiro pra formatura. O curso era super pequeno, todo mundo se conhecia, era muito família, quando o curso foi crescendo surgiu essa necessidade de organizar alguma coisa para a formatura e para confraternização do curso. Tivemos uma reunião da comissão de formatura e veio a ideia de fazer um churrasco, mas acabaria saindo muito caro e trabalhoso. Então eu e o Antônio Meirelles, responsáveis pelo evento, decidimos fazer algo num domingo, um dia inútil na semana pra todo mundo, sem nada para fazer em Floripa, e fazer uma entrada barata com pão e linguiça liberada. A entrada deve ter sido uns 3 reais com pão com linguiça liberado, open food total, lucraríamos somente na cerveja. Lembro até hoje quando chegou um caminhão de Schin só pra nós, ficamos emocionados, um grande acontecimento (risos).

    A festa foi no Grêmio do HU (atrás do campo do HU). Entregamos panfleto na psicologia, no ‘lado de lá do rio’, deu uma mulherada bonita, pessoas bonitas, rompemos a ‘crença’ de que festa da engenharia só ia ter homem. Foi um sucesso tão grande que fizemos o segundo no mesmo semestre, depois a galera viajou pra fazer PFC e as outras turmas foram assumindo a organização. Era uma coisa muito trabalhosa, eu fiquei espetando a linguiça, por exemplo. A primeira camiseta foi branca, mas foi criada só na segunda edição, e só tocava funk e músicas da moda, playlist caseira do Sabino. Fico muito contente com a proporção que a festa tomou hoje em dia, realmente me orgulho de cada organização que toma a frente e faz uma festa melhor que a outra.

  • E o nome da festa, como surgiu?

    A gente criou na hora, veio do bordão tradicional “Automação é P….’, daí pensamos: vamos fazer um nome que tenha alguma relação com isso e com a comida servida. E também precisava chamar a atenção. Pô, na época fazer uma festa chamada linguição era uma quebra de paradigmas, né.

    Vocês iam dar muita risada se vissem nossa estrutura, era muito patético, convidei um amigo gaúcho (Tibum) pra assar e foi isso. A gente tinha essa característica de ser um curso muito próximo e isso tem que se manter, é um diferencial muito grande, não tinha essa de ‘calouro’, eu tenho amigos até hoje que eram da 6ª fase quando eu entrei.

  • Qual a melhor história que você tem do Linguição?

    Tem a minha história, eu comecei a namorar no Linguição. Me rendeu 15 anos de relacionamento com a Janaina, que fazia automação na época. O Linguição me gerou uma esposa hahaha!

  • Naquela época tinha uma percepção maior de carreira, hoje é mais comum 'pular de galho em galho'. Seguir 30 anos em uma empresa é o sonho ou é comodismo?

    Cada um precisa descobrir quais são seus valores, e o que quer seguir, por isso acho muito importante a busca pelo autoconhecimento. Tem gente que vai ficar super satisfeito em ficar numa empresa por 30 anos, tem gente que vai querer se matar no segundo ano. Hoje em dia se diz que é muito bonito a pessoa trabalhar em ‘x’ empresas, fundar ‘n’ start-ups, mas não é pra todo mundo que isso serve, nem todos têm esse perfil. Não tem um certo e errado quando se fala em carreira, as decisões têm que ser tomadas de acordo com a realidade daquele momento, não com base naquilo ‘que você queria que fosse’, e considerar se essa decisão faz sentido pra vida da pessoa, também. Hoje todo mundo quer ser Picasso, mas a gente precisa do pintor de parede também, né?

    Eu tive experiência em vários lugares, morei em muito mais cidades do que a média das pessoas, e eu acho que isso foi muito importante pra mim, sou muito feliz por isso, eu não conseguiria ter ficado a vida inteira em Floripa, por exemplo. Mas esse sou eu, não posso dizer o mesmo por você.

  • Essas mudanças de cidade foram importantes no pessoal ou no profissional?

    Os dois, mas principalmente no pessoal. Muita gente fala que quer conhecer o mundo e pensa que a única saída para isso é ter muito dinheiro e viajar quando aposentado. Não é, assim você não vai conhecer nada! Se você quer conhecer o mundo, tenha uma profissão, uma carreira que te possibilite conhecer o mundo.

    Ir para Alemanha e ficar 2 semanas é muito diferente de morar lá e ter que lidar com o Consulado Alemão, de contratar uma internet, de sofrer preconceito, de viver a vida lá. Essas coisas agregam muito no campo pessoal. Quando trabalhei em Berlin, a empresa era numa cidadezinha que ficava na antiga Alemanha Oriental, as pessoas não falavam inglês, mas falavam Russo, era outra realidade. A maioria das pessoas vivia de subsídio do governo por exemplo, não precisava, necessariamente, trabalhar. Como se motiva pessoas assim? São experiências que a gente leva para sempre.

  • Você acha que o engenheiro de controle e automação saído da UFSC está pronto para enfrentar o mercado de trabalho?

    Todo mundo que sai de uma faculdade está despreparado pra vida real, até por isso eu acho que oportunidades de estágio são super importantes, por mais que você não ganhe nada ou ganhe pouco, você vai aprender como as coisas funcionam em empresas, como é o relacionamento, hierarquia, dia-a-dia.

    A gente precisa valorizar a flexibilidade que o nosso curso traz. A nossa capacidade de sistematização das coisas é importante em qualquer área do conhecimento, e isso vai te acompanhar pra sempre.

  • Você acha justo o piso salarial de um engenheiro quando ele sai da faculdade? Como foi sua saída da faculdade na questão salarial? Correspondeu suas expectativas?

    Difícil falar em justiça, tem gente que merece bem menos e tem gente que merece bem mais. Eu acho que o mercado se ajusta, em pouco tempo você vai estar ganhando muito mais ou vai estar na rua, cada pessoa vai receber de acordo com o quanto ela contribui. Meu primeiro salário foi de R$1.300,00, mas logo as coisas melhoraram, eu acabei entrando pra área de gerenciamento de projetos, de produto, depois virei gerente da fábrica. A questão de piso não é importante, o importante é você começar a trabalhar e mostrar valor. Ficar imaginando que vocês vão começar a vida ganhando R$15 mil ‘porque merecem’ é irreal, normalmente vocês vão assumir uma responsabilidade antes de receber (financeiramente) por ela. Você vai ser testado na prática, em algum momento você vai ser reconhecido, se não for naquela empresa, vai ser em outro lugar, você faz contatos, constrói a sua reputação.

    Na área de engenharia o importante é entregar resultados. As coisas não acontecem da noite para o dia. Nenhum artista ficou bom do dia para a noite, eles tiveram que estudar, desenhar, pintar muito… Essa urgência que a gente tem hoje em dia de ser reconhecido só gera ansiedade. O negócio é trabalhar no que você acha correto, que traz resultados, e depois o reconhecimento vai vir. Se não vier, você tem a capacidade de se mudar pra outro lugar, capacidade para aprender outra coisa e vai arriscando, tentando, vivendo.

  • Você notou alguma lacuna muito grande na formação do ECA? Qual a melhor maneira de completar essa falha?
    Desde então as tecnologias evoluíram muito, mas eu acho que não. Tivemos a formação que era possível à época. Sempre se pode apontar falhas, mas não se pode tirar o mérito de todos que trabalham até hoje para corrigi-las.
  • Qual é o pontapé inicial para o serviço público?
    Hoje em dia o serviço público não é tão glamouroso, mas pode ser legal para alguns perfis de pessoas. O principal é se identificar com aquilo que você vai fazer, não sei se gostaria de trabalhar em outro órgão que não a CVM, sabe? Não faça concurso público só pelo salário, isso é um grande erro. Outra coisa é estudar bastante (mas com isso a gente já está acostumado).
  • Do que você lembra do currículo quando estudou, quais sugestões você daria para complementar ou alterar?

    Eu acho que a parte de TI precisa ser mais explorada do que só a parte de programação pura, não sei o que se ensina hoje em relação à tecnologias, internet. Uma coisa que a gente não teve na época foi essa visão de empreendedorismo, mas a cultura evoluiu muito nessa direção. Na minha época a gente tinha muito a visão de se formar para ser empregado, embora muitos dos meus colegas tenham empreendido, e com sucesso.

  • Das matérias, qual você considera menos importante para o mercado de trabalho?

    Eu acho que era um currículo bem equilibrado. Química a gente não teve, mas realmente não acredito que precise.

  • O que os calouros e vestibulandos precisam saber?

    Você não é tão esperto quanto você pensava que era, tem que ter certa humildade pra aceitar que coisas complicadas virão, e que você não tem o controle sobre tudo (aliás, tem sobre muito pouco).

    Disciplina é mais importante do que quantidade de estudo, não virem a noite estudando, não deixe de aproveitar Florianópolis. Nem tudo sai só de dentro da faculdade, ou do curso de Automação, faça matérias extra-curriculares, vá em festas de outros cursos, às vezes você encontra alguém que vai ser seu parceiro de trabalho em um bar ou em um curso de fotografia. Leia coisas sobre outra matérias, outros assuntos de interesse.

Mensagem Final aos estudantes

Não se comparem com as outras pessoas, com alguém que virou CEO, ficou milionário. Não acreditem na capa da Você S.A. ou da Exame. Cada pessoa tem seu caminho, tem seu background, teve o suporte financeiro da família ou não, etc. Cada um faz o melhor que pode dentro do seu contexto, isso nem sempre é lembrado, especialmente hoje em tempos de redes sociais onde ‘todos são felizes, bonitos e bem sucedidos’. Não tenham dinheiro como a única medida de sucesso, encontre a sua medida, por isso é preciso investir no autoconhecimento.

Tomem o risco de experimentar, ir para um emprego diferente, ter uma namorada diferente, ir para um país diferente. No fim da vida temos que olhar pra trás e ver que valeu a pena. Não se preocupem em ‘dar errado’, a gente tem uma formação muito boa, se der errado vai ter trabalho ainda e, mesmo se escolherem arriscar e der errado, faz parte, se aprende mais nos erros do que nos acertos. Eu acho uma grande falácia dizer que ‘tem que aprender com os erros dos outros’, isso não existe, você só aprende com os seus erros. Além disso, só não erra quem não faz nada.

Algumas perguntas que acho importantes e que são esquecidas: Quanto você quer ter de dinheiro* para se considerar bem sucedido? O que você faria se tivesse esse dinheiro? Se você tiver uma carreira que te permita fazer o que faz sentido para você, você precisa desse dinheiro? Muitas vezes as pessoas não sabem o preço que você precisa pagar para atingir esse sucesso e gastam suas vidas atrás de algo que, no fundo, não as faz mais felizes. (Substitua dinheiro por status, poder, patrimônio, admiração ou por qualquer coisa que te ensinaram que era importante).

Hoje está na moda tirar "períodos sabáticos", períodos em que a pessoa para pra ‘pensar na vida’ e fazer (ou buscar) aquilo que faz sentido para ela. Não seria melhor se vivêssemos uma "Vida Sabática”? (marca registrada, hahahaha) O que nos impede de fazer isso? (Detalhe: isso não significa ficar de papo pro ar a vida toda, pelo contrário).

Eu não sou o cara mais feliz do mundo, eu errei muito, mas chega um momento em que tudo vira experiência, e é muito gratificante saber que fiz muita coisa. Sempre vai ter gente com (muito) mais grana que eu, ou se dizendo mais feliz e realizado nas redes sociais, mas ninguém teve as experiências que eu tive, ou que você teve. É isso que nos torna pessoas únicas, é isso que vai valer no fim!