Entrevista

29/11/2018


Confira já!

  • Por que escolheu automação?

    Acho que tem uma influência do meu pai, que é engenheiro e trabalhou um bom tempo na indústria. Eu já ia pra área mais técnica de qualquer jeito porque programava desde os meus 14 anos, então já ia mais para essa linha. E acho que, como muita gente por vários anos no curso, eu acabei entrando por um desejo de trabalhar com robótica. Precisamente falando, eu queria trabalhar com cibernética mesmo, próteses e essas coisas assim sabe. Fiz um semestre de Engenharia de Produção Elétrica, depois vestibular de novo para automação, por isso vim para cá um ano antes. Eu já queria fazer automação antes, só que tinha opção 1 e opção 1A. No primeiro ano, então, não passei na automação, mas estava lá em produção elétrica. Ai na metade daquele ano já decidi fazer vestibular de novo e focar na automação mesmo. Depois, quando você entra no curso, acaba vendo que é muito mais focado em controle do que realmente mecatrônica e robótica, por mais que a imagem que se vendia do curso era essa. No fim não tínhamos muitas oportunidades na área de robótica.

  • Como era seu dia a dia no curso? Saía muito? Estudava muito?

    Eu nunca fui muito de fazer festa, talvez devesse ter me envolvido mais com os grupos de fato. Eu era meio rato de laboratório, ficava muito tempo envolvido em projeto, programando, o típico nerd. Eu era mais técnico mesmo, focado na parte de software, e não tanto focado na parte de relacionamento com o curso. Sempre levei o curso de fato com muita seriedade e respeito. Não me envolvi tanto com o departamento por estar sempre envolvido em laboratórios, mas as coisas entregues foram bem feitas.

  • Em que momento você percebeu que estava começando a construir uma carreira?

    Eu vejo que a minha primeira atuação profissional foi dentro da universidade, desde a primeira fase, na disciplina de introdução à computação para automação, na minha primeira aula eu já fui convidado pelo professor a ingressar no laboratório. E lá eu fiquei um bom tempo, no laboratório da computação mesmo, então eu acabei me aprofundando na questão de desenvolvimento de software, e eu gostava muito de ficar no laboratório trabalhando, aí depois durante a graduação acabei me relacionando com vários colegas e em 2004, uns 2,3 anos antes de me formar.

  • Você fez parte de alguma atividade extra-acadêmica, como CA, DCE, EJ, PET, NEO...?

    Além dos laboratórios que participei, teve uma atividade que para mim foi bem marcante, que foi a escola de novos empreendedores, uma iniciativa do departamento de engenharia de Produção e do Sebrae para formar empreendedores. Foi um processo de uns 4 meses, com várias disciplinas e exercícios práticos que até montamos uma empresa no final. Me ajudou bastante a entender vários aspectos do que é empreender, e depois me ajudaram muito mais pra frente. Durante a própria graduação existem muitos eventos técnicos, como as semanas acadêmicas e as palestras, então são muitas coisas que te ajudam a aproximar do ambiente de trabalho, inclusive com relacionamentos que podem ser futuramente usados. O próprio ambiente da universidade para além do contexto da graduação ajuda muito e pode ser muito bem aproveitado! Acho que a gente precisa aprender, enquanto estudante, a aproveitar mais toda aquela rede ali na universidade para até se envolver com outros cursos também.

  • Qual a relevância das atividades extra curriculares?

    Eu acho que se a pessoa não faz algo extracurricular, acaba colocando em risco a sua vida profissional, pois, é no extracurricular que você coloca em prática o que aprendeu na faculdade, trabalha em grupo, modela problemas reais, e acaba que isso cria uma motivação, além ser um ponto forte em uma entrevista. Então, é muito importante tentar achar um equilíbrio entre a graduação e o extracurricular.

  • Que fatores você acha da graduação que te ajudaram hoje, ou que influenciam na pessoa que você é hoje?

    Acho que tiveram pelo menos 2 fatores do curso que me ajudaram, um foi a profundidade técnica de desenvolvimento de software, então tinha muita coisa do próprio curso que me ajudou e claro, coisas que eu busquei dentro da graduação dentro do laboratório também, e o outro foi o próprio network, que se eu não tivesse esse relacionamento com esses colegas isso não teria acontecido. Então, como a empresa que eu e meus colegas abrimos era técnica, a maioria das contratações passava por mim, e depois eu precisava formar time, então a maioria da formação dos times passava por mim, então eu tive que começar a aprender a lidar com pessoas, contratação, desenvolvimento, tudo por uma necessidade que eu tinha empreendendo, mesmo sendo o braço técnico, que eu não conseguia fazer sozinho, então eu precisava me juntar a outras pessoas que tivessem essas capacidades, e assim foi.

  • Como foi sua experiência com o PFC?

    Meu PFC foi na CERTI, consistia em participar do desenvolvimento da especificação e testes do padrão europeu de TV digital, esse projeto envolvia 32 empresas diferente como Motorola, Siemens, várias redes de TV.

  • Quais matérias achou mais complicado na faculdade? Possui alguma história engraçado com algum professor?

    Acho que a mais complicada e que as pessoas entravam com mais receio de reprovar era sinais e sistemas lineares, e depois sistemas realimentados. Essas duas eram lecionadas pelo Julio na época, e ali era bem complicado. Eu gostava bastante da disciplina em si, e um dos pontos que eu achava bem interessante é que o Julio permitia tu ir para a prova com qualquer livro, exercícios feitos, provas anteriores e anotações, e mesmo assim tu não conseguias resolver em tempo. A galera chegava umas 7h na prova e ficava até uma da tarde para tentar resolver tudo. Isso era bem curioso, marcou bastante na rotina.

  • Existe algo que se arrependa na época de graduando? Há algo que você mais se orgulha?

    Eu fiz o curso praticamente no tempo máximo. O que eu me orgulho foi de não ter desistido e continuado até o fim. Durante a graduação, vi várias pessoas entrarem e acabarem desistindo, então me orgulho bastante disso. E é também um arrependimento não ter feito em menos tempo. Poderia de fato ter reduzido isso, me relacionando melhor com as pessoas e aprendido a lidar com as próprias frustrações durante as dificuldades. Pedir ajuda e estudar em grupo é muito valioso! Acho que a gente faz pouco no curso, mas as vezes que eu fiz foi muito legal.

  • Apareceram oportunidades de empreendedorismo na época de graduação?

    Era pra eu ter me formado antes, acabei atrasando o curso, eu me juntei com outros 2 colegas da automação, um que não tinha se formado ainda e outro que já tinha se formado há 1-2 anos, trabalhava na Certi, e abrimos uma empresa de desenvolvimento de software para celular na época, 2004, foi uns 2-3 anos antes de lançarem o Android. Era um empreendedorismo bem de tecnologia mesmo e a gente queria desenvolver aplicativos para acessar redes sociais, Orkut, Fotolog, na época nem tinha Google Play, AppStore, a gente construiu um portal para download de aplicativos para celular. Então no portal as pessoas se cadastravam, faziam uma conta, então a gente tinha 23-24 anos na época, mas para montar a empresa precisava de mais gente para desenvolver software e eu era a parte técnica mesmo da equipe, porque o outro sócio também fazia automação, era da parte comercial e marketing, e o outro fazia mais a parte de estratégia e planejamento administrativo/financeiro, e até o trabalho de estruturar a empresa para conseguir investimento.

  • Essa primeira empresa que vocês abriram rendeu bons resultados? Em que momento apareceu a gestão de pessoas na sua vida?

    Eu fiquei nessa empresa cerca de 4 anos, a gente trabalhava muito e teve muito aprendizado, porém não muito resultado, e acabei deixando ela. Fui trabalhar em outra empresa de software, em Joinville, na DataSul, que depois foi comprada pela TOTVS, que é uma empresa grande, mas lá eu acabei empreendendo de novo. Aí eu fui empreender em TV digital, e como o meu PFC na UFSC tinha sido em TV digital, eu fui trabalhar com isso lá em Joinville, e lá eu contratei inclusive algumas pessoas da automação para trabalharem lá comigo. Daí eu saquei que podia ser algo diferencial e fui fazer MBA em gestão de pessoas, porque a maioria dos meus colegas que se formavam em automação faziam ou em gestão empresarial, ou em gestão de projetos. Eu pensei assim: cara, eu não vou fazer a mesma coisa que todo mundo, vou fazer algo diferente, e eu via que em software tinha uma necessidade muito grande de contratar muita gente e que era muito difícil contratar e reter pessoas já naquela época. Isso era 2008, então eu fui aprender como se faz isso e pensei que juntando minha parte técnica com minha parte de gestão de pessoas eu vou ter um perfil diferenciado.

  • Depois disso, vieram outras oportunidades de trabalho?

    Em 2011, dois colegas da UFSC, um de automação e outro da computação, me chamaram para que eu me juntasse a eles como sócio de uma empresa que eles estavam começando, pa ser diretor de gestão de pessoas. A empresa na época tinha 7 pessoas e eles falaram: agora a gente vai crescer, tem um cliente grande com a gente, então vem pra cá! Eu aceitei o desafio, e um dos sócios, que era o CEO, era o João Bernartt, da Chaordic, então a gente começou a trabalhar. Eu comecei a estudar mais gestão de pessoas, e uma coisa legal de trabalhar com o João e com o Bosco foi que eles sempre me deram muita liberdade e eles sempre também estimularam muito a gente a ousar com práticas de gestão de pessoas, a gente via o que as empresas no Vale do Silício estavam fazendo e começou a trazer práticas diferenciadas para dentro da organização e inclusive foi reconhecido em 2013 como melhor empresa para se trabalhar em Santa Catarina.

  • O que esse reconhecimento da empresa representou para a sua carreira?

    Foi uma construção e para mim como um profissional que tinha recém ingressado em 2011 como diretor de gestão de pessoas foi um marco em termos de carreira, porque em pouco tempo ganhamos reconhecimento de uma instituição que avalia as empresas, então era um indício que eu estava fazendo um bom trabalho e eu estava no caminho certo. Continuei lá, a gente continuou trabalhando, a gente levou a Chaordic de 10 pessoas praticamente em 2011 para 120 em em 2015. E então em 2015 a gente vendeu para a Linx, e nesse período eu também atuei como diretor de branding (marca) e gestão de pessoas. Quando a Linx comprou, em 2015, eu assumi como diretor de customer success, atendimento de apoio e suporte aos clientes. Foi assim que comecei a trabalhar com isso.

  • Como começou sua história na RD? Como funcionam as coisas por aí?

    Em 2016, o Eric, que já tinha sido meu sócio naquela primeira empresa, me convidou para assumir gestão de pessoas na RD. Quando eu entrei tinham 350 pessoas aproximadamente, e agora com 700. A RD já, desde 2014 e ano após ano, tem sido a melhor empresa para se trabalhar em SC, além de entre as 20 melhores no Brasil e esse ano recebemos 13ª melhor multinacional para se trabalhar no Brasil, entre vários segmentos de empresa.

  • Quais suas responsabilidades hoje na RD, o que você faz no seu dia-a-dia?

    Hoje eu sou diretor de Talent Management, diretor de pessoas. Eu tenho como responsabilidade fazer atração, recrutamento e seleção de pessoas para o time da RD, além do desenvolvimento de pessoas, avaliação de performance e toda a parte também de reconhecimento, cultura, clima, comunicação interna. Hoje temos uma área grande de diversidade e inclusão, que é uma temática mais presente nas organizações. Hoje a RD já está com 700 pessoas, então é uma empresa jovem que foi fundada inclusive por pessoas da automação da UFSC, mas ainda que seja jovem cresceu muito rápido, um quadro de pessoas grande e uma estrutura organizacional que já é complexa, de uma empresa maior, nova e grande.

  • Como ficou a organização interna da RD depois dessa crescimento todo?

    Dentro da minha própria área já existe também uma estrutura maior, tem uma estrutura de talent acquisition para a atração e aquisição de novos talentos para atuarem na empresa, profissionais de todas as áreas, então desde pessoas que vão atuar na área de tecnologia mesmo, desenvolver o software, mas também equipe de vendas, atendimento e suporte ao cliente,marketing, gestão de pessoas, expansão internacional, parcerias.. É uma empresa que tem toda uma complexidade e o que a gente precisa dentro da área é atrair entender qual é o perfil, até porque com o crescimento da empresa o perfil das pessoas que vêm trabalhando nela acabam mudando.

  • A forma de organização é a mesma desde que começou?

    No início quando é uma startup tu acaba trazendo um perfil de pessoa que é muito mais empreendedora e generalista, porque todo mundo faz tudo no começo. Quando você começa a ampliar a organização, é preciso de pessoas mais especialistas em algumas funções que precisam lidar com uma complexidade muito maior, então tu precisa ter mais até profundidade, volume de informação para lidar, e o perfil das pessoas que vão entrando na empresa vai mudando. Outra área na gestão de pessoas é a people operations, que atua com total rewards, cuidado dos benefícios e diversas formas de reconhecimentos para que as pessoas se sintam de fato recompensadas pelo trabalho que fazem no dia a dia. Um dos desafios por exemplo quando a gente fala em rewards e compensation é que a remuneração seja uma forma sim de reconhecer as pessoas pelo trabalho que elas fazem, mas que também seja uma forma de estimular as pessoas, então dentro das áreas da empresa, por exemplo área comercial, os ganhos de quem trabalha nessa equipe estão muito atrelados ao próprio resultado que a área comercial gera, e os modelos de remuneração precisam estar diretamente relacionados a isso, a estimular que as vendas sejam feitas. Cada área tem um perfil de profissional diferente, que trabalha de uma forma diferente, então a forma de remunerar tem que ser diferente também. Se não existe esse reconhecimento, as pessoas vão procurar outro local onde elas sejam reconhecidas.

  • A forma de reconhecimento utilizada na empresa seria a remuneração financeira?

    Quando a gente fala em reconhecimento e recompensa, a gente precisa entender também que a única forma de recompensar as pessoas pelo trabalho também não é só financeiro, então dentre as responsabilidades do time de talent management dá para trazer outros tipos de incentivo a pessoa. Quando a gente oferece às pessoas oportunidades de desenvolvimento, isso é um atrativo, quando a gente oferece um ambiente em que elas podem trabalhar com mais autonomia, isso é um atrativo, quando elas têm um ambiente onde tem mais abertura, mais feedback, é outro atrativo, então essas são as coisas que nós precisamos estar constantemente entendendo, o que interessa as pessoas, e constantemente oferecer isso a elas.

  • Você como gestor de pessoas, o que você acha que tem que ter numa pessoa para ela crescer dentro de uma empresa?

    Acho que primeiro ponto está muito relacionado ao potencial que a pessoa tem, e potencial é uma coisa meio abstrata. O potencial de alguém a gente consegue por um fator preditivo, porque eu faço meio que uma previsão de uma performance futura, isso é o potencial, e a melhor previsão para uma performance futura é a performance atual, e o histórico de ações, então esses dois elementos dizem muito sobre quanto eu vou apostar em colocar uma pessoa num novo desafio. A gente observa assim, nos indivíduos, um é a capacidade de lidar com desafios que são maiores do que ela, acho que isso as pessoas que são talentosas, que tem essa característica geralmente antes de preparar a pessoa para, a gente dá o desafio, e a pessoa se prepara quando tem o desafio em mãos, é aquela pessoa que corre atrás de resolver o problema quando se depara com um problema. Outro elemento de sucesso aí é o desejo da pessoa de aprender mais e a capacidade dela de aprender mais e aprender rápido, então isso é outro elemento que diz o quão talentosa essa pessoa é e quanto potencial ela tem, então se eu vou colocar uma pessoa numa posição maior, se ela já demonstra uma capacidade de aprender mais e aprender rápido no trabalho que ela já tem hoje, acho que são 2 elementos que são bem importantes para promover uma pessoa, mas como eu falei assim, o resultado atual e o resultado passado é uma demonstração de consistência tanto em termos de entrega quanto também adequação em termos de comportamento que fala muito sobre o futuro que me faz apostar ou não em alguém.

  • Você acha justo o piso salarial de um engenheiro quando ele sai da faculdade? Como foi sua saída da faculdade na questão salarial? Correspondeu suas expectativas?

    Como no meu caso eu sempre empreendi, não posso dizer sobre a minha condição, pois sempre era algo inesperado, mas por tudo que vivi eu acredito que as pessoas “viajam” demais nessa parte, o que sai na mídia sobre salário inicial divergem com as situações que vi, no meu trabalho como gestor de pessoas por exemplo, as vezes compramos pesquisas e elas não condizem com o que aparece na mídia. Sobretudo com trabalho, comprometimento e ética o resultado sempre acaba vindo.

  • Teria alguma dica (pulo do gato) para alguém recém formado que queira seguir na mesma área que você, se dar bem?

    Eu tenho uma crença muito forte sobre trabalho e sucesso, temos que ter seriedade, engajamento, ética e não devemos ter uma visão muito imediatista. As pessoas têm dois locus de controle, o interno e o externo. A pessoa com locus externo sempre acha algo para culpar por um eventual problema que tenha ocorrido com sua participação, já as pessoas com locus interno trazem para si o problema, vendo o que poderiam ter feito diferente e tentando resolvendo-lo, no geral as pessoas que têm locus interno desenvolvida são as que atingem o sucesso.

  • Você viu apoio do DAS (professores) aos alunos ao longo do curso?

    Sempre tive uma relação muito boa com o departamento no geral, no meu PFC tive como orientador o professor Montes, como ele já fazia pesquisas com TV digital foi uma grande ajuda.

  • Como o curso contribuiu com o que você trabalha hoje?

    Uma das coisas que eu trago como diferencial é que, em geral, quem trabalha com gestão de pessoas, o estereótipo são profissionais que vem da área de administração ou psicologia. Eu já venho com duas coisas pelo menos na bagagem: experiência com tecnologia e também com empreendedorismo. O terceiro elemento é a própria formação de engenharia, pois a minha análise dos problemas acaba sendo um pouco mais analítica do que normalmente se faz. Tento trazer um olhar mais pro todo, com lógica e racionalidade. Isso ajuda muito na tomada de decisões mais disciplinadas, mesmo se tratando de pessoas, que pode ser algo muito subjetivo e complexo. Vejo que é bem complementar. No curso a gente ganha uma flexibilidade e uma profundidade de raciocínio que ajuda praticamente a atuar em qualquer segmento ou desafio, mas eu acabo, inclusive no dia a dia, fazendo muito paralelo com sistemas retroalimentados, fechar malhas, isso me influencia até hoje.

Mensagem Final aos estudantes

Se submeta a novas experiências e sempre faça o seu melhor tentando deixar um legado positivo para as pessoas a nossa volta, atue com decência e ética, respeitando as pessoas e trabalhando em prol de todos não apenas para realizar a si próprio.